Márquez. Atrás de um apelido que se tornou lendário no MotoGP há um grande campeão, mas também há o epílogo de quem demorou a sarar as feridas inerentes a quem também corre na categoria rainha do motociclismo com o apelido Márquez. Por conta da pressão e das comparações que lhe foram impostas por conta de Marc, Álex demorou a conseguir encontrar o seu lugar para lá da sombra do nove vezes campeão do mundo. Mas já consegue abrir o livro e falar sobre esses momentos com a leviandade de quem também se transformou num campeão.

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Foi numa entrevista bastante emotiva concedida ao portal do MotoGP que o mais novo dos irmãos Márquez falou sobre os episódios mais tristes da sua carreira desportiva, em particular da depressão com que teve de lidar por conta das comparações com Marc. “A sombra do Marc é muito grande. No início sofria bastante. Cheguei a passar por uma depressão e dava demasiadas voltas a tudo ao tentar comparar-me com ele. Chegava às corridas a pensar que, em casa, fazia o mesmo trabalho que o piloto que vencia no MotoGP. Isso deu-me tranquilidade e confiança para construir o meu próprio caminho e brilhar por mim próprio”, confessou Álex, que superou a depressão a partir do momento em que começou a olhar para o irmão como uma referência ao invés de um rival direto.

Para o piloto espanhol de 30 anos, que compete ao serviço da Gresini, estar em cima da moto é o melhor momento do seu dia. “É como quando se vai de férias, desliga-se o telemóvel e deita-se na praia. Quando se coloca o capacete, só existem tu e a moto. Tudo o resto desaparece. Nasci praticamente ao lado de um circuito de motocross [ndr. em Cervera]. Lembro-me de ver o primeiro pódio do meu irmão em Donington, em 2008, a partir de um pequeno bar em Cervera, ao lado dos meus primos. A paixão esteve sempre lá. Quedas? [Depois do GP da Catalunha] Fiquei quatro dias internado no hospital com muitas dores. Naquele momento, pensei que não queria ver nada de MotoGP. Só queria esquecer tudo. Duas semanas e meia depois já estava a consultar o calendário. Não consigo imaginar a minha vida sem estar em cima de uma moto. A paixão é maior do que os momentos difíceis ou as lesões”, sublinhou o catalão.

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“Adoro voltar para casa, levar os meus cães a passear ou andar de bicicleta. Quando alguém me diz na rua que sou especial, respondo sempre que sou uma pessoa normal que faz compras no mesmo supermercado. Como quero ser lembrado? Como alguém que deu tudo por este desporto”, concluiu Álex Márquez, que conquistou o título de campeão do mundo no Moto3, em 2014, e no Moto2, em 2019. No MotoGP, onde compete desde 2020, tem como melhor resultado o segundo lugar do ano passado, atrás de Marc, embora conte com quatro vitórias, 17 pódios, duas pole positions e cinco voltas mais rápidas.