A onda de calor que atingiu França nas últimas semanas já estará associada a um aumento significativo da mortalidade. Desde 24 de junho, foram registadas cerca de mil mortes adicionais face à média dos meses anteriores, segundo o Le Monde, que cita os dados provisórios divulgados este domingo pela Agência Francesa de Saúde Pública (SPF).

Os dados ainda não permitem estabelecer uma relação direta entre estas mortes e a vaga de calor, mas esta autoridade de saúde considera que o aumento da mortalidade coincide com o aumento das temperaturas, que ultrapassaram os 40°C em várias regiões do país.

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Segundo a SPF, cerca de 85% das mortes registadas dizem respeito a pessoas com 65 ou mais anos. Ainda assim, a agência sublinha que o aumento da mortalidade abrange todas as faixas etárias. A autoridade de saúde destaca também um aumento de cerca de 40% das mortes ocorridas em casa, sobretudo na região de Île-de-France.

No sábado, a ministra da Saúde francesa, Stéphanie Rist, já tinha alertado para um número de mortes “superior ao normal”. “Esta constatação serve como um lembrete da necessidade de [implementar] medidas para apoiar pessoas isoladas que vivenciam uma profunda solidão, inclusive em áreas altamente urbanizadas”, sublinhou a agência.

Esta vaga de calor durou 11 dias e é já considerada mais intensa do que a registada em 2003, uma das mais mortíferas da história recente de França. Em algumas regiões do país, na quarta e quinta-feira, as temperaturas foram as mais altas já registadas. O calor afetou a rede ferroviária, fechou escolas, provocou um aumento das vendas de aparelhos de ar condicionado e levou alguns moradores a cobrir as janelas com cobertores térmicos.

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A Europa é o continente que está a aquecer mais rapidamente no mundo, com as temperaturas a aumentarem duas vezes mais rapidamente do que a média global desde a década de 1980, de acordo com o Serviço de Alterações Climáticas Copernicus da União Europeia.

Nos últimos quatro anos, mais de 200 mil pessoas em toda a Europa morreram por causas relacionadas com o calor, e a maioria destas mortes era evitável, afirmou o gabinete da Organização Mundial da Saúde para a Europa.

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As temperaturas acima da média podem causar exaustão pelo calor e insolação com risco de vida. Os cientistas alertam que as alterações climáticas estão a agravar a frequência e a intensidade do calor e da seca, especialmente no sudeste da Europa, tornando a região mais vulnerável aos impactos na saúde e aos incêndios florestais.