José Luís Carneiro definiu esta quinta-feira as duas prioridades do PS para a discussão do Orçamento do Estado (OE): a “salvaguarda dos valores constitucionais” e a “segurança das pensões”. Em entrevista à Renascença e ao Público, o secretário-geral dos socialistas exigiu ainda explicações no caso de Luís Neves, recusando comparar a situação do ministro da Administração Interna com o caos nos exames nacionais que tomou de assalto o Ministério de Fernando Alexandre.
No que toca à possibilidade de uma revisão constitucional, que reúne apoio à direita, o líder socialista disse estar alinhado com o Presidente da República, afirmando que “o país tem outras necessidades que passam bem sem a revisão da Constituição”, mas acrescentou que só se irá debruçar sobre essa discussão em particular se esta chegar mesmo ao Parlamento. Já sobre as pensões, Carneiro colocou a ênfase na necessidade de assegurar o financiamento “diversificado” e com recurso a “mecanismos alternativos” do fundo de pensões da Segurança Social.
Além destas duas prioridades, Carneiro destacou ainda como relevante a necessidade de manutenção de “projetos que estão em execução ao abrigo do Plano de Recuperação e Resiliência, com novos instrumentos de financiamento”, alternativos aos fundos comunitários. Apesar das prioridades traçadas, o líder do PS voltou a recusar traçar linhas vermelhas para o debate do OE.
No que toca às polémicas que se abateram sobre o Ministério da Administração Interna e o Ministério da Educação, José Luís Carneiro argumentou que são “matérias diferentes e de gravidade distinta”. No caso de Luís Neves, exigiu explicações o mais rapidamente possível e admitiu que estas “pecam por tardias”. Já no caso de Fernando Alexandre, disse manter a “porta aberta” a uma Comissão de Inquérito.
Na agenda para setembro, alinha-se ainda uma possível reunião com Luís Montenegro (que se poderá concretizar ainda em julho) e a apresentação de uma nova “agenda para o poder local democrático”, que inclui uma proposta de referendo à regionalização. Na sequência da discussão sobre o poder local, José Luís Carneiro recusou “coligações ou uniões” com os partidos à esquerda do PS para as eleições legislativas, ao contrário do que aconteceu nas autárquicas.
Ainda sobre as eleições, disse estar “convencido” da possibilidade de chegar a primeiro-ministro, depois de uma vitória nas legislativas e recusou um golpe interno que impedisse essa realidade. “Confio nos meus camaradas, confio nos simpatizantes do PS e confio na sociedade civil”, garantiu.