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Está em direto connosco neste jornal Joana Bordalo e Sá. É presidente do Sindicato dos Médicos do Norte, vice-presidente da FNAM. Bom dia, Joana Bordalo e Sá e obrigada por estar connosco. O comunicado fala de uma situação que se deve a falhas organizativas. Pode explicar-nos que falhas são estas, ao certo?

Muito bom dia. O Sindicato Médico do Norte recebeu estas 23 escusas dos cirurgiões gerais, são médicos especialistas em cirurgia geral, porque eles estão a ser chamados a assegurar doentes de outras especialidades. Nós estamos a falar de doentes operados pela urologia ou pela otorrinolaringologia. E um cirurgião geral não é um urologista nem um otorrinolaringologista. São áreas totalmente distintas, com competências próprias e diferenciadas. E, por exemplo, quando um doente é operado pela urologia, se surgir uma complicação, deve ter acesso a cuidados dessa especialidade e não pela cirurgia geral, que não tem essa competência. Aliás, como acontece nos outros hospitais. Um doente operado por estas especialidades tem acesso aos médicos da mesma especialidade. E o que estes cirurgiões nos disseram, de forma responsável, é que não podem continuar a assumir doentes que não são da sua área de especialização, sobretudo em contexto de urgência e sem apoio às respectivas especialidades. Isto não é uma recusa de trabalho, é uma questão de segurança clínica e de respeito pelas boas práticas médicas. E perante esta situação, estas escusas que chegaram ao nosso sindicato e também chegaram à Ordem dos Médicos, nós questionámos agora o conselho de administração, aguardamos uma resposta, assim como participámos e fazemos um apelo ao Ministério da Saúde, à direção executiva e à própria IFAS, que tomem medidas, porque de facto está aqui em causa a segurança dos doentes.

E essas medidas passarão concretamente por quê, Joana Bordalo e Sá, pela contratação de mais profissionais? É por isso que estes médicos estão a fazer um trabalho que não corresponde à sua área de especialização?

Acima de tudo, o que é preciso é organizar o trabalho de forma diferente, porque não há médicos urologistas nem de otorrinolaringologia de apoio no período da noite, noturno, nem ao fim de semana e aos feriados. E há noutras áreas, por exemplo, na neurocirurgia, na cirurgia torácica, há médicos que não estão na instituição em presença física, mas estão de prevenção. Ou seja, se acontecer alguma coisa a doentes destas áreas, estes médicos deslocam-se à instituição para dar apoio e resolver a situação. E nestas duas áreas, de urologia e de otorrinolaringologia, que são áreas ultradiferenciadas, e agora há também técnicas novas, em que os doentes começam a ser também operados pela robótica. Ou seja, são áreas mesmo muito especializadas e, portanto, há que garantir que também médicos destas duas especialidades consigam dar apoio à noite, ao fim de semana e aos feriados. Tem que haver aqui uma reorganização também do trabalho. E para isso é preciso haver vontade do Conselho de Administração em solucionar isto, para bem do doente oncológico. E é este também aqui o nosso apelo.

Joana Bordalo e Sá, muito obrigada por ter estado connosco em direto a explicar-nos as razões para este pedido de escusa por parte destes médicos cirurgiões. São 23. A Rádio Observador também já contactou o IPO do Porto e o Ministério da Saúde. Aguardamos resposta.