Na antecipação do debate do Estado da Nação, o líder parlamentar do PSD prepara já o embate com a polémica do momento e diz que a recalendarização dos exames nacionais “não justifica” o “alarido da oposição”. Hugo Soares também olha para o futuro para assegurar que os sociais-democratas vão continuar a dialogar tanto com PS como com o Chega, ainda que critique a postura dos dois partidos até aqui. Uma posição que é acompanhada pelo parceiro de coligação, o CDS, com o líder parlamentar Paulo Núncio a acusar a oposição de procurar instabilidade.
Hugo Soares garante que “gostava que fosse possível que muitas vezes pudesse ter o apoio dos dois”, PS e Chega, mas acusa os dois partidos de “uma dose muito grande de infantilidade e imaturidade” e de não estarem “preparados para governar” porque “fazem birras constantes”. Também o líder parlamentar do CDS-PP acusou os partidos da oposição de criarem “uma enorme instabilidade no seu comportamento” e “mudarem muitas vezes de opinião”.
“Quando falo com uns, não podemos falar com outros. Quando falamos com outros, não podemos falar com aqueles. Faz muitas vezes lembrar aqueles meninos na escola primária que querem disputar um melhor amigo e que não percebem que a vida é isso mesmo, nós podemos ter relacionamentos com muita gente”, salientou Paulo Núncio, pedindo “maturidade, responsabilidade e menos aventureirismo por parte da oposição”.
Os dois líderes parlamentares dos partidos da AD esperam que a legislatura possa chegar até ao fim, pressionando a oposição. Hugo Soares acredita que o Governo e o PSD têm “demonstrado todas as semanas” uma “grande capacidade de governação” e defende “que o país quer que esta legislatura vá até ao fim”, apontando a estabilidade política como “um bem em si mesmo” e comprometendo-se a trabalhar “com humildade e com muita capacidade de diálogo para que isso possa acontecer”. Também Paulo Núncio disse que espera que o atual Executivo possa chegar ao fim da legislatura, até 2029, “porque só governando é que é possível fazer reformas e só fazendo reformas é que é possível melhorar o país e melhorar a vida das pessoas”.
Hugo Soares antecipa embate nos exames nacionais
Em declarações à agência Lusa a propósito do debate sobre o estado da Nação, que decorre na quinta-feira no Parlamento, Hugo Soares considerou que “quem não tiver o que apontar à análise global do estado da nação provavelmente vai usar esse tipo de casos e de circunstâncias pontuais”, como a polémica em torno da correção dos exames nacionais — que levou na terça-feira o Ministério da Educação a alargar o prazo para correção — ou as suspeitas em torno de obras do ministro da Administração Interna.
O secretário-geral do PSD admitiu que a novidade do processo de digitalização dos exames nacionais do ensino secundário trouxe “algumas dificuldades” e manifestou “total solidariedade e compreensão pelos transtornos” criados. Mas deixou críticas à oposição: “Estamos a falar de um atraso de três dias face àquilo que estava previsto [para a divulgação das notas]. Não me parece, com toda a franqueza, com muita humildade, que se justifique este alarido que os partidos da oposição quiseram montar à volta desta circunstância”, apontou.
O social-democrata acusou ainda os restantes partidos de aproveitarem este caso para “tentar manchar a imagem” do ministro da Educação, argumentando que Fernando Alexandre “tem a respeitabilidade quer dos portugueses, quer da comunidade escolar”. E defendeu que a digitalização dos exames nacionais do ensino secundário “é uma transformação importante para o sistema educativo, que visa mais justiça e igualdade para os estudantes, mas também facilitar a vida dos professores”.
Ainda numa análise global à situação do país, Hugo Soares defendeu que, quer o país, “quer as pessoas, que é o que verdadeiramente importa, estão melhores”. “Os portugueses sabem hoje que pagam menos impostos com este Governo, os portugueses sabem hoje que a economia portuguesa cresce acima da média da zona euro, os portugueses sabem hoje que na imigração, na segurança, nos serviços públicos, nós estamos manifestamente melhor do que aquilo que estávamos“, elencou.
Já o líder parlamentar do CDS-PP, Paulo Núncio, considerou que o país melhorou “em muitas áreas” e destacou desde logo a economia. “Podemos dizer com confiança que temos bons resultados para apresentar aos portugueses e o país está muito melhor do que esteve quando foi governado durante oito anos pelo PS”, defendeu o deputado, assinalando que “este Governo e esta maioria têm um espírito reformista, um ímpeto reformista, uma agenda reformista”.
“Foi possível reduzir a taxa de pobreza de 17% para 15%. São menos 119 mil pessoas em risco de pobreza, de todas as idades, mas em particular dos mais novos e dos mais idosos”, referiu. “Tivemos dois excedentes orçamentais consecutivos sem aumentar um único imposto, a dívida pública está em mínimos históricos, pelo menos nos últimos 15 anos, o emprego também está em máximos históricos e os salários continuam a subir bem acima da média da OCDE”, salientou ainda.