A decisão do Tribunal de Recurso de Paris foi divulgada esta quinta-feira, 17 anos após o maior acidente aéreo de que há registo em França. A Air France e a Airbus foram condenadas por homicídio involuntário dos 228 passageiros que morreram no fatídico voo a 1 de julho de 2009. O juiz, citado pela Agência France-Presse, declarou as empresas como “única e inteiramente responsáveis” pelo sucedido, após uma primeira absolvição em 2023.

A recém-divulgada condenação pressupõe o pagamento de uma multa no valor de 225 mil euros para cada um dos réus — pena máxima prevista pela lei francesa em casos de homicídio involuntário por negligência. As caixas negras a bordo da aeronave A330, que fazia a ligação entre o Rio de Janeiro e Paris, só foram recuperadas em 2011 e confirmaram que a queda do avião no Oceano Atlântico resultou do congelamento e avaria de sensores essenciais ao seu funcionamento.

A deliberação do juiz responsabiliza a companhia aérea Air France por negligenciar o treino dos pilotos para a possibilidade de formação de gelo nos aparelhos, cuja função é medir a velocidade externa do avião quando se desloca pelo ar. Já a condenação da Airbus resulta do facto de a fabricante de aeronaves comerciais ter ocultado as falhas nas sondas de velocidade, sem mostrar a intenção de informar as companhias de aviação. Ambas as empresas negaram as acusações que as famílias das vítimas apresentaram à Justiça.

Todos os passageiros a bordo do A330, 12 dos quais tripulantes, morreram quando o avião caiu no Oceano Atlântico, poucas horas após a descolagem. Entre as 228 vítimas existiam 33 nacionalidades diferentes, com maior prevalência de franceses e brasileiros. A multa aplicada esta quinta-feira é uma pequena fração dos lucros que a Airbus e a Air France acumulam diariamente, sublinha a AFP,  mas para as famílias dos sobreviventes significou o triunfo da justiça e de uma causa pela qual lutavam há 17 anos.

A decisão do tribunal segue-se a uma primeira absolvição das empresas, que culpabilizaram os tripulantes do avião pelo sucedido. “O fator humano foi o motivo determinante”, alegaram, opondo o parecer da acusação, que acabou por sair agora vencedora.