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Quando chega finalmente o alívio? Temperaturas caem 11 graus numa semana, mas o "fresco" não chega a todo o lado ao mesmo tempo

É já a partir de quinta-feira que o país vai respirar um pouco de alívio com o ar fresco a entrar pelo Atlântico Norte e a acabar com esta onda de calor extremo. Quem vai sofrer, de novo, é a França.

As temperaturas já relativamente mais baixas, sobretudo no litoral, quinta-feira à tarde, segundo o Windy.com
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▲As temperaturas já relativamente mais baixas, sobretudo no litoral, quinta-feira à tarde, segundo o Windy.com

▲As temperaturas já relativamente mais baixas, sobretudo no litoral, quinta-feira à tarde, segundo o Windy.com

Depois de vários dias com temperaturas acima dos 40ºC, noites tropicais e tórridas e uma sucessão de avisos vermelhos, vem aí algum alívio já a partir de quinta-feira e até ao fim de semana. Não chega a todo o lado ao mesmo tempo, nem vem aí aquilo a que se possa realmente chamar tempo fresco – estamos em julho e continuaremos a falar de temperaturas de verão –, mas o país vai despedir-se, pelo menos temporariamente, do verdadeiro “forno ibérico” que marcou os últimos dias.

A mudança já começou a notar-se em algumas regiões do norte e do litoral, mas será a partir de quinta-feira que o alívio se tornará mais evidente em grande parte do continente. E com quedas a pique em muitos pontos do país. Em vários distritos, os termómetros vão perder entre oito e onze graus em menos de uma semana, uma descida muito significativa para esta altura do ano, embora face ao calor sufocante e extremo, aquilo a que vamos assistir é aos valores normais para a época do ano.

E há outro sinal de mudança que muitos portugueses agradecerão: as noites também vão arrefecer. Depois de vários dias em que algumas localidades não desceram dos 25 a 27ºC durante a madrugada, muitas regiões vão voltar a ter mínimas entre os 15 e os 18 graus, permitindo algum descanso térmico.

Tudo isto porque o anticiclone dos Açores vai mudar um bocadinho de sítio, de cima de nós, onde tem estado bem acomodado e com grande robustez, para ficar mais fraco e se mudar para perto das Ilhas Britânicas. Portugal vê assim abrir-se a portinhola do Atlântico, que estava bem trancada pelo anticiclone que, na posição anterior, só tinha escancarada a porta do sul, por onde entraram estas massas de ar quente do Norte de África.

Temperaturas vão cair até 11ºC. Mas só a partir de quinta

Com a mudança, uma depressão em altitude, muito semelhante à que afastou a onda de calor de junho do nosso país, já que manteve o litoral fresco e empurrou os ventos quentes para o interior e para Espanha e França, pode também exercer durante alguns dias a mesma função. Mas é ainda muito cedo para fazer essas previsões. Fiquemos para já pelo ar fresquinho que nos traz.

Onde se vai sentir mais a descida?

As maiores quedas de temperatura deverão ocorrer no interior do país e em algumas regiões do centro e sul. Aliás, o país vai ficar dividido quase em quatro, com o litoral e o norte bem mais frios e o interior e sul ainda quentes.

Porque convém relativizar. Uma máxima de 30 ou 32 graus continua a ser uma temperatura alta. A diferença é que deixaremos de falar de um episódio de calor extremo, com valores excecionais e várias noites seguidas sem verdadeiro arrefecimento.

Porque é que o tempo vai mudar?

A resposta está a milhares de quilómetros, no Atlântico Norte. Durante os últimos dias, o anticiclone dos Açores esteve robusto e bem posicionado a oeste e noroeste da Península Ibérica, funcionando como uma espécie de muro atmosférico. Essa configuração bloqueou a entrada de massas de ar mais fresco vindas do Atlântico e do norte da Europa e ajudou a instalar uma verdadeira cúpula de calor sobre Portugal e Espanha.

Ao mesmo tempo, uma massa de ar muito quente vinda do Norte de África foi sendo continuamente transportada para a Península Ibérica. A forte insolação desta época do ano e os solos muito secos fizeram o resto. Os meteorologistas chamam-lhe o “forno ibérico”: os solos aquecem rapidamente durante o dia e libertam o calor lentamente durante a noite. A panela nunca chega verdadeiramente a arrefecer. O dia seguinte começa já quente e bastam algumas horas de sol para as temperaturas dispararem de novo.

Mas agora o padrão atmosférico está a mudar. Segundo o modelo europeu ECMWF, o núcleo do anticiclone dos Açores está a deslocar-se gradualmente para norte, aproximando-se das Ilhas Britânicas. Esta alteração enfraquece o bloqueio atmosférico sobre Portugal e permite a entrada de ar mais fresco pelo Atlântico. Na prática, abre-se finalmente uma porta ao oceano. Os ventos rodam para noroeste, regressa a influência marítima e as temperaturas começam a descer, primeiro no litoral e no norte e, mais lentamente, no interior e no sul.

O calor desaparece?

Em meteorologia, o calor extremo raramente desaparece de um dia para o outro. Desloca-se. E é precisamente isso que deverá acontecer nos próximos dias. À medida que Portugal vai desligando o forno, a massa de ar mais quente deverá deslocar-se para Espanha e, depois, para França, onde os modelos continuam a prever temperaturas muito elevadas e novas vagas de calor: os franceses foram as maiores vítimas da onda de junho.

Segundo a Météo-France, as temperaturas poderão voltar a atingir 36 a 38ºC e localmente aproximar-se dos 40ºC, incluindo no sul, oeste e até na região parisiense. O climatólogo Davide Faranda admite mesmo que a próxima semana possa trazer um novo pico de calor em França, embora menos extremo do que o episódio histórico de junho. Mas uma das etapas do Tour de France teve de ser adaptada pelas autoridades e pela organização devido às temperaturas excecionalmente elevadas e ao risco para ciclistas, equipas e público.

Por outras palavras, Portugal começa finalmente a desligar o forno, mas a bolha de calor não desaparece. Está apenas a seguir para o centro da Europa. No entanto, não se devem bater os recordes de junho.

Depois de tantos dias acima dos 40 graus e de madrugadas em que algumas localidades não desceram dos 25 ou 27 graus, uma máxima de 30 ou 32 graus poderá nem parecer verão em Portugal. Mas o verão de 2026 está a mostrar uma espécie de efeito dominó atmosférico: quando um país sai do centro da onda de calor, outro entra. Desta vez, Portugal começa a respirar de alívio, mas Espanha e, sobretudo, França podem voltar a ser os próximos a suar.

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