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“Sabíamos que íamos passar por isto”. A “conversa” dos jogadores em Palm Beach para “blindar” a Seleção

Nos primeiros dias nos EUA, os jogadores da Seleção reuniram-se para “blindar” o grupo contra as críticas, principalmente das redes sociais. Todos participaram e não estava nos planos da FPF.

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AFP via Getty Images

AFP via Getty Images

“Sem revelar muito do que fazemos, tivemos oportunidade, antes de chegar o Mundial, de termos uma conversa sobre isto”. As palavras são de Diogo Dalot, defesa da seleção portuguesa que falou à imprensa em vésperas do jogo com o Uzbequistão. Perante os jornalistas, quando foi questionado sobre os “ataques” nas redes sociais a alguns jogadores, mais concretamente a João Neves, Dalot revelou um pouco dos bastidores da equipa e apontou para uma conversa entre o plantel.

O Observador sabe que não foi a estrutura da Federação Portuguesa de Futebol a promover esta “conversa”. Foram os próprios jogadores que se quiseram preparar para as ondas de choque que podiam surgir. As redes sociais acrescentam um fator de pressão sobre a equipa. O estrelato de alguns jogadores, principalmente de Cristiano Ronaldo, torna a crítica constante e Dalot assume isso: “Quando tens o Cris no plantel tens de estar preparado para o alarido fora do normal. Daí o facto de termos tido essa conversa. Daí a mensagem de que o grupo está blindado. Sabíamos que íamos passar por isto e acabou por acontecer.“

Dalot não concretizou quem teve a ideia de ter esta conversa. O Observador apurou que todos os jogadores participaram e que a reunião aconteceu já em Palm Beach, logo nos primeiros dias do estágio nos EUA, quando começaram a chover críticas sobre a presença de jogadores na praia.

epa13051762 Portugal's national soccer team player Diogo Dalot attends a press conference, in Palm Beach, Florida, USA, 20 June 2026.  EPA/MIGUEL A. LOPES

MIGUEL A. LOPES/EPA

A reunião promovida pelo plantel teve um efeito importante no grupo, Dalot reconhece que foi um verdadeiro treino, até porque as críticas começaram a surgir quando chegaram aos EUA. Apesar das “poucas horas” que passaram na praia, a polémica em torno das fotografias e vídeos dos jogadores no areal e no mar em frente ao Four Seasons Resort Palm Beach foi a faísca para esta reunião. “O lado positivo é que aconteceu cedo, assim também matamos o assunto e seguimos”, disse Dalot na conferência de imprensa deste sábado.

Com estas palavras, o defesa da seleção portuguesa abriu uma janela para o espírito do grupo português. No passado, já se registaram problemas nas seleções nacionais, seja por conflitos no balneário ou por situações externas aos jogadores. Com esta equipa, a palavra “família” tem sido utilizada de forma repetida pelos futebolistas. Acontece assim em conferências de imprensa, em entrevistas ao longo dos últimos meses e é percetível uma saudável convivência entre quase todos os jogadores.

A “conversa” de Palm Beach, de acordo com Diogo Dalot, foi fundamental para cimentar o balneário: “O grupo está blindado. A mensagem que queremos e gostamos de passar é que temos milhões de pessoas que querem ver Portugal ganhar e estamos todos no mesmo barco.”

Portugal soccer players Pedro Neto (2L), Ruben Neves (3L), Francisco Trincao (2R) and Ricardo Velho (R) enjoy the beach at the Four Seasons Palm Beach Hotel, in the FIFA World Cup 2026 in Palm Beach, Florida, USA, 14 June 2026. MIGUEL A. LOPES/LUSA

MIGUEL A. LOPES/LUSA

O jogador português assume também que a crítica é natural e aponta para a experiência dos jogadores da Seleção Nacional, seja em contexto dos clubes que representam, ou com a camisola de Portugal. “Não fugimos à crítica, não queremos fugir a isso até porque somos os primeiros a querer fazer a diferença.”

A longa conferência de imprensa de Diogo Dalot serviu também para deixar uma mensagem forte para quem, aos olhos dos jogadores, está a fazer uma crítica prejudicial à Seleção: “Estamos bem, estamos coesos e sabemos o que precisamos de fazer para ganhar, da mesma forma que sabemos que alguns não querem que ganhemos.”

Convidado a concretizar, Diogo Dalot disse que não iria “indicar nomes” e apontou mais uma vez para o foco do plantel e para o grupo coeso que se conseguiu blindar antes dos ataques.

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