Tinha um irmão mais velho também jogador de futebol, era central, fintou-o em tudo. Fintou-o logo à cabeça no clube, quando não se resignou com a nega que lhe deram nos treinos de captação do Inter e acabou por rumar ao AC Milan. Fintou-o porque, quando todos achavam que seria o Baresi 2 do futebol transalpino, fez de Giuseppe o “outro Baresi”. Mas isso era normal em alguém que nasceu para ser melhor do que os outros e resistir a tudo e a todos como poucas vezes se viu no desporto. Aquele miúdo franzino a quem chamavam Piscinin cresceu e chegou ao patamar de Kaiser Franz, em referência a Franz Beckenbauer. Agora, aos 66 anos, o adversário que combatia desde o ano passado acabou por ser maior. Morreu Franco Baresi.
La Storia del Milan è in lacrime per la scomparsa di Franco Baresi. Il suo esempio e la sua profondità saranno, per sempre come la sua maglia numero 6, parte integrante e fondamentale del DNA e del cammino di tutto il Club. Le condoglianze che AC Milan porge alla famiglia tutta… pic.twitter.com/a8wNOCUc2o
— AC Milan (@acmilan) July 31, 2026
Formado no AC Milan, único clube que representou ao longo de toda a carreira (e rival do Inter, onde estava o irmão mais velho Giuseppe), Baresi teve o seu primeiro contacto como “observador” do futebol só aos dez anos, altura em que assistiu pela primeira vez na TV a um jogo na quinta nos arredores de uma pequena cidade no norte, Travagliato, mas não demorou a tornar-se uma enciclopédia da modalidade, começando como médio e recuando depois até à defesa onde foi não só central mas também líbero, essa figura que caiu em desuso com a evolução do jogo mas que estava apenas reservada aos melhores – como Baresi.
One of the greatest defenders of all time.
Here's Franco Baresi in the 1994 World Cup final at 34-years-old, putting in an incredible performance 24 days after suffering a severe meniscus tear that required surgery.
— 90s Football (@90sfootball) July 31, 2026
Estreou-se com apenas 17 anos na equipa principal, na temporada de 1977/78, e tornou-se uma referência ímpar na história do AC Milan, capitaneando vários dérbis com o Inter tendo do outro lado também como capitão o irmão. Viveu de tudo um pouco ao longo de mais de 700 encontros oficiais pelos rossoneri, dos quais 532 entre Serie A e B, da descida de divisão na sequência do caso Totonero às conquistas europeias. Foi seis vezes campeão da Primeira Liga, venceu duas vezes a Segunda Liga, conseguiu três Taças dos Clubes Campeões Europeus, juntou a isso ainda mais duas Supertaças Europeias, outras tantas Taças Intercontinentais e quatro Supertaças italianas. Despediu-se em 1996/97, com 37 anos.
Diego Maradona after Napoli v Milan in 1989:
“This one is from a big player. I think that Franco Baresi is the best defender. This shirt will be a memory that I will keep for the rest of my life."
???? pic.twitter.com/wgJ9wlWmsV
— Tribuna Football (@tribuna_ftbl) July 31, 2026
Também pela seleção italiana essa ligação foi extensa e profícua, “experimentando” todos os lugares do pódio nos três Mundiais que realizou: sagrou-se campeão em 1982, apesar de não ter feito qualquer encontro na competição que foi organizada em Espanha, ficou depois na terceira posição em 1990 após perder nas grandes penalidades com a Argentina no torneio organizado em “casa” e foi segundo em 1994, quando deu mais um exemplo de excelência a tudo e a todos ao lesionar-se na segunda partida da fase de grupos, ser sujeito a uma intervenção cirúrgica no menisco e recuperar em cerca de 20 dias a tempo de ser um dos melhores na final diante do Brasil, que acabaria apenas por ser decidida nas grandes penalidades (com Baresi a falhar logo a primeira tentativa). Apenas sete jogadores na história conseguiram esse feito.
Lutto nel mondo del calcio. È morto a 66 anni Franco #Baresi, storico capitano del #Milan e della Nazionale. Era stato operato lo scorso anno per un nodulo polmonare. Ad annunciarlo la società rossonera sui social.#Tg1 Stefano Bizzotto pic.twitter.com/qe6KNTOQEc
— Tg1 (@Tg1Rai) July 31, 2026
“A história do AC Milan chora pela partida de Franco Baresi. O seu exemplo e dedicação serão, para sempre, como a sua camisola número 6, parte integrante e fundamental do ADN e do caminho de todo o clube. Em memória do Franco, permanecemos unidos, sabendo que ele nos guiará e impulsionará ao longo de toda a nossa jornada rossonera. Para sempre. Porque Baresi é eterno”, destacou o clube esta manhã sobre a lenda que, além das duas décadas como jogador, esteve também nas equipas técnicas das camadas jovens.
Se n’è andato a sessantasei anni, tradito dal male con cui combatteva da tempo, ed è difficile accettare la perdita perché gli eroi ci appaiono sempre immortali. Franco Baresi, all’anagrafe Franchino, ha attraversato vent’anni di calcio indossando soltanto la maglia del Milan. Da… pic.twitter.com/GwZnAgIQ2R
— La Stampa (@LaStampa) July 31, 2026
Franco Baresi tinha sido operado em agosto de 2025 para remover um nódulo pulmonar, tendo mais tarde surgido como uma das figuras que transportaram a tocha olímpica na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, em Milão-Cortina, entrando no “seu” San Siro com o antigo companheiro de seleção e rival do Inter, Giuseppe Bergomi. Acabou por não resistir a complicações sofridas por essa mesma doença pulmonar, com a notícia da morte a ser avançada esta manhã pelo próprio AC Milan.