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Lufthansa aposta em Santa Maria da Feira de olhos na TAP. "Somos o melhor parceiro, mas vamos respeitar a escolha do Governo"

CEO do Grupo Lufthansa diz estar pronto para assumir a TAP imediatamente. Companhia alemã quer criar 700 postos de trabalho em Santa Maria da Feira, em investimento na ordem dos 300 milhões de euros.

O primeiro-ministro, Luís Montenegro (C), Carsten Spohr (2-D), CEO da Lufthansa, e o ministro da Economia e da Coesão Territorial de Portugal, Manuel Castro Almeida (D), durante o lançamento das novas instalações da Lufthansa Technik Portugal, em Santa Maria da Feira, 29 de junho de 2026. JOSÉ COELHO/LUSA
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▲O CEO do grupo de aviação alemão está confiante que a TAP será a melhor parceira para a companhia alemã

JOSÉ COELHO/LUSA

▲O CEO do grupo de aviação alemão está confiante que a TAP será a melhor parceira para a companhia alemã

JOSÉ COELHO/LUSA

O diretor-executivo do Grupo Lufthansa revelou esta segunda-feira que a fábrica da marca em Santa Maria da Feira, cuja primeira pedra foi lançada esta manhã, já tem 300 pessoas em formação e deverá executar o seu primeiro serviço em 2028. Em Portugal, Carsten Spohr não passou ao lado do tema da privatização da TAP e mostrou-se disponível para assumir de imediato a gestão da companhia aérea.

O CEO da Lufthansa falou em conferência de imprensa aos jornalistas antes da visita com o primeiro-ministro ao terreno de cerca de 230.000 metros quadrados onde a fábrica de 55.000 metros se dedicará à reparação e manutenção de componentes de aeronaves.

“Já contratámos 300 pessoas até agora”, disse o responsável do grupo, referindo que esses profissionais estão a receber formação especializada em Santa Maria da Feira — em espaços ocupados para o efeito no Parque Empresarial de Recuperação de Materiais — e que o número total de recrutamentos deverá chegar aos 700 até 2030.

Quanto ao início da laboração, Carsten Spohr acredita que a construção da Lufthansa Technik ficará concluída rapidamente e adianta: “O primeiro produto a sair destas instalações, tratado por pessoas que treinámos, sairá da unidade em 2028”.

O investimento anda na ordem dos “300 milhões de euros”, mas o empresário alemão salienta que, mais importante do que o aspeto financeiro, é o “valor” do projeto global. “É um compromisso com Portugal enquanto parceiro estratégico”, diz Carsten Spohr. “Somos o grupo de aviação número 1 na Europa, estamos no top mundial e agora olhamos para Portugal pelo seu potencial como um grande parceiro”, acrescenta.

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AFP via Getty Images

Lufthansa equaciona criar escola de pilotos em Portugal

O diretor da Lufthansa refere-se não apenas à unidade industrial em construção na Feira, mas também ao lançamento, esta segunda-feira, da Help Alliance Portugal, que é a primeira organização de cariz social que o grupo lança fora da Alemanha, e ainda à eventual criação de uma escola de pilotos em território luso, hipótese já apoiada pelo Governo português — e que ficaria sob tutela da Força Aérea Alemã, embora também aberta à formação de profissionais de outros países aliados.

“A aviação é um dos setores em maior crescimento fora das tecnologias de informação”, realça Carsten Spohr, sobre a pertinência desse projeto de ensino para pilotos. Mas, a concretizar-se, a escola “não será em Lisboa” porque, se é verdade que um equipamento desses precisa de uma localização com boas condições climatéricas e isso não é problema em Portugal, onde há “bom tempo em todo o lado”, também é certo que uma estrutura destinada a formar pilotos exige “espaço para treinar”.

Com a sua aposta generalizada no extremo oeste da Europa, o objetivo do Grupo Lufthansa é melhorar a sua ligação ao outro lado do Atlântico e encurtar os voos dos seus passageiros: “Portugal é uma porta de entrada para o Brasil e, em termos geográficos, está perfeitamente localizado para os nossos planos de alargamento à América. Acreditamos muito no futuro do Brasil, da América Latina e na capacidade do Grupo Lufthansa para ter ‘hubs’ não apenas na Europa — também em África e em mercados próximos do europeu”.

“Somos o melhor parceiro para a TAP”

Com 50 voos todos os dias a partir de Portugal, mais de 500 empregos nas várias empresas do grupo que operam no país e a adquirir “um avião por semana” apesar das atuais carências no fornecimento de aeronaves, Carsten Spohr aponta a eventual aquisição da TAP como mais um passo no sentido do reforço internacional da marca.

Afirmando que o Governo português tem a decorrer “um processo muito profissional para conseguir o parceiro certo” para a companhia área nacional, o diretor do Grupo Lufthansa declara: “Temos os meios financeiros para investir e podemos providenciar os passageiros. Estamos confiantes de que somos o melhor parceiro para a TAP, mas vamos respeitar a escolha do governo português e a decisão é dele“.

Questionado sobre quando teria disponibilidade para assumir a liderança da TAP, respondeu: “Se o primeiro-ministro quiser, começo esta tarde”.

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