Pedro Neto entrou com sangue na guelra (num lance em específico até em demasia…), Vitinha mostrou que qualquer jogo em esteja em campo ganha uma cor diferente de forma natural, Paulinho teve oportunidade de tentar mostrar serviço depois de uma apoteótica receção com estádio de pé a aplaudir a aposta. Assim, tudo parecia ter corrido bem. No entanto, a uma hora tardia em Portugal numa espécie de aquecimento para o que irá acontecer durante o Campeonato do Mundo, aquilo que se viu não foi propriamente isso. Houve poucas oportunidades, houve pouco futebol, houve zero golos – e houve sobretudo aquela sensação de que a Seleção pode fazer muito mais do que fez, mesmo tendo em conta as várias ausências, a adaptação a um clima diferente, a falta de entrosamento entre jogadores em alguns setores e a intensidade do adversário.
Portugal vence EUA no último teste antes da lista final com golos de Trincão e João Félix
“Foi um jogo taticamente exigente para as duas equipas. Para nós, é muito interessante ver se uma equipa que faz sete substituições ao intervalo consegue continuar com a mesma ideia e isso é o que me deixa mais satisfeito. Temos seis jogadores que não estão cá mas outros 17 que puderam mostrar aquilo que queremos. Isso deixa-me muito feliz. Demorámos 20 minutos a encontrar as nossas linhas de passe, os nossos espaços, mas é isso que acontece normalmente. Passaram cinco meses desde novembro, desde o último jogo… Mas acredito que foi um jogo muito competitivo, muito bom taticamente. Talvez não tão bom para os adeptos porque não houve golos mas taticamente vamos tirar muitas conclusões”, apontou no final Roberto Martínez, entre elogios à entrada de Vitinha em campo e à forma como Paulinho se entregou à Seleção.
Sobre as críticas à falta de qualidade de jogo individual e coletiva, um “jogo” como o resultado final: zero palavras. Mais uma vez, o selecionador apontou para a importância do processo e não tanto naquele que foi o resultado momentâneo desse trabalho, mesmo tratando-se da última concentração (e a primeira desde o mês de novembro) antes da convocatória para a fase final do Mundial. Quase todas as “novidades” entre os eleitos tiveram o seu espaço em campo à exceção de Mateus Fernandes, Ricardo Horta e Pedro Gonçalves (este sem apresentar índices de 100% a nível físico), quase todos voltariam agora a ter uma oportunidade no segundo e último encontro particular de Portugal nesta janela de seleção, neste caso em Atlanta frente aos EUA.
36 anos depois, ???????? Portugal volta a vencer os ???????? Estados Unidos
⚠ A última vitória de Portugal frente à seleção norte americana tinha sido em 1990: 1-0 num jogo de preparação realizado em casa pic.twitter.com/pmzuADb4uJ
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“Estamos muito satisfeitos com o que o estágio está a dar. Fazer sete substituições ao intervalo é um desafio importante para poder mostrar a qualidade individual dentro do coletivo. Fizemos isso muito bem. Há muitos aspetos importantes ajustar: precisamos de chegar com mais jogadores, afinar muito bem a última decisão… Mas fiquei muito satisfeito com tudo o que vimos. Os nossos jogadores mostraram personalidade, responsabilidade e executaram o trabalho muito bem. Agora é continuar e ajustar melhor alguns aspetos. Estamos focados em tentar utilizar o estágio o melhor possível. O nosso foco não é ganhar ao México ou aos EUA, é tentar preparar o Mundial e a nossa escolha final de jogadores. Queremos ganhar mas o foco agora não é esse”, destacou o técnico espanhol, numa primeira antevisão feita apenas para jornalistas portugueses.
“O foco do estágio é ganhar? Não, o foco é o jogador, o mérito do jogador de poder vestir a camisola de Portugal. Agora é importante ter um estágio onde a preparação para o Mundial seja perfeita. Treinámos ao nível do mar, jogámos na altitude contra uma equipa como o México e agora vamos defrontar uma equipa diferente num estádio fechado. Os aspetos da preparação são importantes, criar a complexidade que o torneio vai ter mas o foco é o desempenho do jogador. Acredito muito em todos. Se pudesse, todos teriam mais minutos. Este não é o momento de correr riscos mas sim de experimentar, procurar soluções e poder escolher a melhor lista para o Mundial. Mas sempre que um jogador veste a camisola de Portugal é para ganhar”, disse depois numa conferência com toda a imprensa, relativizando a goleada sofrida pelos EUA com a Bélgica e voltando a secundarizar a questão do resultado face a outros objetivos traçados para março.
???????? Portugal completou 2 jogos sem golos sofridos, depois de 3 jogos sempre a sofrer – total de 5 golos sofridos nesse período
⚠ 2 jogos sem sofrer golos: Portugal não apresentava este registo desde o Euro 2024, quando empatou 0-0 frente à Eslovénia e diante da França pic.twitter.com/KVIyuUMvT7
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Roberto Martinez iguala igualou António Oliveira e Paulo Bento no 3.º lugar dos treinadores com + vitórias pela Seleção ????????
Treinadores com + triunfos por ????????:
67 Fernando Santos (109J)
42 Scolari (74J)
26 António Oliveira (44J)
26 Paulo Bento (47J)
26 Roberto Martinez (38J)⬆ pic.twitter.com/lM7a3sP1Zd— Playmaker (@playmaker_PT) April 1, 2026
Era neste contexto que chegava o segundo particular de Portugal, com opções muito assentes naquilo que eram os indicadores físicos dados pelos jogadores nas poucas sessões que o grupo teve entre um e outro jogo. José Sá estava confirmado como titular depois de Rui Silva ter sido o número 1 no México, Gonçalo Guedes e Pedro Gonçalves levantavam dúvidas no plano físico, outros elementos poderiam ser poupados após fazerem quase o jogo todo no Estádio Azteca. Foi isso que aconteceu. Olhando para o jogo, teve o ponto comum com o da Cidade do México de trazer uma versão melhor na segunda parte depois de várias alterações ao intervalo. No entanto, e ao contrário do que aconteceu no nulo anterior em que as características de Vitinha mexeram com a partida, agora houve um elo que potenciou o melhor de Portugal: Bruno Fernandes.
Este ângulo. ????️????????️#VaiDarPortugal | #USAPOR pic.twitter.com/vdk4WUGEin
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???? ????????????????????????. ????????#VaiDarPortugal | #USAPOR pic.twitter.com/aaYBgRIKSN
— Portugal (@selecaoportugal) April 1, 2026
Duas assistências ???? para Bruno Fernandes esta noite ✨8️⃣ #VaiDarPortugal | @B_Fernandes8 pic.twitter.com/3tG3kQIquY
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Assistiu Trincão, assistiu João Félix, tinha estado perto de marcar, esteve em todas as melhores jogadas de Portugal. Quando tanto se fala da importância de nomes como Ronaldo, o médio que foi capitão nos dois jogos desta paragem mostrou que tem valências que o tornam imprescindível na Seleção a vários níveis. E, entre várias dúvidas que vão permanecer na cabeça de Roberto Martínez depois destes dois jogos de preparação tendo em vista a lista final para o Campeonato do Mundo, essa foi a maior certeza que sobrou.
Bruno Fernandes fez a 24.ª assistências pela Seleção ???????? – ultrapassou Rui Costa e Nani
+ assistências pela Seleção ???????? (desde 1993):
39 Figo
35 Cristiano Ronaldo
25 Bernardo Silva
24 João Moutinho
24 Bruno Fernandes ⬆
23 Rui Costa
23 Nani pic.twitter.com/WRU7Un1imI— Playmaker (@playmaker_PT) April 1, 2026
Ficha de jogo
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EUA-Portugal, 0-2
Jogo particular
Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta (EUA)
Árbitro: Sven Jablonski (Alemanha)
EUA: Matt Freese; Trusty (Mark McKenzie, 90+1′), Alex Freeman (Reyna, 79′), Richards, Robinson (Tessman, 46′); Sebastien Berhalter (Aaronson, 79′), Morris (Roldan, 79′), Weston McKennie (Agyemang, 46′); Tillman (Joe Scally, 67′), Timothy Weah (Balogun, 67′) e Pulisic (Max Arfsten, 46′)
Suplentes não utilizados: Matt Turner, Chris Brady, Patrick Schulte, Ricardo Pepi e Tim Ream
Treinador: Mauricio Pochettino
Portugal: José Sá (Ricardo Velho, 85′); Diogo Dalot (Matheus Nunes, 46′), Tomás Araújo (António Silva, 46′), Gonçalo Inácio (Renato Veiga, 70′), João Cancelo (Nuno Mendes, 46′); Samu Costa (Rúben Neves, 46′), Vitinha (Ricardo Horta, 46′); Francisco Trincão (Francisco Conceição, 46′), Bruno Fernandes (Mateus Fernandes, 85′), Pedro Neto (João Félix, 46′) e Gonçalo Ramos (Paulinho, 61′)
Suplentes não utilizados: Rui Silva, João Neves, Gonçalo Guedes e Pedro Gonçalves
Treinador: Roberto Martínez
Golos: Francisco Trincão (37′) e João Félix (59′)
Ação disciplinar: cartão amarelo a João Cancelo (34′) e Pulisic (45+3′)
O encontro começou com uma faceta mais atípica de Portugal, que entre uma má saída de José Sá e dois passes errados de Gonçalo Inácio no primeiro terço viu os EUA criarem perigo logo no segundo minuto num remate de Tillman travado pelo guarda-redes do Wolverhampton, antes de mais um lance em que Pulisic viu uma tentativa na área travada por Vitinha para canto (6′). Bruno Fernandes ainda tentou responder, com uma boa desmarcação com um remate de primeira travado com uma grande defesa de Matt Freese para canto (8′), mas nem por isso Portugal conseguia resolver os principais problemas: bloqueio do jogo central, pressão alta dos norte-americanos que conseguia quebrar ligação entre setores, pouco jogo na largura em velocidade, previsibilidade no ataque organizado com jogadores demasiado estáticos nas suas posições. Bruno Fernandes era o mais inconformado, Vitinha distribuía bem jogo e pouco mais do que isso.
Grande defesa de Freese a negar o primeiro a Bruno Fernandes ????#sporttvportugal #FUTEBOLnaSPORTTV #JogodePreparação #EUA #Portugal pic.twitter.com/PlTquPl4Dd
— sport tv (@sporttvportugal) March 31, 2026
⏱️ 25 mins
???????? USA 0 – 0 Portugal ????????◉ 4-2 em remates a favor dos norte-americanos e o melhor rating é de José Sá, com 2 defesas#USAPOR pic.twitter.com/TPlTcQwaS1
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Entre os momentos em que o jogo roçava a fasquia do tédio e algumas saídas dos EUA que podiam criar outro tipo de perigos com uma melhor definição no último terço, o grande momento da primeira parte foi mesmo o único golo nos 45 minutos iniciais. Pulisic tinha acabado de fazer mais um remate com perigo que passou ao lado do poste da baliza de José Sá (35′) mas, na sequência de uma recuperação de Vitinha a meio-campo, Bruno Fernandes recebeu entre os centrais contrários o passe do médio do PSG, assistiu de calcanhar para a entrada de Francisco Trincão e o avançado do Sporting rematou de pé esquerdo em arco ao poste contrário para o 1-0 (37′). A confiança em posse aumentou com essa vantagem mas nem por isso a qualidade coletiva global aumentou, com Portugal a terminar por cima mas mais pela capacidade de ir gerindo os momentos do jogo do que propriamente por aquilo que conseguia fazer em termos ofensivos.
Trincão faz o primeiro ????
Assistência preciosa de Bruno Fernandes e Trincão finaliza com classe????#sporttvportugal #FUTEBOLnaSPORTTV #JogodePreparação #EUA #Portugal pic.twitter.com/QovI4flpkL
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3.º ⚽ golo de Francisco Trincão pela Seleção ????????: há pouco mais de um ano bisou frente à Dinamarca, nos quartos de final da UEFA Nations League
⚠ Trincão marca pela 1.ª vez na condição de titular ao serviço da Seleção pic.twitter.com/8CadEGxBXc
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⚽️ INTERVALO ????
???????? USA 0 – 1 Portugal ????????◉ Momento de inspiração repartido entre Vitinha, Bruno Fernandes e Trincão vai fazendo a diferença no marcador e mascarando mais uma 1ª parte "cinzenta" da selecção, cujos ratings até são liderados por Tomás Araújo (6.6), muito à custa… pic.twitter.com/orvqMntx4n
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A segunda parte seria sempre uma “caixinha de surpresas” perante as sete alterações que Roberto Martínez promoveu ao intervalo, fazendo entrar Matheus Nunes, António Silva, Nuno Mendes, Rúben Neves, Ricardo Horta, Francisco Conceição e João Félix para os lugares de Diogo Dalot, Tomás Araújo, João Cancelo, Samu Costa, Vitinha, Francisco Trincão e Pedro Neto. Aqui, foi melhor. Os EUA ainda tiveram mais um remate enquadrado por Arfsten para defesa de José Sá mas Portugal estava melhor. Mais confiante, com outra personalidade com bola a sair para o ataque, a ocupar de outra forma os espaços na reação à perda, bem mais “solto”. João Félix aumentou a vantagem na sequência de um canto trabalhado com mais uma assistência fantástica de Bruno Fernandes (59′), Rúben Neves teve um remate de meia distância para defesa de Freese (64′), Ricardo Horta atirou por cima num lance de potencial perigo que nasceu de um lançamento lateral (67′). A desenvoltura era outra, os setores estavam mais ligados, Nuno Mendes e Félix aceleravam ações.
João Félix na gaveta ????
Mais uma assistência de Bruno Fernandes ????♂️#sporttvportugal #FUTEBOLnaSPORTTV #JogodePreparação #EUA #Portugal pic.twitter.com/DtaM7cDx0P
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12.º ⚽ golo de João Félix pela Seleção ????????: o último tinha sido apontado em setembro, frente à Arménia – bisou nesse jogo
⚠ 3.ª vez que João Félix marca como suplente utilizado ao serviço da Seleção ????????:
2020 Andorra
2023 Luxemburgo
2026 Estados Unidos pic.twitter.com/cmLLIdq0DL— Playmaker (@playmaker_PT) April 1, 2026
4.ª vez que Bruno Fernandes faz 2 + assistências num jogo pela Seleção ????????:
2022 Gana
2023 Luxemburgo
2023 Eslováquia
2026 Estados Unidos ???? pic.twitter.com/QFLXVSKufm— Playmaker (@playmaker_PT) April 1, 2026
Pochettino ia tentando rodar alguns jogadores na frente para aumentar a velocidade e a capacidade de estar a pressionar mais alto mas Portugal estava de vez dono e senhor do jogo, tendo mais um remate com perigo de João Félix agora de pé esquerdo que saiu ao lado (75′). Os próprios movimentos de Matheus Nunes em posse, procurando ocupar zonas mais centrais com António Silva um pouco mais aberto na direita para equilibrar os posicionamentos, permitiam que a Seleção construísse de outra forma os seus ataques, mesmo com uma tendência decrescente de qualidade com o avançar dos minutos. Ainda assim, havia ainda margem para algo não muito habitual na era Martínez mas que acabou de novo por ser “invertido”: apesar de ser apenas a primeira convocatória, e à semelhança do que acontecera apenas com Carlos Forbs, Mateus Fernandes teve a hipótese de fazer a estreia como internacional A tal como Ricardo Velho, que rendeu José Sá na baliza.
Aos 21 anos, Mateus Fernandes estreia-se pela Seleção A ????????:
➡ 39 jogos pelas seleções jovens (Sub 18, Sub 19, Sub 20 e Sub 21)
➡ Esteve no último Europeu Sub 21
➡ Esta época: 34 jogos (4 pelo Southampton, 30 pelos West Ham), 4 golos, 4 assistências pic.twitter.com/Zpy9jcI9Gi— Playmaker (@playmaker_PT) April 1, 2026
Aos 27 anos, Ricardo Velho faz a estreia absoluta pela Seleção ???????? – nunca tinha, sequer, representado as seleções jovens
⚠ Esta época, Ricardo Velho já realizou 20 jogos (3 pelo Farense e 17 pelo Gençlerbirligi pic.twitter.com/KzS9ifEcPw
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Estreias promovidas por Roberto Martinez na Seleção ????????:
Gonçalo Inácio
Toti Gomes
João Mário
José Sá
João Neves
Francisco Conceição
Jota Silva
Samuel Costa
Renato Veiga
Nuno Tavares
Tiago Djaló
Fábio Silva
Tomás Araújo
Carlos Forbs
Ricardo Velho????
Mateus Fernandes ???? pic.twitter.com/WixqHtXkxo— Playmaker (@playmaker_PT) April 1, 2026
⚽️ FINAL ✅
???????? USA 0 – 2 Portugal ????????◉ Triunfo lusitano na terra do "Uncle Sam", numa exibição (ligeiramente) melhor do que sucedeu no México, sobretudo na segunda parte mas ainda longe do melhor que Portugal é capaz
◉ JOÃO FÉLIX ???????? entrou na segunda parte, marcou e fez bem… pic.twitter.com/X5G0pJHSQi
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