A final tinha de ser junto da cidade que nunca dorme. O derradeiro jogo do Campeonato do Mundo vai manter milhões de espetadores acordados fora de horas e realiza-se na cidade de Nova Jérsia – às portas de Nova Iorque. É aí que se ergue o MetLife Stadium, um estádio pensado para a escala do espetáculo global: inaugurado em 2010, com capacidade superior a 80 mil lugares, neutro em identidade e desenhado para receber qualquer evento que exija dimensão, da NFL ao Mundial. Em julho de 2026, quando o troféu for erguido, o MetLife Stadium não será lembrado pela forma, mas pelo conteúdo.

Ao contrário do AT&T Stadium, o MetLife não aposta no excesso visual. Não há cobertura retrátil, nem ecrãs suspensos monumentais. A arquitetura é funcional, quase austera, e essa sobriedade ajudou a torná-lo um palco fiável para grandes decisões. No entretenimento, o recinto tornou-se uma paragem obrigatória para grandes produções musicais, acolhendo espetáculos de artistas como Beyoncé, Bruce Springsteen ou os The Rolling Stones, e registando recordes de assistência com os concertos de Taylor Swift. No plano desportivo, o seu prestígio é igualmente visível: em 2014 recebeu o Super Bowl XLVIII; em 2016 foi o centro da Copa América Centenário, recebendo a final; agora, acolhe o jogo mais importante de 2026.

Para o futebol português, o estádio não é terreno virgem. O FC Porto jogou no MetLife por duas vezes durante o Mundial de Clubes da FIFA 2025. Primeiro, num empate sem golos frente ao Palmeiras. Depois, um encontro caótico frente ao Al Ahly, que terminou empatado 4-4 e marcou a despedida de Martín Anselmi dos dragões. Uns dias depois chegava a rescisão com o argentino, de seguida assinou Francesco Farioli.

Construído no mesmo local do antigo Giants Stadium, o MetLife – apelidado pela FIFA de New York New Jersey Stadium – foi pensado para desaparecer visualmente quando necessário: partilhado por dois clubes da NFL, muda de identidade conforme o inquilino – New York Giants ou New York Jets. Troca cores, sinalética e atmosfera em poucas horas. Essa neutralidade é precisamente o que a FIFA talvez procurasse para uma final – um espaço sem dono, onde o contexto muda rapidamente e a imprevisibilidade da prova convida o MetLife como o anfitrião perfeito para o derradeiro jogo. O que provavelmente ninguém esperava era a subida a pique dos bilhetes de comboio a partir de Manhattan, que passaram de uns modestos 13 dólares para uns impensáveis 150 dólares – e isto para uma curta viagem de pouco mais de meia hora.

O MetLife não promete espetáculo arquitetónico, como outros recintos prometem. Promete audiência, mas controlo. Para uma final do Mundial nos EUA, isso terá tido influência na escolha dos organizadores.

BI

  • País: EUA Cidade: East Rutherford (Nova Jérsia/Área Metropolitana de Nova Iorque)
  • Ano de fundação: 2010
  • Equipas e desportos: New York Giants e New York Jets (futebol americano)
  • Custo de construção: 1,4 mil milhões de euros (pela conversão atual)
  • Capacidade: 82.500 espectadores
  • Jogos no Mundial-2026 (8): Brasil-Marrocos (13/6), França-Senegal (16/6), Noruega-Senegal (22/6), Equador-Alemanha (25/6), Panamá-Inglaterra (27/6), 1 jogo dos 16 avos (30/6), 1 jogo dos oitavos (5/7) e a final (19/7)