O presidente da Câmara de Odivelas criticou esta segunda-feira a decisão do Governo de abandonar a solução em laço e tornar definitiva a exploração da linha do Metropolitano de Lisboa exclusivamente em sistema circular, considerando-a “lesiva”.
Segundo uma notícia publicada no sábado pelo jornal Público, que cita fonte do gabinete do ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, o Governo optou pela exploração exclusivamente em sistema circular, abandonando em definitivo uma solução mista, que incluía a modalidade de Linha em Laço.
Em declarações à agência Lusa, o presidente da Câmara Municipal de Odivelas, Hugo Martins (PS), lamentou que tenha conhecido a decisão através de um órgão de comunicação social, uma vez que o município aguardava “respostas efetivas e formais desde novembro do ano passado”.
“É uma forma pouco transparente, e evitável, de se anunciar às pessoas, aos municípios e a todos os interessados uma decisão desta dimensão”, afirmou.
O autarca recordou que a Linha Circular foi contestada desde o início pelos municípios de Odivelas, Loures e Mafra, por movimentos de cidadãos e por autarcas de Lisboa, defendendo que o anterior Governo deixou reunidas as condições técnicas para a exploração da Linha em Laço.
“Hoje soubemos que tecnicamente é viável e é possível. E, por isso, esta é uma decisão política e de responsabilidade política”, afirmou, instando o ministro das Infraestruturas a assumir essa posição e a explicar às pessoas “o porquê”.
Hugo Martins referiu que já enviou ofícios ao ministro das Infraestruturas, ao presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas (PSD), e ao presidente da Junta de Freguesia do Lumiar, em Lisboa, para solicitar reuniões sobre esta matéria.
“A primeira iniciativa que tomo é do ponto de vista institucional”, apontou, adiantando que a autarquia pretende igualmente reunir com os grupos parlamentares.
Segundo o presidente da Câmara de Odivelas, caso se concretize a Linha Circular, será criado “um grande problema à população da zona norte” da Área Metropolitana de Lisboa, insistindo que “esta é uma má decisão”.
“Foi por isso que foram criadas as condições para o funcionamento em laços, foi por isso que foi desembolsada bastante verba para essa questão e agora há uma decisão política tomada”, concluiu.
Contactada pela Lusa, fonte do Ministério das Infraestruturas e Habitação justificou a manutenção da solução exclusivamente circular por considerar que esta permitirá reduzir os transbordos e os tempos de viagem para a maioria dos passageiros.
“A operação no cenário circular será a adotada, uma vez que, com esta opção, 90% dos utilizadores irão diminuir ou manter o número de transbordos e, na grande maioria dos casos, o tempo de viagem irá reduzir-se”, refere o ministério tutelado por Miguel Pinto Luz.
A mesma fonte ressalva que esta opção oferece também melhores condições para futuras expansões da rede e maior flexibilidade operacional.
Relativamente à solução em laço, a tutela reconhece que esta se revelou tecnicamente viável, mas considerou que a sua adoção nesta fase implicaria novos encargos financeiros e atrasos na execução do projeto.
“Nesta fase, uma solução diferente implicaria mais investimento, cerca de 10 milhões de euros, e conduziria a atrasos e riscos no cumprimento do contrato de financiamento”, indicou.
Por sua vez, peticionários de um abaixo-assinado contra a Linha Circular do Metropolitano de Lisboa entregaram na quarta-feira uma carta ao presidente da Câmara para que intervenha junto do Governo de PSD/CDS-PP pela implementação de um traçado em laço.
Em causa está o abaixo-assinado A Linha Circular vai atrasar a nossa vida!, promovido pelo PCP e que reúne mais de 4.000 assinaturas de cidadãos que contestam o projeto da Linha Circular do Metropolitano de Lisboa e defendem a sua substituição pela solução da Linha em Laço.
A Linha Circular pretende ligar a estação do Rato ao Cais do Sodré, com duas novas estações – Estrela e Santos -, numa extensão de dois quilómetros, bem como criar um anel circular na Linha Verde, implicando com o trajeto na Linha Amarela a partir do Campo Grande.
A conclusão da obra da Linha Circular introduzirá um novo interface no Campo Grande, “obrigando milhares de utentes provenientes do Lumiar, Telheiras, Quinta das Conchas, Santa Clara/Ameixoeira e Odivelas a um transbordo adicional para aceder ao centro da cidade”, realçam os peticionários, defendendo que esta alteração representa “um agravamento das condições de mobilidade”.