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O secretário-geral do PS começa esta segunda-feira, nos Açores, uma “rota pela economia do mar”, percorrendo o país para ouvir os intervenientes e contribuir para políticas públicas que reforcem a “competitividade, inovação e sustentabilidade” do setor.
De acordo com uma nota enviada à Lusa, José Luís Carneiro escolheu o Dia Mundial dos Oceanos, que se assinala esta segunda-feira, para dar inicio à nova rota, que vai decorrer até ao final de junho com o objetivo de afirmar o “mar como um dos grandes desígnios estratégicos de Portugal para as próximas décadas, colocando no centro da discussão temas como a competitividade económica, a inovação, a sustentabilidade ambiental e a coesão territorial”.
“Com uma abordagem multissetorial e de proximidade, a Rota pela Economia do Mar promoverá encontros com comunidades piscatórias, empresários, trabalhadores do setor, investigadores, centros de conhecimento, associações e decisores locais”, refere o PS.
O partido liderado por José Luís Carneiro quer “ouvir quem está no terreno, identificar desafios e oportunidades e contribuir para a construção de políticas públicas capazes de reforçar a competitividade, a inovação e a sustentabilidade da economia azul portuguesa”.
O PS refere que Portugal tem uma das maiores zonas marítimas da Europa e “condições únicas para afirmar a economia do mar como um dos principais motores de crescimento do país”.
Os socialistas defendem uma visão para este setor “assente na criação de emprego qualificado, no desenvolvimento sustentável e na valorização do território”.
“Portos, construção naval, pesca, aquacultura, turismo azul, energias renováveis offshore, biotecnologia marinha e robótica subaquática são apenas alguns dos setores que serão abrangidos por esta iniciativa, que pretende valorizar o enorme potencial económico, científico e estratégico do mar português”, elenca ainda.
O arranque da rota pela economia do mar é nos Açores, onde segunda e terça-feira decorrem várias visitas, reuniões e encontros.
Líder do PS reconhece “grande instabilidade” no Governo dos Açores
O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, disse esta segunda-feira sentir que existe no Governo Regional dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM) uma “grande instabilidade”, mas que o seu partido tem contribuído para a estabilidade política na região.
“Sentimos, vemos, observamos no território do continente, que há uma grande instabilidade e uma grave precariedade precipitada por palavras que, do meu ponto de vista, foram imponderadas relativamente ao Governo Regional dos Açores, mas, naturalmente, aquilo que se passa nos Açores diz somente respeito aos açorianos”, afirmou o líder socialista.
José Luís Carneiro, que falava esta segunda-feira de manhã em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, no arranque da rota pela economia do mar, acrescentou que a Assembleia Legislativa Regional e os diferentes partidos “não deixarão de contribuir para a procura da estabilidade” política nos Açores.
“E o PS, por aquilo que sei, tem contribuído para que a estabilidade possa contribuir para o desenvolvimento da região. Vi mesmo na atitude do PS dos Açores a mesma atitude que tem existido no PS nacional em relação ao Governo da República”, afirmou.
E concluiu: “Nós somos pela estabilidade política, nomeadamente na República, mas é evidente que compete aos governos a quem o povo deu o poder para executar as políticas, ser o garante da estabilidade e garantir que essa estabilidade serve os interesses, neste caso da região, e no continente, os interesses do país. Deitar a toalha ao chão nunca é a melhor solução.”
Em 2020, o PS venceu as eleições legislativas nos Açores, mas perdeu a maioria absoluta e PSD, CDS-PP e PPM formaram uma coligação pós-eleitoral, colocando fim a 24 anos de governação socialista.
As eleições de 2024 foram antecipadas devido ao chumbo do orçamento da região e nesse ato eleitoral os três partidos concorreram coligados e venceram as eleições, ainda que sem maioria absoluta.
O acordo de coligação assinado em 2020 previa que os partidos se mantivessem coligados durante dois mandatos.
Numa entrevista ao podcast da Antena 1 Política com Assinatura, em 28 de abril, José Manuel Bolieiro revelou que em 2028 o PSD concorreria sozinho.
“Vamos cumprir os nossos acordos. […] Sou cumpridor dos meus compromissos e da palavra dada, e, portanto, vou cumprir a palavra dada. A [atual] coligação pré-eleitoral vai até 2028, […] isso significa que, a partir de 2028, não há coligação pré-eleitoral. É o que foi acordado, é o que vai ser cumprido”, afirmou.
Açores merecem “atenção especial” do poder político
O secretário-geral do PS considerou ainda que os Açores merecem “atenção especial” do poder político e que a União Europeia tem de olhar para Portugal como a “grande plataforma de afirmação da Europa” relativamente à valorização dos oceanos.
“Os Açores são o centro do Atlântico e, como centro do Atlântico, merecem uma atenção especial da parte do poder político e da parte do interesse nacional”, afirmou José Luís Carneiro, em declarações aos jornalistas, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel.
Segundo o líder socialista, os Açores são a plataforma atlântica para Portugal se articular com a América do Norte e com a América do Sul.
“São, simultaneamente, a plataforma atlântica para nos articularmos com África e também para nos articularmos com a Ásia. E os Açores são a nossa plataforma do centro do Atlântico, não apenas para potenciar Portugal e os seus recursos estratégicos, mas para posicionar a União Europeia”, acrescentou.
Para José Luís Carneiro, a União Europeia “tem de olhar para os Açores, tem de olhar para Portugal, como a grande plataforma de afirmação da Europa no quadro da valorização dos oceanos”.
O dirigente do PS referiu, ainda, que é no arquipélago que “está o maior potencial para afirmar Portugal como país global”, desde logo no que respeita à modernização das frotas e à sua descarbonização e a capacidade para promover a vigilância oceânica em relação às alterações climáticas, ao aproveitamento de energia e ao aproveitamento de recursos piscatórios.
Aos jornalistas, o secretário-geral socialista afirmou que com a liderança de Francisco César (líder PS/Açores) no Governo Regional e com o Governo do PS na República Portuguesa, a primeira “grande prioridade” iria para a criação de um hub de logística de transporte e de observação oceânica.
A segunda prioridade era os Açores serem uma grande plataforma científica para conhecimento da oceanografia, vulcanologia, alterações climáticas e biodiversidade marinha.
Outra aposta seria na economia do mar e em todos os recursos ligados à economia azul (biotecnologia marinha, energias oceânicas, monitorização ambiental, aquacultura sustentável e robótica submarina).
“São áreas que estavam em todas as estratégias que desenvolvemos quando estávamos no Governo e elas têm de ser recuperadas e ser colocadas no centro das preocupações políticas nacionais, porque delas depende a afirmação dos Açores”, vincou.
Em relação às energias renováveis, Carneiro lembrou que os Açores são conhecidos pela geotermia e têm potencial para experiencias relativas ao hidrogénio verde e para desenvolvimento das energias em regime de ‘offshore’.
“Tínhamos um conjunto de concursos a decorrer. É preciso saber qual é o ponto de situação desses concursos para o aproveitamento das energias renováveis em ‘offshore’”, alertou.
Outra questão está relacionada com o turismo, particularmente voltado para a ciência e para a natureza, enquanto na mobilidade defendeu investimentos na melhoria das ligações aéreas e marítimas.
Por sua vez o líder do PS/Açores, Francisco César, congratulou-se por o líder nacional ter iniciado o roteiro pela economia do mar na região, por considerar que o mar nos Açores “tem uma importância extraordinária”.
Salientou que as pescas são a principal riqueza, adiantando que cerca de sete mil pessoas vivem deste setor.
O líder nacional do PS iniciou esta manhã, em Ponta Delgada, a rota pela economia do mar que vai decorrer durante dois dias na ilha de São Miguel.
A iniciativa inclui, entre outros momentos, reuniões com o Comando Regional da Zona Marítima dos Açores e com a Federação das Pescas, um passeio em embarcação de pesca (Vila Franca do Campo), um almoço/debate com representantes do setor do mar e das pescas e uma visita a uma empresa de transformação e comercialização de pescado (Ribeira Grande).