A jornalista freelancer com nacionalidade norte-americana Shelly Kittleson foi esta terça-feira raptada em Bagdad, a capital do Iraque, em plena luz do dia. A notícia foi avançada pela imprensa iraquiana e confirmada pelo Departamento de Estado. A mulher terá sido raptada por militantes da milícia aliada do Irão e próxima da organização xiita libanesa Hezbollah, o grupo Kataib Hizballah.
Um vídeo da Al-Arabiya/Al-Hadath documenta o momento em que um carro parou perto de Shelly Kittleson numa rua movimentada de Bagdad, antes de um grupo de homens armados à civil se aproximar e a forçar a entrar no veículo, que arrancou a toda a velocidade.
Footage shows the abduction of U.S. journalist Shelly Kittleson in Baghdad. pic.twitter.com/MAtnZmWz80
— Open Source Intel (@Osint613) March 31, 2026
No X, Dylan Johnson, subsecretário para os Assuntos Públicos Globais, disse que o governo norte-americano “está a par” do rapto. “Cumprimos o dever de alertar” a jornalista sobre as ameaças contra ela, referiu o membro da diplomacia norte-americana, acrescentando que o Departamento de Estado vai continuar a “coordenar-se com o FBI para garantir a sua libertação o mais rápido possível”.
The U.S. Department of State is aware of the reported kidnapping of an American journalist in Baghdad, Iraq.
The State Department previously fulfilled our duty to warn this individual of threats against them and we will continue to coordinate with the FBI to ensure their…
— Dylan Johnson (@ASDylanJohnson) March 31, 2026
Dylan Johnson destacou que um indivíduo “com laços à milícia aliada do Irão” — a Kataib Hizballah — terá estado “envolvido no rapto” e já foi detido pelas autoridades iraquianas. O Ministério da Administração Interna iraquiana confirmou a detenção durante uma perseguição aos raptores da jornalista, durante a qual um dos carros acabou por capotar.
A jornalista não estaria nesse carro e continua em paradeiro incerto, apesar de o canal de televisão saudita Al-Arabya ter avançado inicialmente que Shelly Kittleson já estaria a salvo, tendo ficado ferida. Os Estados Unidos vieram desmentir essas informações mais tarde.
Shelly Kittleson trabalhava para vários órgãos de comunicação sociais como o jornal Al-Monitor, que emitiu uma nota a expressar preocupação pelo rapto da jornalista. “Apelamos a libertação segura e imediata. Apoiamos a forma como cobriu a região e pedimos o regresso rápido para continuar o seu trabalho importante”, lê-se. Cobria tópicos relacionados com o Médio Oriente, principalmente aqueles que incidiam sobre o Afeganistão, o Iraque e a Síria.
O Ministério da Administração Interna iraquiano confirmou que estão em curso “esforços” para tentar localizar os raptores e assegurar a “libertação” da jornalista. O Governo do Iraque promete também “tomar as devidas medidas legais contra todos os envolvidos neste ato criminoso, em conformidade com a lei”.
Shelly Kittleson, com 49 anos, nasceu no estado norte-americano do Wisconsin. A jornalista divide a sua vida entre Roma e o Médio Oriente e já colaborou com meios de comunicação como a BBC, o Politico e a Foreign Policy.