Não era propriamente o adversário que deixava melhores recordações, não deixava de ser um adversário a ter em conta numa fase de preparação adiantada tendo em vista o Mundial de 2026. Quase uma década depois, Portugal voltava a ter pela frente um conjunto dos EUA a quem não tinha ganho nas últimas quatro partidas, da derrota no particular de 1992 em Chicago ao desaire surpresa no arranque do Mundial de 2002 na Coreia do Sul e no Japão, passando pelo empate na fase de grupos do Mundial de 2014 no Brasil a nova igualdade num particular em Leiria. Agora, mais de 35 anos depois, a história foi outra. E a Seleção venceu.

As dúvidas continuam mas sobra uma certeza: Bruno é imprescindível (a crónica do EUA-Portugal)

Num encontro realizado em Atlanta, num Mercedes-Benz Stadium de teto fechado quase a preparar aqueles fatores meio invisíveis que poderão aparecer ao longo da próxima fase final do Mundial-2026, houve espaço para quase tudo. Portugal voltou a utilizar 22 jogadores, venceu com golos de Francisco Trincão e João Félix após assistências de Bruno Fernandes, estreou mais dois jogadores na Seleção A como Mateus Fernandes e o guarda-redes Ricardo Velho e teve ainda o condão de fechar o último momento de preparação com uma vitória e um empate sem sofrer golos diante dos organizadores México e EUA – algo que já não acontecia desde o Europeu, quando a Seleção empatou a zero com Eslovénia e França na fase a eliminar.

Foi isso também que tornou o encontro em Atlanta “especial” no percurso de Roberto Martínez na Seleção. Numa fase em que existem ainda dúvidas sobre o futuro do selecionador depois do Mundial, o espanhol somou o 26.º triunfo por Portugal num total de 38 jogos, igualando os registos de António Oliveira (em 44 jogos) e Paulo Bento (em 47 jogos) e ficando apenas atrás de Fernando Santos (67 triunfos em 109 partidas) e Luiz Felipe Scolari (42 vitórias em 74 encontros). No entanto, e no final, o técnico preferiu dar destaque às ilações positivas retiradas do duelo com os EUA e do estágio realizado na América do Norte.

“O estágio tinha muitos objetivos e estou muito satisfeito com todos eles. Os estágios não são para ganhar, não são para isso. Este era um estágio para procurar novas soluções e conceitos táticos. Fico contente com o que mostrámos. Acho que nos dois jogos as segundas partes foram melhores, falei disso em março. Parece que precisamos de minutos para ajustar, ligar e criar melhores ligações. Melhorámos em relação ao que mostrámos frente ao México. Os EUA são uma equipa com muita verticalidade e capacidade física. Fiquei muito contente porque o adversário não era europeu e isso ajuda na nossa preparação”, apontou Roberto Martínez no final do jogo à RTP, antes de abordar também a falta de minutos de Pedro Gonçalves.

“Em relação ao Pote, a minha decisão foi não querer arriscar porque a relva estava um bocadinho perigosa. Expliquei-lhe, sim. O compromisso que tem com a Seleção é fantástico. Precisou de 2/3 dias de trabalho individual mas agora era mais importante anular o perigo e que ele esteja bem até ao final da época. A falta de minutos não é um sinal nem nada disso, está no mesmo patamar que os outros jogadores”, referiu. “A lesão do Cristiano [Ronaldo] é como o Rúben Dias e Nélson Semedo. Está a recuperar bem, estamos a falar de dias para voltar para a sua equipa e a treinar. Não é um problema para ficar em dúvida para o Mundial. Mas, tal como todos os outros jogadores, temos agora mais 60 dias para seguir todos os jogadores. Mas a lesão do Cristiano não é algo que coloque em risco a presença no Mundial”, acrescentou o técnico.