Não houve nervosismo, não houve grandes quebras, não houve grandes dúvidas no final. Depois de chegar ao primeiro triunfo no Millennium Estoril Open frente a Botic van de Zandschulp, um jogador que não está a ter um grande ano em 2026 mas que é sempre difícil de bater e ocupa um ranking ATP superior (55.º), Jaime Faria chegava aos oitavos da competição com outro estatuto, de favorito, diante de Gonzalo Bueno, jogador peruano mais abaixo na hierarquia mundial que conhecia de vários duelos nos juniores. Mudou a condição, não mudou o resultado e, mais uma vez apenas em dois sets, o português voltou a carimbar o triunfo.
“Estou muito feliz, antes de mais, por chegar aos quartos de final de um torneio ATP pela quarta vez. Especialmente aqui, em casa, é diferente. Cresci a ver este torneio, com bons jogadores. Estar nesta posição não é fácil e estou muito feliz por isso. Parecia relaxado, é verdade. Sinto-me confiante mas nunca é fácil, há sempre um nervosismo extra por jogar em casa. Como se costuma dizer, a pressão é um privilégio, é saber lidar com estes momentos e encará-los como uma coisa positiva e não com stress. Sinto-me muito feliz da maneira como estou a passar a minha imagem cá para fora”, destacou o jogador português de 22 anos, que podia agora chegar pela primeira vez ao top 4 de um torneio ATP tendo pela frente o segundo cabeça de série.
Jaime Faria vence cabeça de série e passa à 2.ª ronda do Estoril Open pela primeira vez
“Vou encarando cada encontro melhor, sinto-me melhor jogador e mais bem preparado em vários aspetos do que em outras ocasiões em que joguei quartos. Portanto, tenho boas hipóteses. Qualquer jogador que vá enfrentar será um desafio difícil. Agora é aproveitar, descansar e estudar o jogo dos meus dois adversários possíveis. Também é importante desfrutar das vitórias e do processo”, apontou, ainda antes de ficar a saber que teria pela frente Luciano Darderi, italiano que tem andado quase sempre no top 20 este ano. “Sei que ele [Jaime Faria] também é jovem e de Portugal, portanto vou ter o público contra mim. Vou ter de focar-me no meu ténis e tentar jogar o melhor possível. É um bom jogador, está a subir, é mais jovem do que eu. Trata-se de um jogador perigoso, com bom serviço”, elogiou o transalpino, que vem de uma semana muito positiva em Bastad onde chegou até à decisão, perdendo depois com o russo Andrey Rublev na final.
Se entre a primeira e a segunda rondas Jaime Faria não tinha conseguido propriamente descansar muito, tendo em conta que na noite de terça-feira ainda estava a jogar na variante de pares, agora a realidade era outra, fechando a jornada dos quartos na sessão noturna. Antes, Tiago Torres tentou resistir como conseguiu mas acabou por perder em dois sets frente ao francês Hugo Gaston, Andrey Rublev, que partia como número 1 nos cabeças de série para este torneio depois da desistência de Casper Ruud, teve um apagão após ganhar o primeiro parcial e perdeu contra Luca Van Assche por 3-6, 6-3 e 6-4 e seguiu-se a partida mais equilibrada de todas entre Román André Burruchaga, carrasco de Nuno Borges na segunda ronda, frente a Alexander Blockx, com triunfo para o belga por 6-4, 5-7 e 6-4. Seguia-se Jaime Faria, com a presença do ex-campeão do Estoril Open e melhor português de sempre, João Sousa, na escolha de campo.
A partida teve um início atípico, com os três primeiros jogos de serviço a terem de passar pelas vantagens até ficarem resolvidos. Darderi começou com um ponto de break desperdiçado logo a abrir, Faria falhou depois a oportunidade de quebrar o serviço ao transalpino em quatro ocasiões, o quarto jogo ajudaria a inverter essa tendência com o português a fazer o 3-1 logo na primeira oportunidade. O 21.º do ranking mundial tinha momentos em que mostrava que possui provavelmente a direita mais forte neste Estoril Open mas também ia claudicando em termos emocionais entre bolas falhadas e ressaltos imprevistos que não conseguia então contrariar. Jaime Faria aproveitava esse momento para consolidar a vantagem no marcador, fechando o primeiro set com 6-2 depois de mais um break a ceder apenas um ponto no serviço do italiano.
Se de manhã tinha chegado ao fim a aventura histórica do português que só queria dar show, Tiago Torres, agora era Jaime Faria a dar espetáculo com… reflexos no resultado. Mais: na sequência de um arranque de segundo parcial onde o serviço foi ditando leis, o português voltou a aproveitar um momento de quebra de Darderi para quebrar o serviço e fazer o 3-1 mais uma vez com o italiano a marcar somente um ponto, tendo depois um dos jogos-chave do encontro quando salvou dois pontos que levariam ao contra break e chegou ao 4-1 que deixava a partida muito bem encaminhada para a decisão. Por momentos, Faria quebrou. Logo no momento seguinte, mostrou que tem confiança para dar e vender. E se no seu serviço continuava a não dar hipóteses, nos jogos do italiano também conseguia colocar uma pressão extra no ex-top 20 mundial.
Com o resultado em 5-4, Jaime Faria ia servir para ganhar o encontro. Aí, pela terceira vez consecutiva no seu jogo de serviço, voltou a consentir dois pontos de break a Darderi. Na primeira, anulou, com um rasgo especial à mistura de chegar às vantagens com um amortie sem hipóteses para o adversário. Na segunda, um filme igual – até na questão do amortie no oitavo ponto. No terceiro, o italiano conseguiu finalmente fazer o break, reentrando na partida e segurando de seguida o 5-5 que deixava tudo em aberto. Com uma diferença: o comando do jogo tinha mudado de mãos. E, de uma forma quase natural, fechou mesmo com um 7-5.
Darderi from 2-5 to 5-5… and it’s time for a coffee pic.twitter.com/ejDrqtE9lV
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What a comeback!
Darderi wins the last five games and takes the 2nd set 7-5! pic.twitter.com/GHGIbwbvCs
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Ficava tudo em aberto para o terceiro parcial, partindo com um Darderi que recuperara o seu jogo e parecia ganhar ainda mais “fogo” em todas as ações quando sentia o público (naturalmente) mais a tentar puxar por Jaime Faria e com o português a tentar encontrar aquele clique que o recolocasse ao nível em que esteve até ser quebrado pela primeira vez. No entanto, não apareceu. Não apareceu quando tinha de defender o seu jogo de serviço e permitiu o 2-1, não apareceu quando teve três oportunidades para fazer o contra break mas não evitou o 3-1. Houve grandes bolas em esquerdas paralelas, houve uma escorregadela que o levou ao chão, houve protestos de Darderi que começavam já a incomodar o árbitro, houve demasiados erros não forçados com bolas no fundo do court que foram muitas vezes para lá da linha, houve mais um break do transalpino que sentenciou de vez a partida. O “fantasma Tiafoe” daquela terceira ronda de Roland Garros tinha regressado para ficar, quebrando em definitivo a resistência do jogador português (6-2).
Darderi now double break up in the 3rd… pic.twitter.com/0IYivi84jx
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