Foram mais de 90 minutos épicos, impressionantes e memoráveis que vão ficar para sempre nas páginas da história do Sp. Braga. Depois do empate na primeira mão na Pedreira, os minhotos chegaram a estar a perder em Sevilha por dois golos antes de assinarem uma reviravolta inesperada e eliminarem o Betis. 15 anos depois, o clube está nas meias-finais da Liga Europa pela segunda vez.

Há batalhas que só mesmo os guerreiros conseguem vencer: Sp. Braga goleia Betis e está nas meias-finais da Liga Europa

Os minhotos regressam assim a esta fase da competição europeia depois de lá terem estado em 2010/11, onde acabaram por eliminar o Benfica antes de perderem com o FC Porto na final de Dublin. Ainda assim, esta foi já a segunda vez em que o Sp. Braga acabou por conseguir ganhar um jogo europeu depois de estar a perder por dois golos de diferença, já que tinha feito exatamente o mesmo na Liga dos Campeões de 2023/24 e contra o Union Berlim.

Depois do apito final, Vitor Carvalho, que marcou o segundo dos quatro golos dos minhotos em Sevilha, vincou o “jogo incrível” da equipa. “Nunca deixámos de acreditar, corremos atrás do resultado, que era adverso no início da partida. Lutamos até ao fim e conseguimos a vitória. Sabíamos que eles iam entrar muito fortes, empurrados pelos adeptos, com o estádio cheio. O mister deu-nos boas indicações e conseguimos corrigir no intervalo. Nós sempre acreditámos que poderíamos fazer grandes coisas. Sabíamos que os nossos duelos eram difíceis, que o sorteio tinha sido complicado e foi, mas conseguimos ser guerreiros para conseguir passar. Demonstrámos o nosso futebol e agora temos de acreditar. Passámos às meias-finais e vamos lutar ao máximo”, atirou o jovem médio.

Já Carlos Vicens, que teve a capacidade de recuperar uma equipa que parecia perdida ao intervalo, deixou um enorme elogio ao grupo. “Falámos muito da personalidade que precisaríamos de ter. Colocar muita gente por dentro, procurar o homem livre… E acabámos por sofrer dois golos muito cedo. A partir daí, é verdade que nos custou, é difícil encontrar-nos nessa altura. Mas a equipa conseguiu sobreviver a esse momento. Reencontrou-se no jogo, no ritmo, e conseguimos aproximações. Ao intervalo disse que isto era uma oportunidade única, que estávamos a apenas a um golo e que tínhamos armas para causar dano, tínhamos de querer. E essa crença e essa fé no nosso trabalho trouxe oportunidades e golos”, defendeu o treinador catalão.

Já Ricardo Horta, capitão de equipa, mostrou-se “muito orgulhoso”. “Sabíamos da dificuldade do jogo e sabíamos que tínhamos de ter um jogo personalizado e não o fizemos na primeira parte. Acho que a primeira parte não foi o jogo do Sp. Braga, mas ao intervalo falámos e sabíamos que era uma oportunidade única para chegar às meias-finais. A resposta foi incrível, a equipa merece muito estar nesta posição e tenho muito orgulho nesta equipa”, indicou o internacional português, antecipando desde logo as meias-finais contra o Friburgo, que afastou o Celta Vigo.

Entretanto, através da rede social X, também António Salvador reagiu ao feito do Sp. Braga. “Isto é o Sporting Clube de Braga. Que noite histórica! Mostrámos à Europa aquilo que sempre soubemos: somos feitos de coragem e muito trabalho. Obrigado aos jogadores, à equipa técnica, ao staff e a todos os que neste clube acreditaram que esta caminhada tinha de continuar. Aos mais de 2.000 adeptos que estiveram em Sevilha, que fizeram ouvir-se do primeiro ao último minuto, e a todos os nossos sócios e adeptos: é para vocês que estes dias existem! Os sócios trouxeram-nos até aqui, é por eles e com eles que seguimos. O sonho está mais vivo do que nunca”, escreveu o presidente dos minhotos.

[Depois de assassinar Carlos Castro, Renato Seabra vai passar 95 dias numa ala psiquiátrica. É lá que diz ter agido como um instrumento de Deus e ser “Jesus Cristo”. “Os ficheiros do caso Carlos Castro”, o novo Podcast Plus do Observador, conta os bastidores nunca revelados da investigação a um crime brutal. Uma série em seis episódios, narrada pela atriz Joana Santos, com banda sonora original de Júlio Resende. Pode ouvir aqui o segundo episódio, no site do Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir aqui o primeiro episódio]