De forma mais ou menos injusta, o ciclismo é a modalidade mais associada a casos de doping, escândalos de doping e proliferação do doping. As organizações responsáveis lutam há décadas para combater a utilização e o preconceito, para garantir que todos os atletas são constantemente testados e controlados e que as provas decorrem sem vantagens ou desvantagens ilegais. Mas a prova de que o ciclismo continua a ser a modalidade mais afetada pelo doping ficou agora provada com o facto de as preocupações terem chegado ao ciclismo virtual.
Numa notícia avançada pelo jornal The Guardian, a plataforma online MyWhoosh vai começar a realizar testes antidoping aleatórios aos melhores participantes. Ora, a MyWhoosh organiza o UCI Esports World Championships e é uma das maiores plataformas de e-cycling do mundo — ou seja, permite que qualquer pessoa em qualquer parte do mundo possa estar em casa, na garagem ou num ginásio numa bicicleta a competir com qualquer outra pessoa em qualquer parte do mundo.
The virtual cycling platform says its test will "protect clean athletes" – here's how they will work https://t.co/1Y8UNvv4ev pic.twitter.com/y7BmOxMGxW
— BikeRadar (@bikeradar) May 7, 2026
Os testes serão feitos aos melhores ciclistas do Sunday Race Club, a prova semanal organizada pela MyWhoosh que acontece sempre ao domingo e que junta ciclistas profissionais e semiprofissionais e também ciclistas totalmente amadores, atribuindo prize money que podem ir dos 20 aos 2.170 dólares. Com as novas regras, que serão implementadas a partir da próxima semana, os ciclistas selecionados serão informados antes, durante ou depois da corrida que devem permanecer no sítio em que competiram durante as três horas seguintes. Durante essa janela temporal, aparecerá um técnico da Internacional Doping Tests & Management para recolher uma amostra de sangue ou urina.
De acordo com o The Guardian, cerca de 700 ciclistas vão estar nesta fase inicial de arranque nas novas regras, sendo que o objetivo é testar pelo menos 10% por ano. O controlo antidoping vai fazer parte de um conjunto alargado de medidas incluídas uma espécie de “programa de integridade” preparado para evitar o chamado “e-doping” — que, para além da própria ingestão de substâncias proibidas, também abrange alterações ao equipamento, informação errada sobre o peso ou até a utilização de bots para simular maior voltagem.
“O nosso objetivo é proteger os ciclistas limpos e garantir que a nossa comunidade global pode confiar na integridade de que cada pódio. Nenhuma outra modalidade permite que alguém numa garagem na Austrália possa comparar-se a alguém numa garagem na Suécia em tempo real. É difícil e esta é a próxima fase da evolução. Se alguém estiver a fazer batota, estará provavelmente a fazer batota através de mecânica. Mas atualmente já temos muitas verificações para o travar, fazemos o que chamamos um ‘power passport test’ que inclui uma filmagem, para sabermos que é mesmo uma pessoa. Estes testes antidoping, os primeiros deste género, são outra maneira de ajudar toda a gente a sentir que estão a correr num sítio justo”, explicou Matt Smithson, o diretor de operações da MyWhoosh.
“Esta nova política é o próximo passo na evolução do que eu acredito ser o futuro do ciclismo. O ciclismo virtual só vai crescer e crescer nos próximos 20 anos, estamos na infância de tudo isto”, acrescentou. A MyWhoosh é atualmente a segunda maior plataforma online deste tipo, atrás da gigante Zwift, e conta com centenas de milhares de utilizadores, tendo distribuído cinco milhões de dólares em prémios durante o ano passado.