A Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) considerou esta quarta-feira um “avanço significativo” que as pessoas que superaram doenças graves deixem de ser discriminadas no acesso a seguros com a regulamentação da Lei do Esquecimento.

A regulamentação do direito ao esquecimento é “um avanço significativo na proteção dos direitos das pessoas que superaram doenças graves, nomeadamente o cancro”, refere a LPCC, em comunicado.

O Governo regulamentou o acesso ao crédito e contratos de seguros por pessoas que tenham superado ou mitigado situações de risco agravado de saúde ou de deficiência, proibindo práticas discriminatórias.

Aprovada na especialidade inclusão de doença oncológica, VIH, diabetes e hepatite C na lei do esquecimento

Com a regulamentação da Lei do Esquecimento, publicada na terça-feira em Diário da República, as seguradoras podem esquecer que as pessoas enfrentaram essas doenças graves após ter passado um determinado número de anos desde que os beneficiários se curaram.

A Liga congratula-se com a regulamentação do direito ao esquecimento que estabelece “regras claras que impedem a discriminação de cidadãos que tenham ultrapassado situações de risco agravado de saúde”.

O decreto prevê uma grelha de referência com prazos específicos aplicáveis às doenças oncológicas, baseada em evidência científica.

Segundo a LPCC, a grelha permite “maior justiça, previsibilidade e equidade no tratamento destes cidadãos”, mas ainda existem algumas dúvidas na aplicação do regime.

Estas dúvidas estão relacionadas com a data em que “começa a contar o prazo do direito ao esquecimento nos casos que não estão incluídos na grelha, o que pode gerar incerteza para doentes e sobreviventes”, refere a Liga.

A LPCC sublinha também a importância de garantir a efetiva implementação destas medidas, nomeadamente através da adequada informação aos consumidores e da fiscalização das práticas das entidades financeiras e seguradoras.

“Este decreto representa um passo importante no combate à discriminação e na promoção da dignidade das pessoas que enfrentaram uma doença oncológica. Sobreviver ao cancro não pode continuar a ser um obstáculo à integração na vida económica e social“, disse o Presidente da LPCC, Vítor Veloso, citado em comunicado.