O Presidente da CIP questionou esta terça-feira o valor acrescentado que o aumento da população portuguesa por via da imigração trouxe à economia do país, num debate com Paulo Macedo, nas jornadas parlamentares da AD, com o mote de preparar o Debate da Nação de 16 de julho para as áreas da economia e finanças. “Abrimos a porta sem termos em conta as necessidades da economia, sem olhar para as qualificações. Como é possível que com mais um milhão de pessoas o PIB não mudou? Quer dizer que somos mais um milhão a fazer o mesmo.”

O presidente da CIP assinalou que a produtividade em Portugal não é inferior à média europeia em determinados setores, mas é evidente em setores como a construção civil ou o turismo, que acomodaram grande parte dos imigrantes e estiveram na base crescimento da economia portuguesa nos últimos anos. Armindo Monteiro defendeu que o aumento da produtividade deve ser a forma de promover o aumento dos salários e não através de decretos, porque esses apenas podem aumentar o SMN.

Hugo Soares aproveitou a presença do presidente da CIP para elogiar o seu papel na negociação do pacote laboral, depois de Armindo Monteiro ter dito que a concertação social foi o palco de uma “luta político-partidária” durante a discussão da medida. Para terminar a sua intervenção, o líder parlamentar do PSD pediu ajuda a Armindo Monteiro e a Paulo Macedo, depois de admitir que a reforma laboral foi “tantas vezes mal explicada” pela AD. “Precisamos de quem nos ajude a explicar as políticas do governo de forma simples”, reconheceu.

Paulo Macedo: “Próxima década decidirá se Portugal converge ou estagna.”

Depois de ser elogiado, Armindo Monteiro também deixou um elogio público ao seu colega de painel. O presidente da CIP elegeu Paulo Macedo como o “melhor gestor da sua geração” e sublinhou que a Caixa Geral de Depósitos (CGD) é uma empresa pública “da qual ultimamente só nos chegam boas notícias”.

Na sua intervenção, Paulo Macedo, atual CEO da CGD, avaliou positivamente o cenário macroeconómico português sublinhando que “tem havido uma convergência, mas que é abaixo do que gostaríamos”. Uma banca mais sólida, a diminuição da dívida pública e a diminuição do endividamento do setor privado são fatores que contribuíram para o comportamento positivo da economia, explicou.

Paulo Macedo acredita que se criaram as condições para o país fazer uma convergência mais efetiva com o resto da Europa, mas avisou que “a próxima década decidirá se Portugal converge ou estagna.” O presidente da comissão executiva da CGD também abordou as previsões do Banco de Portugal para um retorno aos défices em 2027 e 2028. “Temos que fazer um balanceamento. Os défices não são necessariamente maus, desde que gerem um investimento virtuoso”, defendeu.

Para efetivar o potencial de crescimento, Paulo Macedo defende que é necessário melhorar a produtividade de modo a diminuir o diferencial em relação às melhores economias da UE e, particularmente, aos EUA. Mesmo reconhecendo que a Inteligência Artificial será a grande alavanca da produtividade no futuro próximo, Macedo afirma que a Europa “tem de fazer outro tipo de investimentos” para aumentar a produtividade, visto que é nos EUA que há maiores avanços na IA. “Não significa tirar as pessoas do turismo, significa criar outros postos de trabalho além do turismo.”

O antigo ministro do governo de Pedro Passos Coelho propôs uma aposta em dar “habilitações adicionais” aos trabalhadores a partir dos 35 anos, através de microcredenciações e outros cursos profissionais, porque é a partir dessa idade que Portugal deixa de estar a par da média europeia. Por fim, Paulo Macedo defendeu que é imperativo aumentar os salários dos gestores públicos para “atrair os melhores” para o Estado e, para esse efeito, terminar a sua indexação à remuneração dos políticos. “As remunerações dos dirigentes públicos têm de estar desligadas dos dirigentes políticos. Acho que ambas devem ser aumentadas, mas não sei se temos condições para isso.”