A Comissão Nacional do PS reúne-se às 10h30 do próximo domingo, dia 19 de abril, no hotel Altis em Lisboa, para eleger os órgãos de direção política do partido, depois do Congresso realizado em Viseu no final de março. Na convocatória enviada pelo presidente do partido, consta ainda que na sua intervenção inicial, o líder José Luís Carneiro vai fazer uma “evocação do aniversário do PS”, que nesse dia completa 53 anos.
Depois da reeleição de Carneiro, em eleições diretas, e do congresso, que elegeu a Comissão Nacional do PS, o partido ficou de se reunir para votar a proposta do líder para os novos Secretariado (direção) e Comissão Política. José Luís Carneiro tem mostrado há meses a vontade de integrar nomes que não alinham com a sua liderança, como Duarte Cordeiro ou Fernando Medina, na Comissão Política do partido, o principal órgão de direção política entre reuniões da Comissão Nacional. É na Comissão Política que se discute e delibera a estratégia política corrente do partido, como por exemplo o sentido de voto nos orçamento do Estado.
O Secretariado Nacional, por sua vez, é o órgão executivo do PS, responsável por executar as decisões dos órgãos nacionais do partido e também para dar apoio ao secretário-geral. É o núcleo duro do líder, concentrando dirigentes de confiança com pelouros setoriais. Depois de, no verão passado, ter tentado um equilíbrio entre as eras imediatamente anteriores do PS e o seu novo tempo, Carneiro teve, desta vez, algumas baixas relevantes, com figuras como Francisco Assis, Sérgio Sousa Pinto ou Ana Catarina Mendes indisponíveis para continuar na direção.
Durante o Congresso, numa entrevista ao Observador, Francisco Assis já tinha dito que não fazia “questão nenhuma de continuar a desempenhar funções no Secretariado do PS: Estou totalmente indisponível para exercer funções executivas no Secretariado do PS. Não voltarei a ter. Já manifestei essa intenção a José Luís Carneiro”, revelou logo na altura.
Também numa entrevista ao Observador, a eurodeputada Ana Catarina Mendes tinha dado um sinal no mesmo sentido quando afirmou que, há um ano, quando aceitou integrar o Secretariado, considerou que “era importante que todos pudessem contribuir para que o PS, na oposição, se pudesse reerguer. Na altura tínhamos o combate autárquico muito próximo e julgo que fiz bem: era necessário que todos estivéssemos juntos neste momento”. Passados nove meses, essa fase foi dada por concluída e a dirigente considera que o seu contributo no núcleo executivo deve agora cessar, não estando disponível para continuar no Secretariado Nacional.
Além da eleição destes dois órgãos — que serão eleitos numa votação por sistema digital no telemóvel, durante a manhã –, o PS vai ainda eleger, nessa mesma reunião, os diretores dos órgãos de imprensa oficial do partido (Ação Socialistas e Portugal Socialista), apreciar e votar o regulamento para as eleições dos presidentes das federações do partido e também analisar a data para a realização das eleições das Comissões Políticas Concelhias, Secções e Estruturas Concelhias das Mulheres Socialistas (MS-ID). Da extensa agenda faz ainda parte um ponto para a “análise da situação política”, numa altura em que o Governo está negociar alterações à legislação laboral, que prosseguem apesar do chumbo da UGT (central sindical próxima do PS) ter votado contra a proposta entregue pelo Executivo no final de março.