A Associação de Dinamização da Baixa Pombalina (ADBP) alerta para “o agravamento da situação de insegurança na Baixa-Chiado”, em Lisboa, devido ao aumento de assaltos, defendendo a instalação urgente de videovigilância, anunciada há 20 anos e por concretizar.
“Nas últimas semanas temos, eu diria, quase à volta de uma dezena [de situações reportadas], entre vandalismo, tentativas de assalto, consumo de droga na via pública“, afirmou Vasco de Mello, vice-presidente da ADBP.
Em declarações esta sexta-feira à Lusa, o empresário apontou o exemplo do assalto na ourivesaria Dólar, na tarde de terça-feira, em que um homem partiu a montra e levou peças de joalharia, incluindo três relógios de marca Rolex e um fio em ouro, fugindo numa trotineta, roubando “em 30 segundos” mais de “40 mil euros”.
“É um problema que vem […] principalmente da zona da Mouraria, e que depois desce para o Martim Moniz, e que agora já começa a descer na […] Praça da Figueira e zonas limítrofes, como ali o Largo de São Domingos e a Travessa Nova de São Domingos”, apontou Vasco de Mello, acrescentando ter notícias de “dois ou três assaltos também na zona do Chiado”.
Segundo o dirigente da ADBP, a insegurança na freguesia de Santa Maria Maior é sentida “por razões conhecidas” na Mouraria, devido a “uma forte presença do tráfico de drogas nessa zona”, que se tem deslocado para a Baixa-Chiado, com particular agravamento no Martim Moniz.
Contudo, acrescentou, a situação tem-se agravado “numa perspetiva muito rápida”, causando “alguma preocupação e algum alarme”, sendo “inconcebível” que “uma capital europeia” como Lisboa não tenha “sistemas de CCTV [na sigla em inglês de Circuito Fechado de Televisão] espalhados” pela cidade.
“Há um projeto de vídeoproteção, que já tem quase 20 anos e, em 20 anos, ainda não conseguimos implementar um sistema de CCTV na cidade de Lisboa, e nomeadamente nesta zona, o que é uma coisa, eu diria, um pouco estranha”, salientou.
Ainda de acordo com Vasco de Mello, a Câmara de Lisboa tem justificado que o projeto “está agora preso no Governo”.
Entretanto, a associação tinha pedido “uma audiência à anterior ministra da Administração Interna”, que não teve resposta, e perante a nomeação do novo ministro tenciona fazer “novo pedido”.
O projeto de videovigilância começou “a ser desenhado desde o primeiro mandato” de António Costa (PS), e o atual presidente da autarquia, Carlos Moedas (PSD), no segundo mandato, anunciou que pediu ao Ministério da Administração Interna (MAI) videoproteção em mais zonas, como Martim Moniz, Mouraria, Arroios, São Domingos de Benfica e Avenida da Liberdade.
Lisboa tem, atualmente, 64 câmaras de videovigilância no Bairro Alto, Miradouro de Santa Catarina e Cais do Sodré, e o plano em curso contempla um total de cerca de 250 câmaras.
Vasco de Mello alertou ainda para a existência de “outra pequena criminalidade, que afeta a boa vivência da cidade” e as atividades económicas, “que é a questão da venda de produtos contrafeitos, a venda ambulante“.
“Parece que há uma liberdade total, nessa atividade, muitas vezes descaradamente em frente a estabelecimentos que vendem os mesmos produtos, mas produtos que não são contrafeitos”, com “enorme prejuízo” para quem “tem que pagar” impostos, “salários aos seus trabalhadores e outras despesas”, referiu.
Em comunicado, a ADPB alertou para “uma incidência preocupante de assaltos, com níveis de frequência e intensidade que suscitam crescente apreensão entre comerciantes, empresários e todos os que vivem ou trabalham nesta zona histórica da cidade”.
Salientando que não se “não compreende os sucessivos atrasos” no processo de videovigilância na zona da Baixa-Chiado, quando “está amplamente demonstrado o efeito dissuasor que este tipo de sistema tem tido noutras zonas da cidade”, a associação defendeu “uma atuação determinada e articulada” entre a autarquia e MAI.
O vice-presidente da ADPB notou que a associação tem dialogado com a PSP, a Polícia Municipal e a câmara, vendo “uma forte impotência” e “passividade por parte destas autoridades”.
“Esta sensação de impunidade pode levar a que, a certo ponto, as pessoas sintam-se com vontade de fazer a justiça pelas suas próprias mãos”, pois quando “não veem uma atuação por parte, quer do poder político, quer do poder policial, quer por parte do poder judicial”, a “certa altura, vão ter que fazer alguma coisa”, alertou.
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