Em qualquer cenário, nunca seria um jogo fácil para André Narciso. Não, o árbitro da Associação de Futebol de Setúbal não teve propriamente culpa, até porque tinha a oportunidade de dirigir a primeira final da sua carreira aos 43 anos. No entanto, todo o clima em torno da arbitragem, da investigação da Polícia Judiciária a alegadas práticas de corrupção que foram denunciadas numa participação com 20 páginas à suspensão da primeira Ação de Reciclagem e Avaliação da nova época de 2026/27 até haver uma conversa já de madrugada com Pedro Proença, era tudo menos propício a isso. Era nesse contexto que vinha a Supertaça.
Mais um título que foi conseguido há 373 dias em Copenhaga (a crónica do FC Porto-Torreense)
Apesar de tudo isso, não foi genericamente um encontro complicado de digerir, também pela forma como as duas equipas foram sempre atuando. Dois cartões amarelos ainda nos 20 minutos iniciais funcionaram como uma “baliza” para os limites, o número de faltas também não foi muito elevado, tudo decorria de uma forma “normal” e com apenas um caso nas grandes áreas até ao minuto 90. Aí, tudo mudou, da “pega” entre Dany Jean e Zaidu que chegou a Kiwior até ao lance que gerou muitos protestos do Torreense.
[Ouça aqui a análise do ex-árbitro Pedro Henriques no Sem Falta da Rádio Observador]
Na primeira parte, entre os amarelos a David Bruno (12′), Luis Quintero (18′) e William Gomes (45′) que só no caso inicial não foi “assumido”, o único lance que suscitou dúvidas foi na área da formação de Torres Vedras, com Pepê a cair na área depois de um desvio falhado de André Silva na sequência de um cruzamento de Alberto Costa antes de novas quedas de Zaidu e André Silva após intervenção de Stopira (22′).
[Clique nas imagens para ver os casos do FC Porto-Torreense em vídeo]
Também o segundo tempo não teve propriamente muitos casos, entre algumas faltas que podem ter ficado por marcar entre um amarelo a Pablo Rosario por derrubar Drammeh numa transição, até chegar o minuto 90, altura em que Zaidu teve um passe que ficou curto na área, Dany Jean conseguiu antecipar-se para tocar a bola para um companheiro e foi de seguida tocado por Inbeom Hwang, que acabou também no chão. O avançado haitiano e Kiwior viram amarelo após um desentendimento, houve depois um compasso de espera mas tudo acabou por ficar na mesma, com a equipa do Torreense a ficar a queixar-se de um penálti.