O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, afirmou esta sexta-feira que Gianni Infantino é “a pessoa errada para liderar” a FIFA, depois de ter sido conhecido um plano para abrir o organismo a investidores privados.

Foi uma proposta ultrajante. O simples facto de ter sido sequer considerada demonstra, na minha opinião, que [Infantino] é a pessoa errada para liderar a organização”, disse Andy Burnham aos jornalistas durante uma visita a Sheffield, no norte de Inglaterra.

Burnham junta-se, assim, ao crescente bloco de contestação ao plano de Infantino para criar a FIFA Forward Enterprise (FFE), estrutura que abriria a exploração comercial de competições — incluindo o Mundial — a investimento privado.

A situação levou também à demissão imediata do norte-americano Carlos Cordeiro, conselheiro de Infantino, que anunciou a sua saída esta sexta-feira em oposição frontal ao plano da FIFA.

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“Deixem-me ser claro: não tive qualquer participação nesta proposta e oponho-me categoricamente a ela. É má para as federações-membro da FIFA, má para o futebol e má para o futuro do desporto a longo prazo”, escreveu o antigo banqueiro norte-americano, com ascendência portuguesa, na rede social LinkedIn.

A criação da FFE tem o objetivo de gerir as atividades comerciais (transmissão, patrocínio, venda de bilhetes, licenciamento) e eventos (Mundial, Mundial de Clubes, no masculino e feminino).

A UEFA, que reúne 55 federações europeias e sete dos últimos dez campeões do Mundo, chegou a ameaçar unanimemente na quinta-feira não participar nas próximas competições da FIFA, incluindo o Mundial, caso o organismo não abandonasse o seu plano.

A CONCACAF, que reúne 41 federações da América do Norte, América Central e Caraíbas, rejeitou a proposta, enquanto a Confederação Africana de Futebol (CAF) foi menos crítica, apelando às suas associações-membro para que examinassem e avaliassem a proposta.

Os investidores privados poderão deter ações, mas manter-se-ão como acionistas minoritários, prometeu a entidade máxima do futebol, que espera arrecadar até 4.200 milhões de dólares (cerca de 3.662 milhões de euros), com base numa avaliação de 20.000 milhões de dólares (17.437 milhões de euros).

Caso o projeto se concretize, cada uma das 211 federações-membro da FIFA poderá ver a sua dotação aumentar de 8 milhões de dólares (7 milhões de euros) para 20 milhões de dólares (17,4 milhões de euros) no período de 2027 a 2030.

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