A jornalista freelancer com nacionalidade norte-americana Shelly Kittleson foi esta terça-feira raptada em Bagdad, a capital do Iraque, em plena luz do dia. A notícia foi avançada pela imprensa iraquiana e confirmada pelo Departamento de Estado. A mulher terá sido raptada por militantes da milícia aliada do Irão e próxima da organização xiita libanesa Hezbollah, o grupo Kataib Hizballah.

Um vídeo da Al-Arabiya/Al-Hadath documenta o momento em que um carro parou perto de Shelly Kittleson numa rua movimentada de Bagdad, antes de um grupo de homens armados à civil se aproximar e a forçar a entrar no veículo, que arrancou a toda a velocidade.

No X, Dylan Johnson, subsecretário para os Assuntos Públicos Globais, disse que o governo norte-americano “está a par” do rapto. “Cumprimos o dever de alertar” a jornalista sobre as ameaças contra ela, referiu o membro da diplomacia norte-americana, acrescentando que o Departamento de Estado vai continuar a “coordenar-se com o FBI para garantir a sua libertação o mais rápido possível”.

Dylan Johnson destacou que um indivíduo “com laços à milícia aliada do Irão” — a Kataib Hizballah — terá estado “envolvido no rapto” e já foi detido pelas autoridades iraquianas. O Ministério da Administração Interna iraquiana confirmou a detenção durante uma perseguição aos raptores da jornalista, durante a qual um dos carros acabou por capotar.

A jornalista não estaria nesse carro e continua em paradeiro incerto, apesar de o canal de televisão saudita Al-Arabya ter avançado inicialmente que Shelly Kittleson já estaria a salvo, tendo ficado ferida. Os Estados Unidos vieram desmentir essas informações mais tarde.

Shelly Kittleson trabalhava para vários órgãos de comunicação sociais como o jornal Al-Monitor, que emitiu uma nota a expressar preocupação pelo rapto da jornalista. “Apelamos a libertação segura e imediata. Apoiamos a forma como cobriu a região e pedimos o regresso rápido para continuar o seu trabalho importante”, lê-se. Cobria tópicos relacionados com o Médio Oriente, principalmente aqueles que incidiam sobre o Afeganistão, o Iraque e a Síria.

O Ministério da Administração Interna iraquiano confirmou que estão em curso “esforços” para tentar localizar os raptores e assegurar a “libertação” da jornalista. O Governo do Iraque promete também “tomar as devidas medidas legais contra todos os envolvidos neste ato criminoso, em conformidade com a lei”.

Shelly Kittleson, com 49 anos, nasceu no estado norte-americano do Wisconsin. A jornalista divide a sua vida entre Roma e o Médio Oriente e já colaborou com meios de comunicação como a BBC, o Politico e a Foreign Policy.