O líder do PSD/Madeira, Miguel Albuquerque, disse este domingo que os madeirenses querem “respeito e consideração” da República, exigiu a resolução dos dossiês pendentes e assegurou que o partido regional não vai “fazer fretes”.
“Independentemente do que queiram fazer, estabelecemos as ligações ao Governo nacional. O que nós queremos é ser tratados com respeito e consideração. Precisamos de ser ouvidos. Os dossiês da Madeira têm de ser resolvidos”, declarou o presidente dos sociais-democratas na tradicional festa anual do PSD/Madeira, na herdade do Chão da Lagoa (arredores do Funchal), onde se reuniram milhares de pessoas.
Albuquerque subiu ao palco ao som do “Madeira és livre e livre serás, cobiça tão linda no mundo não há” e com o mote “nós só queremos Miguel a presidente”.
“Faço hoje um apelo ao Governo da Republica para que olhe para a Madeira como parte importantíssima de Portugal”, adiantou, argumentando que a República tem de tratar a Madeira como “uma região portuguesa que tem todos os direitos constitucionais”.
O presidente regional exigiu um tratamento “com respeito e equidade”, apontando que acabaram “as ilhas adjacentes” porque a Madeira “está no centro do mundo” e acrescentou: “Nós não admitimos ser discriminados”.
Para Miguel Albuquerque, “a luta continua” por uma revisão constitucional que não discrimine a Região, sustentando que “o Estado tem de cumprir as suas obrigações para com a Madeira”.
“E não vale a pena esperarem da nossa parte cedências, nem conversa mole, nem geometrias variáveis”, alertou, vincando que os direitos e a liberdade dos madeirenses são “inegociáveis”.
“O PSD não está aqui para fazer fretes seja a quem for (…) estamos aqui para defender a Madeira”, realçou.
Albuquerque enfatizou ser necessário que os dossiês pendentes com a República sejam resolvidos, porque o que é mais expectável é que o atual Governo, também do PSD, “olhe para a Madeira e resolva os problemas”.
No seu entender, o Estado tem de “assumir de uma vez por todas” os custos e sobrecustos da Saúde, da Educação, da Proteção Civil.
Também criticou a “vergonhosa” Lei das Finanças Regionais, que disse ter de ser revista, o problema da mobilidade e a necessidade de uma revisão constitucional para que a Madeira tenha mais poder legislativo para “resolver os seus problemas específicos”.
Destacando que o PSD lidera a Madeira há 50 anos, indicou que o partido “não tem medo de enfrentar adversários políticos” e ao longo destas cinco décadas derrotou o comunismo, o socialismo e agora vai derrotar o “populismo histérico e choramingas”.
“Celebramos neste solo abençoado, terra do nosso partido, os 50 anos da autonomia política, de conquista, de luta, de combate político em prol do nosso povo, da defesa da liberdade dos madeirenses e da liberdade da Madeira”, declarou o também presidente do Governo Regional.
Na festa, que não teve a presença de qualquer dirigente nacional do PSD, discursaram também o presidente da Câmara do Funchal, Jorge Carvalho, visto ser o concelho onde se realiza a festa, o líder da JSD/Madeira e deputado regional, Bruno Melim, e o secretário-geral do PSD/Madeira, José Prada, que deixaram “uma palavra” e um “abraço de solidariedade” à comunidade na Venezuela” afetada pela tragédia devido ao sismo.
O líder da “jota” laranja madeirense recorreu ao lema “quem é que não acha que o PSD põe a Madeira em marcha” e apontou que “a melhoria das condições de vida é o desafio que só se consegue com mais autonomia”, garantido que na Região “ninguém se agacha a Lisboa”.
“Pela Madeira, contra Lisboa, marchar marchar!” e “Viva a Madeira livre!”, gritou Bruno Melim.
Já o secretário-geral, José Prada, responsável pela organização deste evento, mencionou que o ciclo político em curso no arquipélago “é agora mais calmo” para o PSD que ganha eleições “há mais de 50 anos” na região.
“Não é Lisboa que é uma mais-valia para esta festa, a mais-valia é o povo madeirense”, frisou.