O eclipse solar total é já no próximo dia 12 de agosto e, à medida que o tempo passa, aumenta a procura pelos óculos específicos de proteção. A campanha da ZEISS e da Ciência Viva, que distribuiu “centenas de milhares de óculos” gratuitamente por mais de 600 óticas em todo o país, “registou uma adesão muito significativa” e o stock disponível esgotou-se três vezes, revela fonte oficial ao Observador.
Na terceira volta da iniciativa, os óculos demoraram poucas horas a desaparecer das prateleiras. Na noite de quinta-feira, foi anunciada uma terceira reposição do stock, que esgotou na manhã de sexta-feira. Para além desta distribuição gratuita, existem várias opções para conseguir ter acesso a um par de óculos de papel e garantir, desta forma, que consegue observar o eclipse em segurança, sem causar danos permanentes aos olhos. Contactada pelo Observador, a organização diz que não está prevista mais nenhuma reposição do stock.
“Os óculos obtidos em farmácias, câmaras municipais ou nos centros de Ciência Viva estão todos certificados, as pessoas não têm de ter preocupação. Em relação aos adquiridos em grandes superfícies, deve verificar-se se têm a certificação ISO 12312-2 para observação solar e a marcação CE [Conformité Européenne] gravada no lado dos óculos. Se tiverem uma ou outra, a pessoa está salvaguardada. Caso não aconteça, pode tratar-se de contrafação e aí não sabemos se os filtros são adequados ou não”, explica ao Observador Pedro Mota Machado, o responsável pela comissão Eclipse Solar 2026.
A certificação ISO 12312-2 é uma norma que indica que os óculos estão equipados com o filtro necessário para bloquear a passagem da radiação nociva para a nossa retina — e, assim, são seguros para utilizar no dia do eclipse. Este código, que é importante memorizar no momento da compra, deverá estar ou na embalagem ou na própria haste dos óculos, acompanhado por informação sobre o local onde foi produzido e um certificado de segurança.
Deve evitar adquirir óculos em plataformas de revenda, uma vez que foi registado um elevado volume de produtos comprados inicialmente a fornecedores chineses como a Temu ou a AliExpress, que levantam várias questões sobre a qualidade do equipamento, apesar dos preços baixos. Deve procurar os óculos nas farmácias, nos centros de Ciência Viva e nas óticas, onde devem custar cerca de três euros, para garantir que o produto cumpre as normas recomendadas pelos especialistas.
Caso chegue o dia do eclipse e continue sem óculos, existem formas alternativas de acompanhar o fenómeno. Pode consultar estes exemplos disponibilizados pela comissão Eclipse Solar 2026, que mostram como pode fazer, em casa, diferentes dispositivos para observar o eclipse sem colocar a sua saúde em risco. Os especialistas consultados pelo Observador reforçam que não se deve recorrer a materiais improvisados, como radiografias, papel de alumínio ou até mesmo óculos de sol comuns, porque estes não conseguem filtrar as radiações perigosas para os olhos.
Se quiser fotografar o fenómeno, seja com uma câmara fotográfica ou com o telefone, é recomendado o uso de filtros adequados à venda em lojas de eletrónica. Caso utilize binóculos ou telescópios, também deve colocá-los de forma a evitar lesões na retina.