Uma distinção que tem muito do que se passou na última temporada, um momento para começar a lançar também a nova época. André Villas-Boas, presidente do FC Porto, recebeu na manhã desta quarta-feira a Medalha de Mérito da Cidade do Porto das mãos do líder autárquico, Pedro Duarte, mas falou também à margem da cerimónia na Câmara Municipal do Porto sobre vários assuntos entre mercado, Campeonato e, mais uma vez, a demissão de Duarte Gomes de Diretor Técnico Nacional da Arbitragem da Federação. E foi nesse ponto que voltou a apontar a mira também ao setor perante o que se passou na época de 2025/26.

“A demissão é grave, nomeadamente as acusações que Duarte Gomes supostamente atribui a um manuseamento de processos de influência por parte de Luciano Gonçalves, que desconheço se são verdade ou não. Depois a proteção da honra e reputação de Luciano Gonçalves, pois as acusações são graves, tal como a demissão. O FC Porto alertou para a gestão bicéfala do organismo. É um processo que não está terminado. Convinha o presidente da FPF tomar uma decisão pública. O mérito individual de João Pinheiro em ter estado no Mundial não pode ser extensível à quantidade de erros que se passaram no Campeonato anterior e essa é uma responsabilidade maior de Duarte Gomes e Luciano Gonçalves, que até agora ficam por esclarecer como permitiram ter um Campeonato tão influenciado por erros de arbitragem”, criticou.

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Há três semanas, aí através de um comunicado oficial partilhado no site oficial do clube, os azuis e brancos já tinham pedido esclarecimentos não só pela demissão de Duarte Gomes mas também, ou sobretudo, pelos factos que foram relatados pelo antigo dirigente. “O FC Porto acompanha com profunda preocupação e consternação os factos recentemente tornados públicos relativamente ao setor da arbitragem e à saída de Duarte Gomes do cargo de Diretor Técnico Nacional de Arbitragem da FPF, bem como a informação de que o processo terá sido remetido para o Ministério Público. Sem prejuízo do necessário apuramento rigoroso dos factos pelas instâncias competentes, e sem antecipar qualquer conclusão, a gravidade institucional das denúncias agora conhecidas impõe transparência, responsabilidade e respostas urgentes. A arbitragem é um pilar essencial da credibilidade das competições e o futebol português não pode aceitar que o silêncio substitua os esclarecimentos que clubes, árbitros, demais agentes desportivos e adeptos têm o direito de conhecer”, tinham apontado os dragões nesse texto publicado a 1 de julho.

“Ao longo da última temporada, o FC Porto realizou diversos alertas públicos de apreensão sobre o modelo de funcionamento do atual Conselho de Arbitragem e sobre o modo como o mesmo estava a afetar o sereno funcionamento das competições e a criar instabilidade nas tomadas de decisão dos árbitros em campo. O tempo confirmou essas preocupações. Exige-se, por isso, ao presidente da Federação, Pedro Proença, até pelo seu reconhecido passado como árbitro de referência, uma ponderação profunda sobre o estado da arbitragem em Portugal, uma avaliação sobre as suas escolhas para liderar o setor e uma intervenção institucional no sentido de garantir a tranquilidade necessária no arranque das competições nesta temporada. O FC Porto aguardará que o presidente do Conselho de Arbitragem preste, com a maior urgência, os esclarecimentos devidos sobre os factos agora conhecidos. A credibilidade das competições exige respostas claras, instituições fortes e arbitragem acima de qualquer suspeita”, acrescentaram os portistas.

André Villas-Boas abordou também as movimentações do FC Porto num mercado que tem sido até agora muito calmo no Dragão, assegurando que não existirá nenhuma surpresa preparada para o encontro de apresentação aos sócios do próximo sábado, com o Aston Villa, como aconteceu em 2025 com Luuk de Jong, avançado neerlandês que surgiu de surpresa no anúncio dos jogadores antes do jogo com o Atl. Madrid.

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“Mercado? Está tudo tranquilo… O objetivo do FC Porto é manter a sua base depois de um ano de muito sucesso e reforçar nos pontos necessários, como temos feito. O FC Porto está sujeito ao mercado, como qualquer clube, mas as coisas estão tranquilas. Diogo Costa? Não recebemos nenhuma proposta nem aproximação. Foi claramente o melhor guarda-redes do Mundial e estamos muito agradecidos que continue no FC Porto. Samu? O tema mais sensível é a gestão dos processos de recuperação do Samu, um dos ativos mais importantes do clube. Essa gestão da recuperação poderá trazê-lo de volta em novembro e é sobre essa decisão que temos de decidir, se há necessidade de ir ao mercado”, admitiu o líder dos azuis e brancos.

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“Surpresa na apresentação? Infelizmente não, há coisas no menu que não se podem repetir. A novidade é manter uma base forte para conquistar o título. Sobre o Eustáquio, temos uma conversa aberta com o jogador, que está à procura de soluções no mercado e o FC Porto sabe disso, respeita a decisão do jogador. Se terminar o mercado e o jogador estiver connosco, estaremos tranquilos”, acrescentou, antes de deixar também em aberto a possibilidade de Diogo Costa aceitar o repto lançado na última época e passar a jogar com o número 2 em homenagem a Jorge Costa: “Vamos ver, a apresentação é no sábado e poderão ver aí. Para nós, seria um orgulho enorme que ele [Diogo Costa] o fizesse, pela carga emocional e histórica”.

Já sobre a Seleção, Villas-Boas, que foi rival em “campo” de Jorge Jesus, deixou elogios à escolha do agora selecionador nacional. “Em termos de escolha, agrada-me. É um percurso que vem em continuidade. É uma pessoa que merece toda a nossa distinção e adoração. É um verdadeiro treinador de futebol, motivador de homens, com sucesso provado em diferentes campeonatos, em diferentes clubes e que chega agora, ao que me parece ser, ao topo da sua carreira e o abraça com grande ambição. Portanto, estou muito satisfeito pela escolha e espero que a mesma se traduza em títulos para a Seleção. Relativamente à prestação no Mundial, todos sabemos que foi inferior em tudo, em imagem, em qualidade, em jogos. Fica mais um Mundial marcado pela perda de oportunidade de uma geração de ouro. Se esta era uma geração de ouro que queríamos ver potenciada no Mundial, foi um fracasso em absoluto em tudo. Não nos animou, não nos inspirou, não havia uma mensagem que nos permitisse sonhar. Fora, evidentemente, os slogans atrevidos, não havia nada de inspirador em qualquer uma das prestações…”, comentou o líder portista.

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Entre uma palavra também sobre toda a situação que o Boavista, outro clube histórico da cidade, está a viver, o presidente do FC Porto falou sobre o regresso dos dragões à Liga dos Campeões. “É uma competição totalmente diferente, onde competem os melhores. Como já viram, há algumas movimentações no mercado com os clubes da Liga dos Campeões que estão fora de qualquer realidade económica de clubes portugueses, espanhóis, franceses, italianos. As transferências acima de 100 milhões de euros parecem ser o valor comum de transferências de jogadores no campeonato inglês. Portanto, é uma competição muito difícil, onde o FC Porto tem um histórico importante que deve ser respeitado, mas que não deve jamais ultrapassar a real responsabilidade que é de ser campeão nacional”, destacou André Villas-Boas a esse propósito.

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Por fim, o líder dos dragões voltou a falar do regresso assegurado de Cardoso Varela ao clube, apontando de novo a mira ao antigo agente do jogador depois de algumas notícias que davam conta agora de uma alegada fraude do jovem ala na sua idade. “Sabemos perfeitamente de onde é que vêm essas notícias e o Cardoso Varela, pelo histórico do que foi a sua saída do FC Porto, a forma como sucedeu o assédio indevido a um jovem, à sua família, através de sonhos falsos… Sabemos perfeitamente de onde é que vêm as notícias mas estamos totalmente do lado do atleta. O atleta é um cidadão português, com passaporte português, representou a Seleção, representou o FC Porto e estamos muito orgulhosos de o ter trazido de volta, principalmente pela história triste de que já foi acusado, nomeadamente também na sua saída da Croácia. Recordo também que num compromisso feito entre atleta e ex-agente haveria umas faturas da escola e educação do Cardoso Varela que estão por pagar e que o FC Porto vai assumir”, garantiu.