O último jogo oficial do Benfica foi a 16 de maio, há pouco mais de dois meses. De lá para cá, José Mourinho saiu para o Real Madrid na conclusão de uma novela que se arrastou por semanas, Marco Silva chegou do Fulham numa decisão que nunca foi segredo para ninguém e aconteceu o maior Campeonato do Mundo de sempre. Esta quinta-feira, pouco mais de dois meses depois do último jogo oficial, o Benfica começa a nova temporada.
A visita ao St. Gallen, a contar para uma segunda pré-eliminatória de acesso à Liga Europa que o Benfica não estava à espera de jogar e que só acontece porque o Torreense conquistou a Taça de Portugal contra o Sporting no Jamor, marca também a estreia oficial de Marco Silva como treinador dos encarnados — tudo durante um mercado de transferências que ainda está aberto e onde nada parece definido no plantel, principalmente no capítulo das saídas.
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O Benfica ainda treinou esta quarta-feira de manhã no Seixal, viajando depois para Zurique por volta das 14h40, em voo charter. Já na Suíça, a menos de 24 horas de um jogo importante nas ambições europeias da temporada dos encarnados, Marco Silva deu a primeira conferência de imprensa de antevisão como treinador do clube — e deixou bem claro que a alegada acessibilidade do adversário era mesmo uma simples visão teórica.
“Consideramos importante começar da melhor forma e sermos competitivos o suficiente tendo em conta o momento da temporada e a pré-temporada atípica que temos tido, por razões de começarmos a competir muito cedo, pela questão do Mundial também. Sermos competitivos e estarmos na próxima eliminatória é o nosso objetivo. Sabemos que é uma eliminatória com dois jogos, queremos e ambicionamos um bom jogo e um bom resultado amanhã, sabendo sempre que teremos um segundo jogo no Estádio da Luz”, começou por dizer o treinador na sala de imprensa do Sitterstadion.
Mais à frente, o técnico encarnado desvalorizou o facto de o Benfica ser favorito na eliminatória. “Para nós, e para quem anda no futebol há tanto tempo, e como se trabalha nos países, da nossa parte não existe isso. Nem por um segundo pensamos nesse aspeto. Quanto ao possível favoritismo, nós sabemos a grandeza do clube que representamos e teoricamente, no papel, há muita gente que pode ir por esse caminho e qualquer percentagem de favoritismo prova-se dentro do campo e não antecipadamente. Vamos defrontar um adversário que vem de uma temporada muito boa, pela forma como competiu no campeonato, na forma como competiu na Taça também e esta é a razão de estar a disputar esta eliminatória com o Benfica. Temos que ser sérios e profissionais, como é a nossa obrigação”, atirou.
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Naturalmente, e tendo em conta que António Silva tem sido insistentemente associado a uma saída para o Bournemouth depois da eliminatória contra o St. Gallen, Marco Silva desvalorizou o tema. “Se o António não estivesse com a cabeça naquilo que é o treino, a sua obrigação e o que representa ser atleta do Benfica não estaria sequer nos jogos de pré-temporada. E se esteve nos jogos de pré-temporada e se eu utilizei é porque os sinais que me foi dando, dia após dia nos treinos, é de que estava em condições de jogar nesses jogos e treinar no dia seguinte. Se algum atleta dá sinais de que não está comprometido com a sua profissão e com o clube que representa, que neste caso é o Benfica, não poderá estar presente no treino seguinte quanto mais no jogo seguinte”, explicou, falando também sobre a possibilidade de Trubin perder a titularidade na baliza.
“Em relação ao guarda-redes que vai ser titular, não vou revelar-lhe, como é lógico. Os jogadores vão saber amanhã quem vai ser titular e, naturalmente, chegará o vosso momento de o saberem também. Em relação ao mercado, para o Trubin, e para qualquer um dos nossos atletas, não irei comentar. Começou a sua questão a dizer que se tem falado muito, mas certamente que não é da nossa parte, portanto, não sendo da nossa parte, não vou fazer qualquer comentário. Se não, não fazia mais nada durante a pré-temporada ou até mesmo durante a temporada, só comentava rumores. O nosso foco e todo o nosso profissionalismo e seriedade com que olhamos para esta competição, não posso estar aqui a desviar, não o iria fazer de qualquer forma, esse foco e estar aqui a falar de rumores e esse tipo de questões”, concluiu.
Numa outra pergunta, o treinador encarnado falou sobre o facto de o Benfica estar a competir e a jogar apuramentos para a Liga Europa numa altura em que o mercado de transferências ainda está aberto. “Mas não é só connosco. A grande questão aqui é que estamos a 22 de julho e vamos competir, o que não é muito normal e habitual num clube como o Benfica. Isso é a única diferença. Saídas, entradas, rumores ou aquisições de atletas acabam por ser um processo natural das pré-épocas dos clubes de futebol. No nosso caso, os treinadores preferem que tudo aconteça muito rápido, que o plantel estivesse formado e todos os jogadores a trabalharem logo no primeiro dia da pré-temporada, é quase impossível que aconteça a nível mundial. Para nós este ano foi ainda mais diferente pelos jogadores que estiveram no Campeonato do Mundo e que vão chegando a conta-gotas é a única grande diferença neste momento em relação ao que seria começarmos a competir. Como o presidente falou, entradas ainda irão acontecer no plantel”, lembrou, revelando também que Tomás Araújo e Amar Dedic, apesar de terem viajado para a Suíça, “não estão em condições de começar o jogo”.
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Sobre Leandro Barreiro, que não viajou para a Suíça por estar a recuperar de uma infeção respiratória, Marco Silva não escondeu o peso da ausência, mas lembrou que o plantel tem soluções. “Esta é daquelas questões que para vocês não será muito difícil, as opções não são muitas para uma vaga que nós não esperávamos. É um atleta que normalmente está sempre presente, que não tem um passado muito grande de lesões, uma doença um pouco diferente depois do jogo da última sexta-feira. No princípio da semana não se sentiu muito bem. É uma baixa para nós, atendendo também ao número limitado de soluções que temos na zona do meio-campo, mas como eu disse há pouco a uma colega sua, é sempre uma oportunidade para quem entrar na equipa e é nestes momentos que se vê claramente que a capacidade para se agarrar a oportunidade. Iremos entrar com um onze, é cliché, mas é realidade, e esperemos que o jogador que entre no onze dê a resposta que tem de dar. Eu acredito imenso que irá dar, mas amanhã veremos”, garantiu.
Por fim, numa pergunta mais sobre o jogo em si e as dificuldades que o St. Gallen pode impor, o treinador sublinhou a capacidade física do adversário. “É uma equipa física, uma equipa que naturalmente no seu campeonato e mesmo nos jogos que já fez na pré-temporada, que é uma equipa que gosta de pressionar no campo todo e uma equipa que leva o jogo para muitos duelos individuais e marcações individuais em momentos em que não tem bola e sempre muito direta após ganhar. É uma equipa que procura sempre o jogo direto, com uma dupla de avançados a procurar sempre a profundidade, teremos de estar atentos a esse momento. Teremos de tentar impor o nosso jogo. De certeza que o jogo irá começar dessa forma, com uma equipa a tentar pressionar-nos no campo todo. É uma das grandes características do nosso adversário para amanhã e temos de demonstrar capacidade de bater essa primeira pressão do adversário, que acreditamos que será forte, principalmente nos primeiros momentos do jogo”, concluiu.
Já mesmo na reta final da conferência de imprensa, questionado sobre como se sentia por ser o sucessor de José Mourinho num “clube muito grande” como é o Benfica, Marco Silva foi peremptório: “Sinto-me como o treinador do Benfica e a preparar o jogo de amanhã”, afirmou.
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De recordar que, no atual mercado de transferências, o Benfica já contratou Clément Lenglet, central francês que estava no Atl. Madrid e que chegou por empréstimo com uma cláusula de compra obrigatória, Jakub Kaminski, avançado polaco que pertencia ao Wolfsburgo e que custou 17 milhões de euros, e ainda Jhon Durán, avançado colombiano do Al Nassr que veio por empréstimo, com uma taxa associada de 6,1 milhões e uma opção de compra de 30 milhões no final da temporada.
Em sentido contrário, Otamendi saiu a custo zero para o River Plate e Sidny Lopes Cabral foi vendido ao Trabzonspor por cerca de sete milhões de euros, sendo que António Silva deve ser o próximo a deixar a Luz, rumo ao Bournemouth da Premier League, por um valor a rondar os 25 milhões.
O Benfica defronta o St. Gallen esta quinta-feira, a partir das 19h, sendo que a segunda mão está marcada para a próxima semana, a 30 de julho (20h). Jhon Durán, Gianluca Prestianni e Leandro Barreiro não viajaram para a Suíça, para além de alguns dos internacionais que estiveram no Mundial 2026: o avançado ainda não está inscrito nas provas europeias, sendo que já conta para a segunda mão, o argentino está castigado na sequência do episódio com Vinícius e o luxemburguês está a recuperar de uma infeção respiratória.