Chamam-lhe um monstro. Um supertufão. Mas não é o maior da história. Faltaram-lhe 19 quilómetros por hora de ventos para o Champi ficar ao lado dos tufões com os valores mais intensos da era moderna. E o ‘faltaram-lhe’ está no passado porque o Champi já está a perder intensidade à medida que se aproxima e ameaça Taiwan (e depois o Japão) com chuva torrencial, ondas de mais de seis metros e graves riscos de inundações.

Mas o Champi é o tufão mais forte de 2026 — até agora. Isto se se contabilizar a velocidade máxima dos ventos sustentados, 296 km/h, com rajadas que chegaram a 361 km/h, o que o fez com que atingisse a categoria máxima, 5, que quantifica uma intensidade excecional, capaz de provocar destruição generalizada. Mas ser o maior, o mais intenso e o mais destrutivo são coisas muito diferentes. De acordo com os registos, o Tufão Tip, em 1979, é a referência, por ser o recordista na pressão atmosférica mínima, com 870 hPa, que mostra a força de um tufão, e também um dos maiores em dimensão. Depois, em 2015, o furacão Patricia, no Atlântico, atingiu ventos sustentados estimados de 345 km/h, de acordo com a NOAA.

O Champi não ultrapassou nenhum destes recordes. Por isso, nem é o maior tufão, nem o maior ciclone, nem o maior furacão, expressões que significam exatamente o mesmo fenómeno: o nome muda apenas consoante o local onde acontece: tufão no Pacífico Noroeste; furacão no Atlântico e Pacífico Nordeste; e ciclone tropical no Índico e Pacífico Sul. Só os ciclones tropicais é que nem todos podem ser furacões ou tufões: precisam de atingir determinada intensidade de ventos.

O Champi começou por causar enormes danos em Guam, onde houve cortes de eletricidade e no abastecimento de água. Depois causou estragos nas Filipinas. À chegada a Taiwan, a caminho do Japão, a previsão aponta até 900 mm (900 litros por metro quadrado) de precipitação nas zonas montanhosas, ondas superiores a seis metros e risco de inundações.

Este ano o Pacífico Noroeste já teve dez supertufões, perto do recorde de 13, que é de 2015. Trata-se do dobro da média. Os tufões podem ocorrer durante todo o ano, mas são mais frequentes entre o verão e o outono. No Pacífico, junto ao México e à Califórnia, houve 12 furacões, dez deles de categoria 3 ou superior, e três de categoria 5: o Genevieve, o Lowell e o Polo, o pior deles, com ventos sustentados de aproximadamente 287 km/h. Já no Atlântico Norte, houve nove tempestades nomeadas, mas apenas um único furacão, um recorde histórico, o Isaías, de categoria 3, que acaba de atingir a Islândia há dias como tempestade.

O El Niño tem alimentado a atividade no Pacífico e favorecido a formação de ciclones mais a leste: ganham força ao andar grandes distâncias por águas muito quentes. Já no Atlântico, a energia acumulada está 84% abaixo da referência climatológica indicada pela NOAA/NHC para esta época do ano, mas a época atlântica só termina oficialmente a 30 de novembro (e já houve furacões até janeiro).