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Surto de doença infeciosa mata 11 gatos de ONG em Lisboa. "Não conseguimos continuar", diz associação sobre dívida de mais de 2.600 euros

Surto de vírus "extremamente contagioso" atingiu casa de acolhimento temporário. Há ainda 40 animais doentes, muitos em estado crítico. ONG, com dívidas de milhares de euros, pede doações.

Bounty foi um dos gatos diagnosticados com panleucopenia que morreram
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▲Bounty foi um dos gatos diagnosticados com panleucopenia que morreram

Instagram @associacaodosanimaisdelisboa

▲Bounty foi um dos gatos diagnosticados com panleucopenia que morreram

Instagram @associacaodosanimaisdelisboa

Onze gatos bebés morreram nas últimas duas semanas devido à panleucopenia viral felina numa casa de acolhimento temporário, divulgou a Associação dos Animais de Lisboa (AAL) nas suas redes sociais na noite de terça-feira.”Tentamos salvar vidas todos os dias, mas não conseguimos continuar sem ajuda”, diz o comunicado. Trata-se de um vírus “extremamente contagioso e resistente no ambiente“, explicou ao Observador a diretora operacional da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Lusófona, Joana Peixoto.

Para além dos onze animais mortos, há outros 40 doentes, “muitos deles em estado crítico”, diz a publicação da AAL. O diagnóstico foi feito no Hospital Veterinário da Universidade Lusófona, em Lisboa, para onde foram levados os gatos com vómitos e diarreia. A ONG não tem um abrigo principal, mas várias famílias de voluntários que acolhem temporariamente os animais abandonados após serem resgatados de situações de maus-tratos e abandono. Os sintomas mais frequentes incluem febre, apatia, gastroenterite e desidratação, explica Joana Peixoto, alertando: “Afetam sobretudo gatinhos jovens e animais não vacinados, podendo provocar quadros clínicos muito severos e, em muitos casos, a morte.”

O surto da doença ocorreu num destes abrigos, onde uma família recebeu cerca de 40 gatos. “Resgatamos muitas gatas grávidas e mães gatas com as suas crias. Uma destas tinha cinco gatinhos com dois meses de vida, que estavam doentes”, explica a presidente da associação, Carolina Chaves, que afirma que estes sobreviveram. Outros gatos ainda mais jovens, no entanto, foram infetados com a doença contagiosa e morreram. “Tinham dias de vida“, lamenta. O local onde morreram as crias, explica, é um “espaço comercial muito grande” que foi cedido por uma família para servir de abrigo aos animais. “Não temos sede física, já tentámos imenso mas não obtivemos resposta da câmara de Lisboa”, explica.

“Tudo isto tem sido muito difícil para a nossa equipa, pelo que queríamos também agradecer à família de acolhimento temporário, que também está a passar um mau bocado ao ver bebés adoráveis a sucumbir“, publicou a ONG, que afirma ter recebido uma factura de 2.684 euros por internamentos, medicações, análises e tratamentos realizados na primeira semana, que foram pagos com doações em dinheiro realizadas online — os valores gastos serão ainda maiores, pois há ainda vinte gatos internados.

Bounty, Lindt, Ferrero, Fern, Gleam, Bloomy, Dandelion, Buddy, Zinnia, Freesia e Verbena foram os animais que não sobreviveram. “Todos eles estavam com os olhos muito inflamados, com um ar muito constipado, pelo que foram logo ao veterinário e começaram a fazer tratamento oftalmológico e de imunidade”, disse a AAL numa publicação no Instagram. O vírus consegue sobreviver “durante muitos meses em espaços contaminados”, detalha Joana Peixoto. A doença, que é transmitida através do contacto com fezes, vómito, secreções ou objetos contaminados, pode “evoluir rapidamente em poucas horas“.

A panleucopenia felina é uma doença causada pelo parvovírus felino (FPV), cuja vacinação preventiva é recomendada pela médica. “Não existe um medicamento específico que elimine o vírus, mas quanto mais cedo o animal receber assistência, maiores são as hipóteses de recuperação”, alerta.

A Associação dos Animais de Lisboa foi fundada em setembro de 2020 e tem neste momento mais de 130 animais sob os seus cuidados e dos voluntários que reúne. “As contas veterinárias acumulam-se diariamente.
Temos pagamentos em atraso, devemos milhares de euros“, lamentam. “Não temos dinheiro para continuar assim. Nunca tivemos tantos animais doentes ao mesmo tempo”. Os gatos são os animais em maior quantidade entre os resgates, mas também cães, coelhos, pássaros, porquinhos-da-índia, pombos e patos foram acolhidos. “Não dizemos não a nenhum animal, tentamos ajudar todos”, diz a presidente da ONG, que revela despesas mensais que variam entre 5 a 10 mil euros com cuidados veterinários, mesmo que tenham conseguido descontos e parcerias com clínicas e hospitais.

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