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Está no ar mais um Sem Falta da Rádio Observador. Pedro Henriques, jogo Supertaça, abertura da época 2026-2027, um Futebol Clube do Porto x Torriense que terminou com a vitória de uma bola a zero pelo do Porto, mas uma semana muito complicada ou de muita azáfama para o universo da arbitragem, depois das polémicas que envolveram Pedro Proença, que já se veio explicar e que conseguiu que este jogo não fosse sabotado, nem boicotado pelos árbitros. André Narciso, mereceu confiança, esteve bem, na tua opinião, o árbitro?
Já lá vamos.
Já lá vamos. Vamos começar então pelos lances.
Porque tu tens estado a trabalhar, com certeza ainda não foste às redes sociais.
Ainda não.
Porque temos aqui um caso de jogo complicado. Mesmo a acabar, nós também aqui praticamente passamos-
Será o minuto 89, não?
Exatamente.
Já lá vamos. Fique connosco para ouvir. Vamos começar ao minuto 12, porque ao minuto 12 houve logo cartão amarelo mostrado por André Narciso a David Bruno, do Torriense.
Sim, bem mostrado. É o cartão amarelo a David Bruno, que se desinteressa da bola e vai claramente obstruir a progressão do PP, que se desmarcava em velocidade para ir receber uma tabelinha e, portanto, uma falta tática bem sancionada disciplinarmente, cartão amarelo. Tudo certo.
Temos, depois, Pedro, ao minuto 18, mais um amarelo para mais um homem da equipa do Torriense. Falamos de Luís Quinter.
Sim, ao esticar a perna esquerda, acaba por pisar com a sola e com os pitões o peito do pé direito de André Silva. Uma entrada negligente, fora de tempo, cartão amarelo bem mostrado.
Temos depois ao minuto 22, um lance a envolver Zaidu na área do Torriense. Foram-se queixando de pênalti os adeptos e os homens do Foco do Porto, mas na tua opinião, sem motivos para tal.
Sim, sem motivo. O Diadie Mohamed estica a perna direita e toca quer na bola, quer um contato também com o pé direito de Zaidu, que acaba por ser ele, Zaidu, ao esticar o pé, que acaba por pontear a parte debaixo da chuteira do jogador Mohamed. E, portanto, ambos concorrem para o lance, ambos esticam a perna e com esta atuante é que Mohamed toca na bola. O Zaidu é que acaba por pontear por baixo o pé. E, portanto, não há motivo para pênalti. É claro que o Zaidu acaba por se aleijar, porque é ele que vai dar o pontapé na sola do seu adversário, mas não há motivo para pênalti.
Ao minuto 24, Ravi Vasquez num lance em que há um pequeno, muito ligeiro toque, acredito que de Diogo Costa nas suas costas, deixa-se de cair. Muito se reclamou no estádio por um pênalti em favor do Torriense. O que é certo é que não teve intensidade nem perto para isso, não é, Pedro?
Exatamente. Contato existiu entre o Costa e o Ravi Vasquez, a mão esquerda ali no ombro, mas é insuficiente, ou seja, sem a tal intensidade ou, mais corretamente dito em termos de técnica de arbitragem, consequência para aquilo que foi a queda do defesa espanhol, que ao sentir esse contato, obviamente tende a tirar partido e projeta-se para o solo, portanto, sem pênalti.
Temos depois, ao minuto 26, também uma reclamação de Alberto Costa na área do Torriense, reclamava um lance para pênalti. Creio que também aqui boa decisão do árbitro, ao não assinalar.
Sim, boa decisão. O Alberto Costa quase que não reclamou, mas como foi um lance que o árbitro depois até esteve fazendo um compasso de espera, porque o VAR esteve a analisar, é um lance em que estão três jogadores envolvidos. O Ravi Vasquez, que é o primeiro a chegar à bola e que pontapeia a bola pela linha de baliza, e portanto, aliás, daí o canto, um bocadinho mais atrás, o Alberto Costa e o guarda-redes, o Adriel, que está a sair. Só que o Adriel sai-se e para-se. E o Alberto Costa, que chega depois, e quando eu digo depois, depois do Ravi Vasquez até pontapear da bola para fora, até salta, ele, Alberto Costa, por cima do guarda-redes, mas não impede ali um ligeiro contacto. E é aqui que eventualmente poderia estar alguma infração do guarda-redes, mas não. Esse contato é fruto do movimento de ambos, até porque o guarda-redes parou e o Alberto Costa que vem em movimento e não consegue parar e tem o cuidado até de saltar por cima do guardião do Torrense. Tudo legal, sem pênalti.
Ao minuto 38, chegou o gol do Foco do Porto, marcado por Frold, de cabeça, depois de um cruzamento de PP. Resta saber se na jogada tudo legal e também no momento do gol, se não havia fora de jogo.
Sim, é esse o momento da análise, basicamente, porque a jogada não tem qualquer história no sentido de arbitragem, no sentido de haver alguma irregularidade. O VAR, através das linhas de fora de jogo, vem mais à frente mostrar que o gol foi legal, não é que houvesse grandes dúvidas. Por acaso, até parecia que estar mais em jogo, em termos de distância, e daí a necessidade do VAR ter colocado as linhas para não haver dúvidas. O PP, quando faz o passe, e aqui entenda-se passe/cruzamento para o Frold, ele está em posição legal por 47 centímetros e, portanto, tudo certo no gol único do jogo, neste caso, do Foco do Porto.
Minuto 45, o último lance da primeira parte, na tua opinião, é mal mostrado o amarelo a William Gomes.
Sim, o árbitro está longe e vai um bocadinho por indução, chamemos assim, por instinto, porque o William Gomes aparece fora de tempo na entrada sobre o Diadie Mohamed, e este, o Mohamed, fica-se a queixar ali do pé. E quando ele vai lá, árbitro, se calhar um bocadinho na dúvida, muito provavelmente a partilhar informação ali com o quarto árbitro, com o assistente do lado contrário, o quarto árbitro ali pode ter mais privilégio em termos de observação. Quando chega lá e vê o jogador a queixar-se do pé, vai um bocadinho no instinto, tipo: "Olha, o William Gomes chegou depois dele ali de sola". Mas não, o que acontece é que o William Gomes pontapeia a bola. Peço desculpa, o Diadie Mohamed é que pontapeia a bola, porque ele está em situação defensiva, não para o seu movimento e acaba por ele próprio pontapear a coxa direita do avançado brasileiro do Foco do Porto. E portanto, o árbitro foi completamente iludido neste lance. Também para mim não era falta do Diadie, porque o Diadie acaba, o Mohamed acaba por pontapear a bola e depois, digamos que é na sequência que a perna segue e como o William Gomes se atravessa pela frente, é normal ter levado com o pé, mas para mim não há nenhuma infração e também muito menos o cartão amarelo. Portanto, cartão amarelo ao William Gomes, mal mostrado.
Temos depois, já na segunda parte, Pedro Henriques, primeiro lance da segunda parte. Se no minuto 45 o Foco do Porto viu um cartão amarelo que não devia ter visto, ao minuto 50 mudou, inverteu-se o cenário, faltou amarelo para Gabri Veiga.
É um lance em que o Mousa Dramé acaba fora da área. Recebe uma bola e quando digo que vai isolado, não vai isolado, tem vários adversários pela frente, mas vai numa posição de ataque à área adversária e nas costas do Gabri Veiga, vem em correr e com ambas as mãos empurra-o por trás. É uma falta clara e óbvia, passível de livre direto que o árbitro não assinalou. E obviamente, se assinalasse, tinha que mostrar cartão amarelo, porque no fundo, o que o Gabri Veiga fez foi impedir, derrubar o Dramé só com o objetivo de parar uma jogada que nós chamamos de ataque promissor, já tinha algum perigo, porque já estava próximo da área ali embalado, embora com jogadores adversários pela frente. Aqui o erro está na não marcação da falta, livre direto que ficou por assinalar e obviamente, se assinalasse, tinha que mostrar cartão amarelo também ao Gabri Veiga.
Temos depois ao minuto 60, amarelo para Pablo Rosario, o dominicano da equipe do Futebol Clube do Porto. Vamos lá.
Sim, e só amarelo. Aqui um pouco de reclamação, não foi muita. O que foi feito é porque o Dramé de alguma maneira é isolado na direção da área do Futebol Clube do Porto, quando o Pablo Rosario com o ângulo acaba por derrubá-lo. Só que é um ataque promissor, não é uma clara oportunidade de gol, porque para os tais quatro fatores, que vai em direção da baliza, distância, bola controlada, estão lá, mas falta o quarto fator, que é a posição dos outros defensores, que não o que faz a falta. E aqui defensores, entenda-se o Futebol Clube do Porto. E o Chior está de lado, por dentro e ligeiramente mais à frente e tinha todas as hipóteses ainda de intervir no lance. E é por isso que não é clara oportunidade de gol, não é lance para vermelho, e é ataque promissor, lance para amarelo. Boa decisão.
Temos depois ao minuto 80, mais um lance na área do Torriense. Queixavam-se os homens do Futebol Clube do Porto de um alegado pênalti sobre Pepê, mas sem razões para isso, Pedro.
Sem razão. O Pepê também não esboçou muita reação, aliás, chocou contra o Mutombo e levantou-se logo. O Pepê faz um túnel, bola por baixo das pernas do Mutombo, e depois, como faz esse túnel, a bola foge-lhe, adianta-se e ele vai chocar contra o Mutombo. Só que o Mutombo não foi impedir a progressão, ele estava naquela posição, chama-se a isto ter a posição ganha. Quem choca é o Pepê contra o Mutombo, que já tem a posição ganha. Tudo legal, sem motivo para pênalti.
Temos depois ao minuto 89 o lance que diz o caso do jogo e o lance que está a incendiar as redes sociais, nas quais eu ainda não dei uma passagem, Pedro Henriques, mas ao minuto 89, na tua opinião, fica por assinalar um pênalti a favor do Torriense.
Sim, é um lance com esta característica. Em movimento normal, fica a ideia que, eu vou tentar dizer os nomes corretos, o Hwang In-beom, acho que é assim que se diz, que é o novo aquisição do Futebol Clube do Porto, choca contra o Danny Jen. É um contato normal. Eu percebo que o árbitro não tenha assinalado falta, mas depois as repetições, e não é preciso pôr muitas, as duas que dão, dão logo dois ângulos, são muito claras e óbvias e em ambas se percebe que há mesmo motivo para pontapé de pênalti. Ou seja, o Danny Jen chega primeiro à bola e desvia a bola com o pé direito e o Hwang In-beom chega depois, e quando digo depois é um segundo depois, obviamente, eles vão discutir o lance, e com o pé também direito, pontapeia de forma muito clara a canela direita do extremo do Torriense, que é haitiano, se não estou em erro, derrubando. É este pontapé que faz com que o jogador haitiano, o avançado, o extremo do Torriense, seja derrubado. Claro que depois já de continuar o choque frontal, ou seja, a parte final é mesmo um choque de frente, aí não há infração, a infração está no pontapé na canela. Este é um lance que percebo que em movimento normal passe despercebido ao árbitro, porque tudo isto, esta sequência de ser o Danny Jen a chegar primeiro à bola, o Hwang a chegar depois e o pontapé na canela, possa ser difícil do árbitro entender, perceber, porque é tudo rápido, e daí ficar mais evidente o choque frontal entre os dois jogadores. Mas aquilo que depois das duas repetições que deram, à frente foram mais, porque o jogo esteve parado por causa da confusão que se gerou exatamente deste lance. É muito claro e óbvio que era uma infração para pontapé de pênalti. E acho que o VAR tinha todas as condições, até porque não há hipótese, quando se vê as repetições, de dizer outra coisa que não seja um pontapé na canela. Não há aquela interpretação de intensidades, de contato. É um pontapé na canela que derruba o adversário, é uma entrada fora de tempo, é um jogador que chega depois, quando o seu adversário já tocou na bola. Para mim, claro e óbvio, pontapé de pênalti fica por assinalar a favor do Torriense.
Último lance deste jogo, antes de conhecermos a nota que merece André Narciso nesta semana de muitas polêmicas para a arbitragem. Minuto 90, amarelos para Danny Jen e Chior, que estiveram ali em vias de fato. Se calhar é muito forte esta expressão.
Sim, mas é fruto disto. Ou seja, o Danny Jen sofre o pênalti, obviamente, e o Chior vai para lá, para cima dele, porque entende, e pode ter essa leitura, porque como digo, em movimento normal, até passa bem a questão do choque e não haver infração, entende que o Danny Jen estava a tentar ganhar um pênalti. Neste caso, não é crescer, porque ele teve que se baixar porque o Danny Jen estava no chão. O Danny Jen automaticamente levanta-se e a partir daí, lança-se o granel, que é todos os jogadores à molhada. E a UEFA tem este ponto muito clarinho, que é sempre que dois jogadores, por comportamento anti-desportivo incorreto, gerarem aglomeração de outros jogadores, ou seja, foi por causa destes dois jogadores, tendo-se entendido, que vieram os jogadores, neste caso do Porto e Torriense, esses dois jogadores que iniciaram a confusão, a não ser que haja agressões, obviamente, têm que ser sempre advertidos pelo comportamento anti-desportivo, mesmo que depois não mostrem pênaltis a mais ninguém. Estes dois é que têm que ser, e portanto, boa decisão aqui em termos disciplinares.
Pedro Henriques, para fechar este primeiro "Sem Falta" da época oficial do que diz respeito às competições nacionais, que nota merece André Narciso neste Futebol Clube do Porto 1, Torriense 0, a valer a Supertaça, 88ª conquistada pelo Futebol Clube do Porto?
Vou dar nota negativa, com base, obviamente, neste último lance, porque o jogo está 1x0, pênalti não é gol, mas é uma forte probabilidade de o ser e portanto, é um lance que nós dizemos que terá, à partida, impacto naquilo que podia ser o desfecho ao resultado final, porque apenas havia 1x0. Por isso, vou dar nota negativa, nota 4. O que eu destacaria quase como título? É que ficou um pênalti por assinalar, em que nem árbitro nem VAR decidiram de forma correta esta infração que houve do Hwang In-beom sobre o Danny Jen. De positivo, naturalmente, queria também destacar o comprimento dos jogadores em relação à equipe de arbitragem, até pela semana podia, às vezes, os jogadores também estarem afetados um pouquinho por estas informações e notícias. O fato de se terem incluído aqui dois árbitros jovens na equipe de arbitragem, o Eduardo Cardoso e o Leonor Albergaria, são normalmente árbitros com menos de 18 anos, que vão a cursos organizados pela APAF e que depois têm, fruto das suas avaliações e classificações, o privilégio de estar uns na final Taça de Portugal, Supertaça, Taça da Liga, etc. De negativo, além do pênalti e da falta de ajuda por parte do VAR, o estado do relvado, que nós não podemos ficar alheios, e o árbitro que também é início de época. Em termos de colocação e movimentação, nem sempre esteve bem. Fez lá uma obstrução sobre um jogador, há um remate à entrada da área também na primeira parte que ele quase que ia impedindo o remate e portanto não estava bem. Não sei se é questão física, se é ainda a colocação, porque todos estão no início da época. De qualquer maneira, ficou um pênalti por assinalar, nota 4, e esse é o momento mais relevante e importante do jogo.
Está feito o primeiro "Sem Falta" desta época 2026/2027 no que às competições nacionais diz respeito. Futebol Clube do Porto 1, Torriense 0, Supertaça conquistada pelos Dragões. Vamos voltar a ouvir o Pedro Henriques em sede o "Campeão É", com nossas 08:20 aos protagonistas do dia no mundo do desporto, mas também aqui em sede "Sem Falta" ao longo da próxima época. Um grande abraço, Pedro, até já.
Um abraço, obrigado.