Um homem britânico foi detido esta terça-feira pelas autoridades em Londres, no Reino Unido, após ter feito ameaças de morte a Nigel Farage, líder do partido de direita radical Reform UK.

Em comunicado, citado pelo The Telegraph, a Polícia Metropolitana de Londres (Met) afirma que “na terça-feira, 14 de julho, um homem na casa dos 20 anos foi detido por agentes da Polícia Metropolitana sob suspeita de ter enviado mensagens ameaçadoras a um deputado. A detenção está relacionada com uma publicação nas redes sociais no início deste ano, que foi denunciada à polícia a 8 de maio”.

Segundo apurou o The Telegraph, a mensagem em causa foi publicada no X um dia depois das eleições locais, quando os votos ainda estavam a ser apurados, com o suspeito (que se autodenominou “terrorista” nessa rede social) a dizer a Farage: “Vou dar-te um tiro na cabeça se ganhares”.

O mesmo jornal adianta que a ameaça foi identificada pelas autoridades parlamentares e enviada à polícia para investigação, tornando-se a primeira vez que uma sinalização feita por Westminster a uma ameaça de morte contra o líder do Reform UK resulta numa detenção.

“Após receberem a denúncia, os detetives apresentaram um pedido a uma plataforma de redes sociais para obter acesso às informações de contacto do utilizador. Depois de as informações relevantes terem sido fornecidas aos detetives, o homem foi detido, com o apoio de agentes locais da Polícia Metropolitana, numa residência no sul de Londres”, termina a nota da Met Police, adiantando que o suspeito passou a noite sob custódia policial mas já “foi libertado sob fiança, aguardando novas investigações”.

Esta detenção ocorre cinco dias após a porta-voz do Reform UK para a imigração e a justiça, Ann Widdecombe, ter sido morta em sua casa em Devon. Este caso permanece sob investigação, sendo que está a ser tratado como um ataque direcionado à mulher de 78 anos, tendo passado para a responsabilidade da polícia de combate ao terrorismo. Numa primeira fase, as autoridades disseram não crer que houvesse motivações políticas para este assassinato, mas mudaram o foco após obterem “novas informações e provas”.

Morte de Ann Widdecombe investigada como terrorismo após “novas informações e provas”

Segundo o Telegraph, a morte de Widdecombe e o consequente pedido de vários deputados do Reform por melhores medidas de segurança precipitaram a atuação das autoridades, apesar de a ameaça já estar referenciada desde 8 de maio.

A BBC adianta que foi um gabinete da Met Police, o Parliamentary Liaison and Investigation Team (que se traduz, à letra, como “Equipa de Ligação Parlamentar e Investigação”), a comunicar a Farage a detenção do homem que o ameaçou.

O líder do Reform UK já reagiu, afirmando ao The Telegraph que “esta é a primeira vez que a polícia age de forma proativa em relação a uma publicação nas redes sociais, e espero que estejam a analisar as outras trezentas ou quatrocentas publicações semelhantes só deste ano”.

Farage há muito que se queixa de ser repetidamente alvo de ameaças, sem que as autoridades tomem as devidas precauções. “Se a polícia decidir agora agir para proteger as vidas de políticos em exercício e antigos políticos, então pelo menos algo de bom terá resultado da morte horrível da Ann”, afirmou.

Segundo o líder do Reform UK, além das ameaças recorrentes que vai recebendo, a sua casa foi alvo de um ataque com uma bomba incendiária em 2025. Nesse mesmo ano, Fayaz Khan, um imigrante afegão de 26 anos, foi condenado a cinco anos de prisão após publicar um vídeo na plataforma TikTok, no qual ameaçou que ia balear Farage quando chegasse ao Reino Unido.

Não se sabe qual é a nacionalidade do suspeito da mais recente ameaça a Farage, com o Telegraph a adiantar apenas que tinha uma imagem de perfil no X de um homem de origem asiática, que escreveu frases em hindi nessa mesma rede social e que se descreveu como um Liberal Democrata. Sabe-se também que, entre as medidas de coação aplicadas, estão a proibição de contactar Nigel Farage de forma direta ou indireta, de aproximar-se da zona do Palácio de Westminster e de utilizar redes sociais.

Farage é atualmente uma das figuras mais mediáticas e polarizantes do panorama político britânico, sendo efetivamente o líder da oposição em Westminster face ao governo trabalhista, encontrando-se à frente do partido de centro-esquerda nas intenções de voto desde abril de 2025.

No entanto, o líder do Reform UK foi alvo de controvérsia este ano por suspeitas quanto às suas finanças, não tendo declarado a receção de cinco milhões de libras doadas por um multimilionário antes das eleições de 2024. Como tal, renunciou ao mandato de deputado a 7 de julho, desencadeando eleições parciais no círculo que o elegeu em Clacton-on-Sea.

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