A PRO.VAR — Associação Nacional de Restaurantes contestou esta segunda-feira as afirmações do governador do Banco de Portugal (BdP), Álvaro Santos Pereira, cuja análise disse ser “manifestamente redutora”, e alertou para o colapso da restauração tradicional.

Álvaro Santos Pereira questionou, através de uma publicação na rede social X (antigo Twitter), a crise no setor da restauração, notando que este cresceu 69% em termos nominais desde 2019, graças à expansão do turismo e do aumento do consumo.

Só em 2025, o volume de negócios do setor cresceu 2,9% em termos nominais, face ao ano anterior, apontou.

“A PRO.VAR refuta a análise do governador do Banco de Portugal e alerta para o colapso da restauração tradicional e manifesta a sua total oposição à leitura feita pelo governador sobre a realidade do setor da restauração”, referiu, em comunicado.

De acordo com a associação, a análise de Santos Pereira é “manifestamente redutora” e não reflete a realidade, sendo baseada em números globais de um setor que não é homogéneo, nem “pode ser tratado como tal”.

A PRO.VAR alertou para o facto de misturar restaurantes tradicionais, cadeias organizadas, fast food e restauração em supermercados conduzir a conclusões erradas e desfasadas.

Assim, sublinhou que o crescimento destacado pelo governador está fortemente concentrado em modelos de grande escala, com custos diluídos.

“Esses modelos têm vindo a ganhar terreno nos últimos anos […], à custa da ‘ineficiência dos restaurantes tradicionais, e apresentam resultados positivos, contribuindo para distorcer os indicadores globais”, explicou.

“Será assim?”. Álvaro Santos Pereira põe em causa “crise na restauração”. Setor diz que desde início do ano “situação só piorou”

Em particular na restauração tradicional, os custos disparam em todas as componentes e as margens foram esmagadas, acrescentou a associação, vincando que as empresas já não conseguem cumprir as suas obrigações.

“O setor está a entrar numa fase crítica de rotura na sua cadeia de valor. O que está a acontecer é uma transformação estrutural, onde a restauração tradicional está progressivamente a ser substituída por modelos de escala […]. A PRO.VAR considera inaceitável que esta realidade seja ignorada”, disse.

A associação reclama assim a descida do IVA — Imposto sobre o Valor Acrescentado da alimentação para os 6%, a adaptação da TSU — Taxa Social Única “à realidade de um setor intensivo em mão-de-obra” e a implementação de um modelo forfetário de IVA, que permita equidade entre os modelos de negócio.

“É necessário que o Governo demonstre capacidade, criatividade e vontade política para agir. Sem uma intervenção estrutural, o risco é claro, o desaparecimento progressivo da restauração tradicional”, rematou.