Estão a ser desenvolvidas duas possíveis vacinas contra a espécie Bundibugyo do Ébola, mas a Organização Mundial de Saúde (OMS) referiu que ainda nenhuma foi submetida a testes. Sendo assim, poderão só estar prontas dentro de seis a nove meses, segundo a BBC.

Já houve uma vacina aprovada contra uma estirpe do Ébola, chamada Zaire, que desencadeou um surto em África entre 2014 e 2016. Segundo Vasee Moorthy, investigador da OMS, uma das novas vacinas em desenvolvimento utiliza-a como base, “sendo a candidata mais promissora”. No entanto, existe uma outra hipótese inspirada na vacina da AstraZeneca para a Covid-19. “É possível que doses estejam disponíveis para ensaios clínicos dentro de dois ou três meses, mas há muita incerteza”, referiu à emissora britânica. Apenas depois dos testes em animais é que será possível perceber a sua utilidade.

Por agora, o foco é identificar todas as cadeias de transmissão existentes, disse Chikwe Ihekweazu, líder de emergências da OMS. “Isto permitir-nos-á definir a verdadeira dimensão do surto e prestar o atendimento necessário”, citou-o o The Guardian. Contudo, as milícias na região, os cortes de financiamento e a agitação política podem complicar o controlo do vírus, avisa o The Washington Post.

Até à data, foram registados 600 casos suspeitos e 139 mortes, mas o número deverá aumentar, segundo o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. No sábado, o surto foi declarado como uma Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional, o segundo nível mais elevado.

OMS declara emergência de saúde pública mundial devido a surto de ébola

O Ébola propaga-se por contacto direto com fluidos corporais e através de pele lesada, causando hemorragia e falência de órgãos. O primeiro caso conhecido da estirpe atual foi o de uma enfermeira que morreu a 24 de abril, em Bunia, capital da província de Ituri, relatou a BBC.

Mapa da distribuição do Ébola WHO

Zonas afetadas pela doença do vírus Bundibugyo na República Democrática do Congo, a 16 de maio de 2026

Nos últimos 50 anos, o Ébola matou mais de 15.000 pessoas em África. Durante os surtos anteriores, a taxa de mortalidade variava entre os 25% e os 90%. O Ministério dos Negócios Estrangeiros já recomendou aos portugueses que evitassem a “realização de viagens não essenciais” à República Democrática do Congo.

Ministério dos Negócios Estrangeiros desaconselha viagens não essenciais à República Democrática do Congo