Este podia ser um jogo comum de Bundesliga, mas esteve longe de o ser. Como habitual, o início da tarde de sábado é reservado ao que o melhor do futebol germânico tem para oferecer. Este sábado não foi exceção, mas havia um grande denominador que tornou um Union Berlim-Wolfsburgo num jogo especial: Marie-Louise Eta. Aos 34 anos, a treinadora assumiu o comando técnico da equipa da capital e tornou-se na primeira mulher a treinar uma equipa masculina nas cinco principais ligas da UEFA. Apesar do fator histórico, Eta já tinha trabalhado como adjunta e treinadora da equipa de Sub-19 do Union Berlim e, após a saída de Steffen Baumgart, foi a escolhido pelos dirigentes dos eisernen, embora deva assumir o comando da equipa feminina na próxima temporada.
A militar no 11.º lugar do Campeonato alemão com 32 pontos, a situação do Union Berlim até podia ser de tranquilidade… à primeira vista. Apesar de ter 11 pontos de vantagem para os lugares de despromoção direta, os eisernen chegaram à jornada deste sábado frente ao 17.º classificado com apenas duas vitórias na Bundesliga em 2026, numa altura em que faltavam apenas cinco jogos para o fim do campeonato. Desta forma, Marie-Louise Eta tem a missão de salvar o clube da hipotética situação difícil que se avizinhava na reta final da competição.
Para lá das imagens que foram publicadas pelo Union Berlim das sessões de treino que antecederam a receção ao Wolfsburgo, a primeira aparição pública de Eta como treinadora principal aconteceu na quinta-feira, na conferência de imprensa de antevisão ao jogo. A sala de imprensa dos eisernen revelou-se pequena para receber os quase 50 jornalistas e as 15 câmaras de televisão, mas a técnica de 34 anos mostrou-se à altura do acontecimento, apresentando uma postura segura e descontraída.
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“No sábado à noite estava em casa a preparar-me para o jogo dos Sub-19. Inicialmente fiquei surpreendida, mas também contente pela confiança depositada em mim. As coisas avançaram relativamente depressa. O Union é um clube excecional. Não importa se se treina os Sub-19, a equipa feminina ou a equipa principal. É um clube brilhante e estou muito feliz e grata por trabalhar aqui. Não sou a primeira mulher a envolver-me no futebol em geral. Na nossa equipa técnica, basta pensar na Susi Koplin. Temos tantas mulheres no clube. Portanto, não é como se isto nunca tivesse tido importância. Também houve treinadoras antes de mim. Temos agora a Sabrina Wittmann, atualmente treinadora principal do Ingolstadt. Houve muitas treinadoras antes dela, como a Imke Wübbenhorst e a Corinne Diacre. Seria maravilhoso se, a dada altura, estas questões simplesmente deixassem de existir, se o problema deixasse de existir, e se, a dada altura, tudo se resumisse apenas ao desporto”, assumiu a treinadora.
Por entre os comentários sexistas que tiveram resposta do clube, Vincent Kompany, treinador do líder Bayern Munique, colocou-se ao lado de Eta. “Estou mesmo muito satisfeito com a contratação da Eta. Acredito que estes são momentos-chave. É fácil desvalorizar e dizer que é apenas mais uma treinadora, como qualquer outra. É assim que deve ser tratada enquanto colega. Mas, no fundo, é algo realmente especial. Abre muitas oportunidades para as meninas que agora jogam futebol e pensam: ‘Posso treinar em qualquer lado, construir uma carreira e ter sucesso’. Estas histórias são mesmo importantes. Desejo-lhe tudo de bom e a única parte em que espero que não seja tratada como um homem é na paciência, porque no futebol falta paciência ao nível da liderança”, partilhou o antigo central.
O momento em que Marie-Louise Eta é anunciada como a 1ª mulher treinadora da história da Bundesliga ❤️
???? No cartaz pode ler-se "Marie-Louise Eta – Deusa do Futebol"#DAZNBundesliga pic.twitter.com/FGoSigG7YQ
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No Estádio An der Alten Försterei, o início da tarde foi de festa, com Marie-Louise Eta a ser bastante saudada pelos adeptos do seu clube, que até exibiram cartazes de apoio à treinadora — um desses tinha escrito “deusa do futebol”. Antes da partida, a agitação foi constante junto ao relvado e, depois de ter falado aos canais alemães responsáveis pela transmissão do encontro, Eta foi cumprimentada por Dieter Hecking, treinador do Wolfsburgo, com quem trocou algumas palavras. Aquando da entrada das três equipas em campo, o momento continuou rodeado de simbolismo, já que foi uma menina que transportou a bola até ao centro do relvado. Dentro das quatro linhas, Diogo Leite foi titular na equipa da casa, que acabou por perder na estreia da nova treinadora, com golos de Patrick Wimmer, Dzenan Pejcinovic e Oliver Burke (1-2).
História feita em Berlim. Marie-Louise Eta, a primeira treinadora numa das cinco principais ligas de futebol masculino da Europa ????#DAZNBundesliga pic.twitter.com/Ii7BWUBXRu
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