Terminado o futebol de clubes, está na estrada um sonho coletivo comum a todos os adeptos do desporto-rei. Chegou a hora de colocar o cachecol vermelho e verde, de trocar o conforto do sofá de casa pelas esplanadas e o convívio com os amigos. É nesta altura que o tremoço, o amendoim e o torresmo andam de braço dado com os dias loucos de futebol, em que nem a cerveja e os cromos podem faltar. A partir de agora, Portugal ativou o modo Seleção, que se espera que perdure ao longo do próximo mês e termine apenas a meio de julho. Para já, a equipa de Roberto Martínez continua a trabalhar no nosso país, ainda sem os bicampeões europeus Gonçalo Ramos, João Neves, Nuno Mendes e Vitinha, e teve como primeiro adversário o Chile, no regresso ao mítico palco do Jamor.

Tomás, Samu Costa, Matheus e Guedes chamados, António, Palhinha, Pote e Mora de fora: a convocatória de Portugal para o Mundial-2026

Entre os 26 convocados para o Campeonato do Mundo — 27, dado que Ricardo Velho integra a comitiva e vai acompanhar a equipa das quinas nos EUA —, destacam-se as presenças de Tomás Araújo, Samu Costa, Matheus Nunes e Gonçalo Guedes, ainda que o médio do Manchester City, que pode jogar no lado direito da defesa, tenha falhado o particular com a roja por estar a recuperar de uma indisposição gástrica. Este primeiro jogo tinha como objetivo preparar o duelo contra a Colômbia, do fecho da fase de grupos do Mundial, por conta das semelhanças entre as seleções sul-americanas, principalmente em termos físicos e de reação à perda da bola. Havia dúvidas sobre o onze que o selecionador nacional ia apresentar no relvado do Estádio Nacional, com particular incidência no meio-campo, onde Samu Costa e Rúben Neves espreitavam uma oportunidade junto de Bruno Fernandes e, quiçá, de Bernardo Silva.

“Os resultados dos jogos amigáveis são a preparação que retiramos. Com o Chile queremos ganhar, mas essa não é a prioridade. Vamos usar as 11 substituições e o foco é mais individual. O resultado é tudo aquilo que estás a acrescentar à equipa. Em março, trabalhámos em altitude e agora vamos jogar em Houston, por isso decidimos chegar o mais tarde possível aos EUA, porque podíamos trabalhar aqui o que era preciso. Utilizamos a experiência que trago de três Mundiais. O importante é ganhar. Acho que a nossa equipa, com o talento que tem, tem mais hipóteses de ganhar. O foco é jogar bem para termos tudo em controlo. Queremos ganhar bem, controlando a bola e o espaço, e isso é o que é jogar bem. Aí assino por baixo. Quando tomamos decisões tem de haver um grande equilíbrio entre o que é subjetivo e o que é objetivo, em tudo aquilo que podemos medir e hoje no futebol podemos medir tudo e temos de tomar decisões mediante isso”, explicou Martínez na sexta-feira.

Ficha de jogo

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Portugal-Chile, 2-1

Jogo de preparação para o Campeonato do Mundo-2026

Estádio Nacional, em Oeiras

Árbitro: Luca Zufferli (Itália)

Portugal: José Sá (Rui Silva, 46’); Nélson Semedo (Diogo Dalot, 46’), Rúben Dias (Tomás Araújo, 87’), Renato Veiga (Gonçalo Inácio, 46’), João Cancelo; Samu Costa (Pedro Neto, 46’), Bernardo Silva (Rúben Neves, 46’); Francisco Conceição (João Félix, 76’), Bruno Fernandes, Rafael Leão; Cristiano Ronaldo (Gonçalo Guedes, 46’)

Suplentes não utilizados: Diogo Costa, Ricardo Velho e Francisco Trincão

Treinador: Roberto Martínez

Chile: Lawrence Vigouroux; Felipe Faúndez (Francisco Sierralta, 46’, Iván Román, Guillermo Maripán, Gabriel Suazo; Vicente Pizarro (Víctor Méndez, 80’), Felipe Loyola (Fabián Hormazábal, 80’); Maximiliano Gutiérrez (Rodrigo Echeverría, 67’), Agustín Arce (Lucas Cepeda, 67’), Darío Osorio (Nils Reichmuth, 80’); Gonzalo Tapia (Iván Morales, 80’)

Suplentes não utilizados: Thomas Gillier, Brayan Cortés; Igor Lichnovsky, Clemente Montes, Matías Sepúlveda, Lautaro Millán e Diego Ulloa

Treinador: Nicolás Córdova

Golos: Guedes (58’), Bruno (75’) e Cepeda (90+2’)

Ação disciplinar: vermelho a Leão (45+2’) e Román (45+2’)

Depois de ter perdido uma das suas melhores gerações de sempre, com Alexis Sánchez, Arturo Vidal e Claudio Bravo à cabeça, o Chile ficou no último lugar da qualificação da CONMEBOL e está fora do Mundial. Nicolás Córdova lidera a renovação chilena, tendo aproveitado os últimos meses para lançar alguns jovens, como Darío Osorio. Ben Brereton e Gabriel Suazo são algumas das figuras mais experientes. “Portugal tem uma grande geração, mas não é uma geração espontânea, há muitíssimo trabalho para se ter muitos jogadores. O futebol jovem de Portugal faz um trabalho espetacular nos clubes. Com as individualidades, o plantel e o grande treinador que têm, são candidatos, mas num Mundial há que ter muita sorte, que não haja jogadores suspensos e que não se lesionem jogadores importantes. Há jogadores que fizeram 60 jogos e que estarão certamente cansados, mas vejo Portugal como candidato a estar, pelo menos, entre os quatro melhores”, perspetivou Córdova.

Para este particular, Roberto Martínez apostou numa onze bastante próximo da equipa base que tem apresentado nos últimos jogos da Seleção Nacional, com destaque para as inclusões de José, Nélson Semedo, Samu Costa e Francisco Conceição. Assim, João Cancelo passou para o lado esquerdo da defesa, que contou com Rúben Dias e Renato Veiga no corredor central, ao passo que o médio do Maiorca juntou-se a Bernardo Silva e Bruno Fernandes no miolo. No ataque, o extremo da Juventus atuou no apoio a Cristiano Ronaldo, juntamente com Rafael Leão. Este jogo já contou com o quarteto do PSG na comitiva nacional, mas Neves, Mendes, Ramos e Vitinha não saíram da tribuna do Jamor.

Os primeiros minutos confirmaram o posicionamento dos médios, com Samu a aparecer à direita de Bernardo, que baixou para zona interiores, mais próximo do que tem feito no Man. City. Por outro lado, Bruno foi o médio mais ofensivo e móvel, povoando as costas dos médios da formação do Chile, que se perfilou num 4x2x3x1, mas apresentou muitas fragilidades. Nesse sentido, Portugal quase aproveitou logo a abrir, com Cancelo a cruzar da direita para o segundo poste, onde Dias apareceu completamente sozinho a cabecear para uma grande defesa de Lawrence Vigouroux, com a mão esquerda (4′). Pouco depois, Ronaldo serviu Leão com um passe de calcanhar, o extremo recebeu e cavalgou para a área, onde puxou para dentro e desferiu um remate rasteiro que embateu em cheio no poste direito da baliza chilena (9′).

Pouco depois, a Seleção teve espaço pela esquerda, com Bruno a cruzar rasteiro para Cristiano que, depois de se enquadrar, atirou forte e rasteiro, de pé esquerdo, para nova defesa de Vigouroux, agora com o pé (18′). Na reta final da primeira etapa, Portugal continuou a dominar, apesar de um ou de outra incursão ofensiva do Chile, e chegou ao golo pelo capitão, após um grande passe de Bruno Fernandes, mas havia fora de jogo do camisola 7 no momento do passe (36′). Já no tempo de compensação, Rafael Leão e João Cancelo envolveram-se numa série de empurrões com jogadores do Chile, sendo que o extremo acabou expulso, juntamente com Iván Román, depois de os dois se terem empurrado várias vezes (45+2′). Assim, apesar do domínio, o golo continuou a faltar e o nulo imperava ao intervalo (0-0).

Ao intervalo, Roberto Martínez abdicou do terceiro médio para colocar Gonçalo Guedes no centro do ataque, lançando ainda Rui Silva, Diogo Dalot, Gonçalo Inácio, Rúben Neves e Pedro Neto, retirando José Sá, Nélson Semedo, Renato Veiga, Samu Costa, Bernardo Silva e Cristiano Ronaldo. Apesar das mudanças, as expulsões abriram o jogo e Portugal voltou a entrar bem, com João Cancelo a obrigar Lawrence Vigouroux a mais uma defesa apertada com um pontapé de bicicleta (52′). Pouco depois, Neves descobriu Guedes solto na área com uma grande passe, rasteiro e a queimar linhas, e, perante a saída de Vigouroux, o avançado da Real Sociedad inaugurou o marcador com um remate fora do seu alcance (58′). No lance seguinte foi a vez de Bruno Fernandes voltar a abrir o livro com um passe de antologia para Dalot que, dentro da área, atirou forte para nova defesa de Vigouroux (68′).

À entrada para a fase final do desafio, Portugal recuperou a bola em zona subida e lançou Guedes no ataque, o avançado contemporizou e atrasou para o toque ao de leve de Chico para Bruno Fernandes que, bem ao seu estilo, desferiu um remate colocado, de pé direito e de primeira, para o segundo golo, com a bola a entrar junto ao poste mais distante (75′). Já com João Félix no lugar do jogador da Juventus, Neto atirou ao lado (81′) e Rui Silva fez a primeira defesa nacional a remate de Nils Reichmuth (83′). Ainda houve tempo para Tomás Araújo render Rúben Dias na defesa e para Silva fazer nova defesa, após mais um remate forte de Nils (90+1′). O que se adivinhava lá acabou por aparecer, com Lucas Cepeda a fechar as contas com um remate rasteiro e colocado de fora da área (90+2′). Segue-se a Nigéria, no encerramento da preparação (2-1).