Os presidentes das Câmaras de Penacova e de Penela criticaram esta quinta-feira a falta de soluções das Infraestruturas de Portugal. No município de Penacova a estrada regional 110 (ER110) e a nacional 2 (EN2) permanecem cortadas desde a passagem da tempestade Kristin. A Câmara de Penela defende a criação de um mecanismo para compensar as empresas afetadas pelo encerramento do ex-IC3 e exige uma alternativa àquela estrada.
O conselho intermunicipal da Região de Coimbra, que decorreu em Cantanhede, tomou posição em relação às duas estradas cortadas há cerca de seis meses em Penacova, durante o qual se exigiram respostas e soluções da Infraestruturas de Portugal (IP).
No caso da EN2, o presidente da Câmara de Penacova, Álvaro Coimbra, afirmou que a estrada está cortada num troço de menos de 300 metros, afetada por um “deslizamento severo”, que também teve impactos no cemitério da Carvoeira e que obrigou à realização de trasladações.
O município apresentou um relatório do Instituto de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico para a Construção (Itecons) da Universidade de Coimbra a apontar para a possibilidade de uma reabertura provisória daquele troço, com circulação alternada, mas Penacova recebeu, por parte da IP, um “rotundo não”.
“É nítido um decréscimo grande da atividade turística, não apenas pelo que está a acontecer na nacional 2, mas também na [ER] 110, que está também cortada ao trânsito. É preciso pedir explicações às Infraestruturas de Portugal para fazer pressão para que as obras avancem o mais rápido possível”, defendeu.
No caso da ER110, o autarca lamentou que, apesar de o projeto de requalificação da estrada ter terminado em julho, as obras ainda não avançaram.
Álvaro Coimbra referiu também que a Infraestruturas de Portugal recusou, inclusive, a definição de um canal de emergência que pudesse ser usado em contexto de combate a incêndios.
Penela exige solução relativamente ao antigo IC3
O município de Penela apresentou uma proposta relativa ao antigo IC3, que esteve encerrado de 11 de fevereiro a 9 de julho, tendo sido parcialmente reaberto a 10 de julho. A proposta foi aprovada no conselho intermunicipal da Região de Coimbra esta quinta-feira.
Através dessa iniciativa defende-se a criação de uma alternativa de circulação ao antigo IC3 e a criação “de um mecanismo extraordinário de identificação, avaliação e eventual compensação dos prejuízos económicos comprovadamente sofridos pelas empresas diretamente afetadas”.
O presidente da Câmara de Penela, Eduardo Santos, considerou que o encerramento do IC3 criou “constrangimentos muito significativos” no concelho, quer na atividade de empresas, quer nas estradas municipais, que acabaram por sofrer uma maior pressão de tráfego.
O projeto para a reabilitação do traçado afetado daquela estrada “já deveria estar pronto” desde o final de maio, mas o município ainda não teve acesso ao mesmo, notou.
Eduardo Santos alertou ainda que, quando o IC3 sofrer obras, a única via aberta poderá ter de ser encerrada, continuando a não haver “nenhuma alternativa prevista”.
“O Governo e a IP [Infraestruturas de Portugal] devem assegurar e financiar uma alternativa pavimentada em betuminoso, que permita a circulação de veículos ligeiros e pesados”, defendeu.
No documento apresentado à Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra, o município de Penela defendeu também que seja disponibilizado um “calendário concreto para a contratação, execução e entrada em funcionamento da alternativa rodoviária, bem como para o início e a conclusão da empreitada de reabilitação definitiva”.