Um forte barulho seguido de uma onda de choque, que durou poucos segundos, ocorrido ao final da manhã de esta segunda-feira, no litoral Centro, tem causa indeterminada, mas não provocou vítimas ou danos materiais, disse a Proteção Civil municipal.
Pelas 12h37 de esta segunda-feira, no parque de estacionamento exterior de uma superfície comercial na vila de Buarcos, Figueira da Foz, a agência Lusa constatou a ocorrência de um curto barulho surdo — semelhante a um trovão longínquo — mas claramente audível, imediatamente seguido de uma onda de choque que durou cerca de dois segundos, fez tremer o chão e abanar violentamente os vidros do supermercado.
Fonte do Serviço Municipal de Proteção Civil da Figueira da Foz — cujo edifício está localizado na zona leste da cidade, a cerca de 2,6 quilómetros da referida superfície comercial — vincou ter ouvido o barulho e sentido a onda de choque, mas indicou que os contactos destinados a identificar a origem do sucedido resultaram, até ao momento, infrutíferos.
A mesma fonte indicou que os bombeiros não registaram qualquer chamada de emergência face ao sucedido, tendo também posto de parte ter-se tratado de uma descarga elétrica, por o céu estar limpo à hora da ocorrência e não haver evidência de descargas elétricas em praticamente todo o território continental àquela hora.
Em declarações pelas 16h00 desta segunda-feira, mais de três horas depois do incidente, a mesma fonte afastou ainda a hipótese de se ter tratado de um avião de combate a passar a barreira do som, após contacto nesse sentido com a Força Aérea Portuguesa (e de não existirem relatos de um avião ter sobrevoado aquela área) ou de uma possível explosão subaquática — como as que decorrem no leito do rio Mondego, junto ao cais comercial, na obra de aprofundamento da barra.
A esse propósito, fonte da comunidade portuária da Figueira da Foz também enfatizou que os trabalhadores portuários ali em serviço “não ouviram nem sentiram nada”, a exemplo do comandante do Porto da Figueira da Foz, que estava na Capitania, na zona ribeirinha da cidade, na margem direita.
No entanto, na margem esquerda do Mondego, na zona do porto de pesca, a jusante do cais comercial, e também nas instalações da papeleira Navigator, cerca de 10 km em linha reta a sul, existiram vários relatos do ocorrido.
Estes, segundo a mesma fonte da Proteção Civil, estenderam-se a povoações do norte e nordeste do concelho da Figueira da Foz (como Quiaios ou Ferreira-a-Nova), Tocha (Cantanhede) e Bunhosa e Arazede (Montemor-o-Velho), entre outros locais.
Contactado pela Lusa, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) admitiu ter recebido vários telefonemas, nomeadamente de corporações de bombeiros, a reportar o sucedido, esclarecendo, no entanto, que as estações da rede sismológica do continente — que para além de sismos, conseguem, por vezes, identificar eventos não tectónicos — não registaram nada.
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