O Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) veio esta quinta-feira denunciar que 23 cirurgiões gerais do Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto entregaram “declarações formais de exercício sob reserva técnica, alertando para a ausência de condições que garantam cuidados diferenciados fora do seu âmbito de competência”.

Num comunicado divulgado esta manhã, o sindicato indica que “os cirurgiões que integram as equipas de urgência/permanência alertam que estão a ser chamados a assegurar situações clínicas altamente especializadas — nomeadamente de Urologia e Otorrinolaringologia — sem cobertura destas especialidades durante a noite, fins de semana e feriados”.

Os médicos sublinham que a sua atuação “está limitada à sua área de competência, não podendo assumir responsabilidade por falhas organizativas que coloquem em causa a qualidade dos cuidados de saúde”. Em causa, alertam, “está a segurança dos doentes oncológicos e o cumprimento das boas práticas médicas”. As escusas terão sido também remetidas à Ordem dos Médicos.

A estrutura sindical demanda uma “resposta urgente” do Conselho de Administração do IPO do Porto, da Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde (DE-SNS), do Ministério da Saúde e da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS).

IPO Porto. Sindicato dos Médicos do Norte alerta para a necessidade de reorganizar as escalas para evitar riscos para os doentes

Conselho de Administração do IPO responde lembrando que “nenhum hospital do SNS dispõe de todas as especialidades médicas em permanência contínua”

Em resposta, o Conselho de Administração (CA) do IPO do Porto emitiu ao final da manhã desta quinta-feira um comunicado. Recorda que “nenhum hospital do SNS dispõe de todas as especialidades médicas em permanência contínua” e que “a organização de cuidados urgentes funciona em rede, por decisão da própria tutela”.

“Na Área Metropolitana do Porto, a urgência das especialidades de Urologia e de Otorrinolaringologia está concentrada no Hospital de São João. Este modelo aplica-se a todos os hospitais da região, e o IPO Porto não constitui qualquer exceção. Aliás, os médicos do IPO Porto integram a própria urgência metropolitana em especialidades como Urologia, Gastroenterologia e ORL”, nota, sublinhando ainda que “este esquema de funcionamento não é recente: está em vigor no IPO Porto desde sempre, e nunca colocou em causa a segurança dos doentes”.

Diz também que “é falso que, à data, se tenha recebido escusa de responsabilidade por parte de médicoscirurgiões, mas sim declaração de exercício sob reserva técnica”. E acusa: “Apesar deste assunto ter sido esclarecido em reunião presencial com o SMN, a Instituição lamenta a incitação e disseminação, por parte dessa organização sindical, de informação incorreta e alarmista, gerando preocupação desnecessária nos doentes oncológicos e nas suas famílias”.

Ao Observador, a presidente do SMN, Joana Bordalo e Sá, respondeu que o “exercício sob reserva técnica é, na prática uma escusa de responsabilidade”.