O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, defendeu hoje que Portugal tem, cada vez mais, de “deixar de exportar pessoas” e passar a “exportar bens e serviços”.

“Atualmente há uma nova emigração altamente qualificada que sai das universidades e vai trabalhar para grandes empresas, para os Estados Unidos, para o Reino Unido ou para a Suíça, por exemplo”, disse Emídio Sousa.

Questionado pela Lusa sobre se não seria mais benéfico para o país se essa “emigração altamente qualificada” ficasse em Portugal, o secretário de Estado concordou, mas admitiu que isso só será possível quando o país atingir “um nível de desenvolvimento que nos permita ter salários mais elevados”.

Emídio Sousa prestou declarações no Aeroporto do Porto, no encerramento do projeto “Obrigado e Boa Viagem”, iniciativa dedicada a portugueses e lusodescendentes.

“Se há 50, 60, 70, 80 anos a emigração era quase exclusivamente económica, atualmente é também um desafio científico e vontade de conhecer novos mundos”, disse. Para Emídio Sousa o importante é “a ligação, boas memórias e a vontade de voltar.”

Na visão do secretário de Estado a economia portuguesa e a vida de todos os portugueses que vivem no país podem melhorar se “nos conseguirmos potenciar para alcançar o nível internacional do mundo dos negócios e da economia“. Que, afirma o próprio é o que está a “tentar fazer com o programa Portugal Nação Global”.

O Portugal Nação Global é um evento de negócios que “procura relacionar empresas portuguesas com os portugueses e os estrangeiros, vários dos quais têm muito sucesso, e que vale a pena voltar a tê-los cá, quer como investidores, quer como parceiros de negócios”, explicou.

Emídio Santos defendeu ainda a ideia de que Portugal “deve deixar de ser uma nação geográfica e passar a ser uma nação de pessoas, de comunidades”: “As comunidades portuguesas fazem parte integrante de Portugal, independentemente do lugar onde vivem”, sustentou.

O secretário lembra que Portugal tem uma dimensão mundial muito significativa da qual não nos podemos esquecer: “Eu penso que hoje a sociedade portuguesa já está cada vez mais consciente que este é um grande ativo do país. Diria que haverá muito poucas famílias, se é que há alguma, que não tenha no seu histórico de vida e de família alguém emigrado”, afirmou.

Presente na iniciativa, o presidente do Turismo Porto e Norte de Portugal, Luís Pedro Martins, salientou que cada lusodescendente que regressa ao seu país de acolhimento é um promotor turístico de Portugal, do Porto e do Norte. “Eles são os embaixadores que recomendam a nossa gastronomia, as nossas tradições e o nosso património”, declara.

Luís Pedro Martins destacou também “a forte correlação existente entre os países que são os melhores mercados emissores para Portugal e o número de portugueses e lusodescendentes a viver nesses países”.

O presidente nortenho refere que um dos seus principais objetivos é “colocar as comunidades de lusodescendentes no centro da promoção, abrindo a porta a um novo tempo que valoriza os afetos, e que valoriza os nossos lusodescendentes que têm no seu ADN o pulsar e a alma portuguesa”.

O projeto “Obrigado e Boa Viagem” é promovido pela Associação Internacional dos Lusodescendentes desde há cinco anos na Fronteira de Vilar Formoso e alargou este ano, pela primeira vez, para o Aeroporto do Porto.

“Este ano, eu fiquei responsável por este projeto e, como tínhamos um protocolo com o Turismo Porto e Norte, eu propus estender a ação para o aeroporto”, explicou à Lusa Jorge Vilela, Diretor Executivo da Associação Internacional de Lusodescendentes (AILD).

No encerramento da iniciativa, realizou-se um sorteio de seis prémios, com um valor global de 1.755 euros, que “refletem igualmente a diversidade e a riqueza da iniciativa, conjugando arte, design, utilidade, hospitalidade e experiências de convívio”, acrescentou o responsável pelo programa.