O líder parlamentar do PSD diz que não lhe “passa pela cabeça” um cenário em que há eleições antecipadas e recusa-se a entrar na “histeria histeria coletiva de especular sobre crises políticas que ninguém vê”. Em entrevista à Rádio Observador no Congresso do PSD, Hugo Soares deixa um aviso a PS e Chega: “Espero que não haja ninguém em Portugal que tome decisões políticas com base em sondagens.”

Quanto ao próximo grande desafio da governação, Hugo Soares diz que está “absolutamente convencido que o Orçamento vai passar” e promete “trabalhar e fazer tudo para que o OE seja aprovado.” O secretário-geral do PSD lembra que o que acontece noutros países mostra que governar “duodécimos não é o melhor”.

Sobre a relação com os dois maiores partidos da oposição, Hugo Soares diz que o que aconteceu na reforma laboral não fará dele “uma pessoa mais desconfiada” relativamente ao partido de André Ventura, uma vez que tem um mandato para negociar com o PS e Chega. O líder parlamentar do PSD enumerou depois vários acordos que o PSD fez nos últimos dois anos, quer com o PS, quer com o Chega.

Com várias críticas aos socialistas, Hugo Soares diz que “há uma estratégia clara do PS: dizer que ‘não’ a tudo, para empurrar o partido mais moderado na AR, que é o nosso, para os braços do Chega.”  O líder parlamentar do PSD diz que José Luís Carneiro “veste a pele de moderado, mas, na prática é tão ou mais radical que Pedro Nuno Santos.” E acrescenta ainda que o líder do PS “não tem força para se impor no grupo parlamentar a deputados que são, de facto, extremistas e podiam estar no Bloco de Esquerda.”

Já sobre o Chega, Hugo Soares lamenta o facto de “André Ventura à 25ª hora ter colocado em cima da mesa uma coisa que já tinha deixado cair, a descida da idade de reforma, que colocaria em causa a sustentabilidade da Segurança Social”. Hugo Soares diz que Ventura “roeu a corda”, mas destaca que não é a primeira vez. Já o fez, lembra, “na descida do IRS, que tinha acordado comigo, e roeu durante a madrugada”.

“Passos Coelho torce à séria pelo nosso sucesso”

A leitura que o líder parlamentar do PSD faz é que “é difícil negociar com quem cede à primeira pressão da rua e das redes sociais.” Hugo Soares diz que viu com “estranheza” o facto de “os deputados do Chega não se terem levantado para votar ao lado de André Ventura, uns porque tinham indicação contrária, outros porque eram contra o alinhamento com a esquerda”.

Sobre Pedro Passos Coelho, Hugo Soares lembra que foi “líder parlamentar dele” e que tem a certeza que ele “torce à séria pelo nosso sucesso, que é o sucesso do nosso país”. E acrescenta: “Se ele põe o país à frente de tudo, sabe que para o país estar à frente de tudo o resto, temos de ter sucesso”.

O secretário-geral do PSD nega ainda ter desafiado Pedro Passos Coelho a aparecer no órgão máximo do partido, dizendo que se limitou a responder que gostaria que ele estivesse presente após ser questionado sobre isso.

Ouça aqui a entrevista a Hugo Soares

Hugo Soares: “Estou convencido que o OE vai ser aprovado”