O regime muda em dezembro deste ano e faz parte do projeto de lei anual da política de Defesa dos EUA que o Congresso aprovou no final de 2025: os jovens, de sexo masculino, norte-americanos vão passar a ficar automaticamente inscritos no serviço militar, pondo fim a décadas de auto-registo no prazo de 30 dias após complementarem 18 anos.
O registo automático já acontece em alguns estados e territórios nos Estados Unidos, mas o Sistema de Serviço Seletivo (agência governamental) submeteu a proposta para o Gabinete de Informação e Assuntos Regulamentares com o objetivo de implementar a prática em todo o país, segundo a CNN. No site oficial, explica-se que a mudança “transfere a responsabilidade pelo registo de indivíduos para o SSS”, através da integração com outras bases de dados federais, o que tornará o processo “mais simples”.
Os defensores da medida defendem ainda que o registo automático pode fazer com que o governo norte-americano poupe milhões de dólares, gastos anualmente em lembretes aos jovens elegíveis, entre os 18 e os 26 anos, sobre a obrigatoriedade do registo.
Nos Estados Unidos, a maioria dos homens já é obrigada a registar-se. Não cumprir esta obrigação é crime e pode, em teoria, levar a uma pena até cinco anos numa prisão federal e uma multa até 250 mil dólares (aproximadamente 213 mil euros), segundo a CNN. Apesar destas regras, a adesão desceu para 81% em 2024, de acordo com os dados do governo.
Em alguns estados, como Arizona, Delaware e Washington, aqueles que são elegíveis para cumprir serviço militar são automaticamente inscritos quando solicitam a carta de condução ou outro documento de identificação estatal. Em Nova Iorque, o formulário de pedido para a carta de condução inclui uma secção que permite aos homens elegíveis inscreverem-se.
A medida tem gerado receios entre alguns norte-americanos de que os EUA possam estar a caminhar para o regresso do serviço militar obrigatório, caso o conflito com o Irão se intensifique ou surja uma nova crise no futuro.
No início de março, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, respondeu diretamente a uma pergunta sobre o serviço militar obrigatório e a possibilidade de tropas norte-americanas em solo iraniano. “Não faz parte do plano atual, mas o Presidente, mais uma vez, mantém sabiamente as suas opções em aberto“, admitiu Leavitt, citada pela BBC. “Não há maior prioridade ou responsabilidade para este Presidente do que, claro, proteger o povo norte-americano e proteger as nossas tropas”.
O serviço militar obrigatório em tempo de guerra foi implementado pelo governo dos EUA seis vezes na história do país, a última vez durante a Guerra do Vietname, em 1973, após anos de forte oposição política. O Presidente Jimmy Carter reativou em 1980 o sistema que obriga os jovens a registarem-se para poderem ser chamados para o exército, se necessário.
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