A Polícia Judiciária (PJ) apreendeu mais de duas toneladas de cocaína transportadas numa lancha em alto mar, a sudoeste do Cabo Espichel, no âmbito de uma investigação que desmantelou um grupo criminoso que introduzia droga na Europa.
Num comunicado divulgado este sábado, a PJ avança que, na quinta-feira, intercetou e abordou em alto mar, a cerca de 50 milhas náuticas a sudoeste do Cabo Espichel, na Zona Económica Exclusiva (ZEE) nacional, uma embarcação tipo EAV (Embarcação de Alta Velocidade) que transportava um total de cerca de 2.627,00 quilos de cocaína. As mais de duas toneladas de cocaína apreendidas numa lancha serão de “organizações criminosas muito poderosas”, com alegada proveniência na América do Sul.
“Por trás destes indivíduos agora detidos, por trás desta droga transportada, há organizações criminosas muito poderosas, isso não temos sombra de dúvida. A investigação procurará ir o mais longe possível, mas relembro que o cerne dessas organizações, digamos assim, não está cá em Portugal”, declarou João Oliveira, da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes da PJ.
João Oliveira falava numa conferência de imprensa na sede da PJ, em Lisboa, juntamente com responsáveis da Marinha e da Força Aérea, instituições que também participaram na operação policial “Buongiorno”. No âmbito da apreensão desta lancha rápida, a PJ admitiu que poderão ter escapado outras embarcações relacionadas com o tráfico de droga, uma vez que na mesma mancha de mar “foram detetados movimentos de outras embarcações”, explicando que foi selecionada a embarcação que à partida tinha indícios de estar carregada de produto estupefaciente.
No interior da embarcação encontravam-se quatro homens – dois de nacionalidade espanhola, um inglês e um albanês – que foram detidos, refere o comunicado, que adianta que a operação foi feita através da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes da PJ, em articulação e cooperação com a Marinha, a Autoridade Marítima Nacional, através da Polícia Marítima, e a Força Aérea.
Segundo a Judiciária, a operação policial foi desenvolvida no âmbito de uma investigação que levou ao desmantelamento de um grupo criminoso dedicado à introdução de grandes quantidades de cocaína no continente europeu. “Um dos detidos já era alguém referenciado pela Polícia Judiciária como sendo suspeito de estar ligado a estas atividades de tráfico de cocaína por via marítima”, referiu João Oliveira, sem adiantar qual a nacionalidade deste suspeito.
Expondo parte da droga apreendida, o responsável da PJ disse que a rotulagem das embalagens dá pistas sobre a sua proveniência, mas escusou-se a partilhar dados concretos para não prejudicar a investigação: “É cocaína que vem da América do Sul e os produtores costumam pôr uma marca, um timbre, uma chancela da sua produção.”
Quanto ao valor da droga apreendida, João Oliveira ressalvou que falar de preços “é sempre altamente subjetivo”, porque depende de múltiplas variáveis, inclusive o sítio onde é vendida, e adiantou que o grau de pureza da cocaína não está ainda determinado, mas a experiência da PJ, pela forma como vinha embalada, na rota em que estava e o meio empregue para o transporte, aponta para “um grau de pureza muito elevado”.
“São muitos milhões, muitos milhões de euros que estão aqui, e quando digo milhões podemos falar de centenas de milhões, preço estimado, tendo em conta aquilo que é a venda final ao consumidor, não nos exatos termos em que foi apreendida”, expôs. Para além da droga, foram apreendidos na operação diversos objetos utilizados no processo de navegação e transporte da cocaína.
A investigação foi iniciada nos últimos dias na sequência de informação partilhada através do Maritime Analysis and Operations Centre – Drugs (MAOC-N), no âmbito da cooperação policial internacional e em articulação com as autoridades policiais de Itália.
A PJ avança esclarecimentos complementares sobre a operação numa conferência de imprensa agendada para o fim da manhã, na qual estarão presentes responsáveis da Judiciária, da Marinha, da Autoridade Marítima Nacional e da Força Aérea.