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Vítimas de Epstein acusam antiga assistente de mentir em depoimento no Congresso dos EUA

Lesley Groff trabalhou por 20 anos para Epstein a agendar massagens e viagens no jato privado do milionário, mas alega nunca ter encontrado nenhuma das raparigas ou ter acesso às suas idades.

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Patrick McMullan via Getty Image

Patrick McMullan via Getty Image

“Nunca conheci estas mulheres, não sabia se eram jovens ou que idade tinham“, afirmou em junho, perante a Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes, a principal assistente de Jeffrey Epstein, Lesley Groff, que trabalhou para o milionário por quase 20 anos. Entretanto, de acordo com pelo menos seis alegadas vítimas, Groff terá mentido. “Temos tantas pessoas a mentir e dizer que não sabiam ou não se lembram. Podemos ter pelo menos uma pessoa a assumir a responsabilidade e ser completamente transparente?”, questionou Marina Lacerda, uma das vítimas ouvidas pela CNN.

“Encontrou-se comigo e com as minhas amigas, pelo menos três ou quatro”, afirmou Lacerda, que tinha 14 anos quando terá conhecido Epstein, em 2002. A mulher diz que esteve com Groff várias vezes ao longo dos anos em que fez parte da rede de tráfico sexual do milionário. A assistente ligava-lhe a perguntar detalhes sobre novas raparigas que seriam levadas a Epstein, e a vítima assinala que Groff sabia das preferências do chefe por “mulheres mais jovens” — tanto que terá pedido a Lacerda e às amigas que levassem os documentos de identificação às sessões. “Perguntava-me: ‘Como é a rapariga? De onde vem? Quantos anos tem?'”, revelou a alegada vítima. Na Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes, Lesley Groff disse mais de uma vez que “nunca se encontrou” com as mulheres e “não sabia que Epstein recebia massagens de menores”. “Achava que era parte normal do seu dia. Para mim, era como um luxo”, afirmou, comparando as “massagens” a um momento rotineiro, como “ir ao ginásio”.

Outra mulher, Sharlene Rochard, garantiu que era uma jovem modelo a trabalhar em Nova Iorque quando conheceu Epstein, no início dos anos 2000. A vítima afirmou não ser possível Groff não saber a sua idade, porque foi a assistente a planear as viagens internacionais que fez com o milionário. “É claro que sabia quantos anos eu tinha porque ela tinha acesso ao meu passaporte para agendar os bilhetes de avião”, acusou. Entretanto, na entrevista perante o Congresso, Groff rejeitou ter lidado com documentos de identidade. “Talvez tenha visto uma fotografia de um passaporte, mas nunca tive nada a ver com os seus passaportes”, afirmou Groff, apesar de se contradizer ao confirmar ter agendado viagens para algumas raparigas, e, neste caso, ter acesso às suas datas de nascimento. “Sim. Saberia na altura, claro”, respondeu, para depois negar ter comprado bilhetes para mulheres com menos de 18 anos.

Lara Blume McGee e Lisa Phillips também confirmam à CNN terem-se encontrado pessoalmente com Lesley Groff, enquanto uma vítima, que fala sob anonimato, relatou como eram as interações com a assistente: “Quando entravas na casa dele, em Nova Iorque, logo à esquerda do hall de entrada, ficava o pequeno escritório com área de estar onde ela estava sempre. Às vezes, cumprimentava-nos enquanto esperávamos sentadas — as cadeiras ficavam de frente para ela — então eu sempre puxava conversa.”

Um porta-voz da Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes disse à CNN que os membros estão “atualmente a analisar a transcrição do depoimento da Sra. Groff em comparação com as evidências disponíveis. Acolhemos com satisfação quaisquer evidências adicionais de indivíduos que possuam informações”.

200 mil euros por ano para administrar a agenda do criminoso sexual

Lesley Groff trabalhou como assistente do milionário por 20 anos e é citada centenas de milhares de vezes nos ficheiros divulgados desde o ano passado, especialmente emails. Pelo trabalho, recebia mais de 200 mil euros por ano e benefícios como idas ao cabeleireiro, viagens no jato privado e um carro Mercedes-Benz.

Era ela que agendava a maioria dos compromissos de Epstein e trocava mensagens com os principais contactos do milionário para combinar datas e locais, além de organizar documentos e às vezes pagamentos. Em 2013, numa troca de emails, uma pessoa que teve o nome rasurado questionou Groff: “Olá! Queria apresentar Jeffrey a uma amiga. Pode pedir que me ligue, por favor?” A assistente respondeu: “Sim, claro”. Dias mais tarde, é Groff a marcar o encontro. “Jeffrey está a perguntar se pode ser às 14h”. Em sua defesa, perante os deputados norte-americanos, alegou que “o Sr. Epstein foi um mestre da manipulação e do engano, que separava a sua vida legítima da sua vida secreta como abusador e garantia que eu, enquanto a sua secretária, não permitisse que esses dois mundos colidissem.”

▲ Lesley Groff aparece em vários documentos da investigação como uma das principais funcionárias de Epstein

A assistente também aparece em vários documentos da investigação que resultou na prisão de Epstein em 2008. Groff é listada como “suspeita de coconspiração” — no acordo assinado em 2007, a polícia concordou em não apresentar queixas criminais contra a assistente e outras potenciais conspiradoras no caso. A cúmplice de Epstein, Ghislaine Maxwell, é a única pessoa que foi processada nos EUA no âmbito deste caso e o Departamento de Justiça diz que não há provas suficientes para apresentar outras acusações.

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