As regras para idas de deputados à Assembleia da República ao Mundial de 2026 são apertadas e não dão margem para deslocações que não sejam autorizadas por José Pedro Aguiar-Branco, a não ser que aconteçam a título pessoal. O Presidente da Assembleia da República vai estrear-se na representação do Estado português no primeiro jogo da seleção nacional, em Houston, contra o Congo, mas com ele não vão viajar parlamentares, como avança esta sexta-feira o Expresso.
O gabinete de Aguiar-Branco garantiu ao semanário que não está prevista a ida aos EUA de deputados com a segunda figura do Estado. Em relação a deslocações em outros contextos, o mesmo gabinete esclareceu que se aplica a regra geral do Código de Conduta para deslocações e convites que impliquem viagens e alojamentos. Atualmente, os deputados só podem aceitar ofertas até 150 euros, sendo que só os bilhetes dos jogos do campeonato que arrancou esta quinta-feira superam largamente este valor.
De acordo com o Expresso, também não se prevê que António José Seguro, que vai representar o Estado no terceiro jogo de Portugal na fase de grupos, leve consigo comitiva. O Presidente da República vai assistir ao jogo contra a Colômbia, que vai acontecer em Miami. Não está, também neste âmbito, prevista a deslocação de deputados que por vezes acompanham tanto o Presidente da República como o Presidente da Assembleia da República em visitas oficiais ao estrangeiro.
Há dez anos, em 2016, vários deputados e governantes aceitaram ofertas de empresas para irem a jogos do Campeonato da Europa, em Paris. O caso mais conhecido envolvia a Galp e culminou, em 2017, na demissão de três secretários de Estado do Governo então liderado por António Costa: Fernando Rocha Andrade, antigo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, João Vasconcelos, antigo secretário de Estado da Indústria, e Jorge Costa Oliveira, antigo secretário de Estado da Internacionalização.
Na altura, Luís Montenegro e Hugo Soares, que eram deputados do PSD, chegaram a ser constituídos arguidos por suspeita de recebimento indevido de vantagem, devido a terem viajado a convite do empresário Joaquim Oliveira, dono da Olivedesportos. Apresentaram alegadas provas de que tinham coberto o valor das suas próprias viagens, o que levou o Ministério Público a incluir também a suspeita de falsificação de documentos na acusação. O caso terminou em 2021 com o arquivamento do processo.