“Se tivesse a menor ideia de que algo remotamente parecido com isto fosse sequer possível, nunca me teria envolvido no apoio a Trump e sinto-me muito envergonhado por o ter feito“. As palavras são de Milo Yiannopoulos, um conhecido comentador britânico de extrema-direita e um dos primeiros rostos mediáticos da ‘alt-right’ na chegada de Donald Trump à Casa Branca, em novembro de 2016, que acabou detido pelo ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA) e deportado para o Reino Unido.

Numa entrevista no programa do Youtube “Piers Morgan Uncensored”, do conhecido apresentador britânico Piers Morgan, Yiannapoulos assumiu que, “pela primeira vez”, se sentiu “realmente aterrorizado”, na sequência da detenção na semana passada pelos agentes de imigração norte-americanos, no aeroporto de Nova Orleães, por uma suposta violação do período legal de permanência no país.

“Não compreendia verdadeiramente a realidade física de quão institucionalizada é a brutalidade na América. É como se todas as pessoas detidas fossem membros do gangue MS-13, e dói muito mais do que parece na televisão“, relatou o outrora apoiante de Trump, citado pelo jornal The Guardian.

Milo Yiannapoulos descreveu os dias em que esteve detido pelo ICE como uma experiência “humilhante e desorientadora” e confessou-se “envergonhado” pelo apoio que deu em inúmeras publicações nas redes sociais à política intensiva de deportações seguida pela administração Trump nesta segunda passagem pela presidência.

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“Acho que nunca tinha tido tanto medo assim“, disse, continuando: “Acho que, talvez, no passado, tenha sido um pouco indiferente quando as pessoas falavam dos seus traumas, um pouco arrogante quando falavam de coisas que as marcavam profundamente, mas agora compreendo… Não desejo isso a ninguém”.

O Departamento de Segurança Interna dos EUA, que tutela o ICE (Serviço de Imigração e Alfândega norte-americano), justificou a detenção na semana passada por Yiannapoulos ter permanecido “no país além do prazo permitido”, em violação da lei, mesmo tendo entrado de forma legal nos Estados Unidos em maio de 2019. Nesse sentido, tinha sido emitida uma ordem de expulsão do comentador britânico por um juiz no passado dia 22 de julho, “após não ter comparecido à sua audiência de imigração”.

Milo Yiannapoulos refutou a tese difundida pelo ICE e salientou ser casado com um cidadão americano e que tinha um visto renovável de dois em dois anos. Por isso, adiantou nesta entrevista que considerava a sua deportação “injusta” e que iria contestá-la na justiça, sublinhando que o processo foi “ilegal”.

“É bastante óbvio que o governo, de forma maliciosa e dissimulada, criou um cenário em que me pudesse deter e expulsar para fazer de mim um exemplo”, afirmou Yiannapoulos, que entre as mensagens de apoio a Trump nos últimos anos também teve ligações a Marjorie Taylor-Greene, outra antiga apoiante do Presidente norte-americano que entrou em rota de colisão com Trump e caiu, entretanto, numa espécie de ‘lista negra’.

Yiannapoulos ganhou mediatismo enquanto editor do Breitbart News e, mais tarde, chegou a colaborar com o músico Kanye West para uma hipotética candidatura à presidência dos Estados Unidos, em 2024.