Com o apoio do Governo alemão, o SPD está a pressionar a União Europeia para resolver um erro que foi cometido num passado recente. Na ânsia de compensar os incentivos atribuídos pelo Governo chinês aos construtores locais e considerados ilegais pela Organização Mundial do Comércio (OMC), bem como pela União Europeia, Bruxelas concentrou-se exclusivamente nos veículos eléctricos (EV), esquecendo-se dos híbridos plug-in (PHEV), porta que os construtores chineses passaram a explorar excessivamente.
Os fabricantes alemães de veículos são os que mais apostaram nos PHEV e os que mais dependem deles, essencialmente porque esta tecnologia é substancialmente mais barata do que enveredar pela concepção e produção de veículos eléctricos específicos, com plataformas dedicadas para modelos alimentados a bateria, de forma a maximizar as vantagens da tecnologia. Mas a porta que se abriu para os PHEV chineses, em termos fiscais, permite-lhes que evitem as sobretaxas impostas na Europa, que atingiam até 45,3% (35,3% de imposto adicional, a que é necessário somar os 10% aplicados às importações). E, tirando partido disso, os PHEV chineses começaram a fazer a vida negra aos rivais europeus, especialmente os germânicos.
O Governo alemão nunca teve problemas em penalizar os veículos chineses, sejam eles eléctricos, PHEV ou outros, por infringirem os acordos comerciais internacionais e, se não o fez até aqui e não torceu o braço à União Europeia (como o seu maior contribuidor) para punir os fabricantes asiáticos, foi apenas porque os construtores alemães — Porsche, Mercedes, BMW, Audi e VW — exigiram que as penalizações aos modelos chineses fossem mínimas. Tudo porque pretendiam evitar que a China impedisse ou prejudicasse a exportação de modelos a partir da Alemanha. Sabem agora que, apesar deste cuidado, as vendas destes modelos estão mortas ou quase.
Os líderes do SPD, tanto em Berlim como em Bruxelas, querem acima de tudo trazer a produção de veículos de volta para a Europa, em vez de a perder para a China, além de fechar a porta à fuga dos PHEV através da abertura deixada pela actual (e imperfeita) legislação. O chanceler alemão Friedrich Merz, da CDU, está preparado para defender a aplicação das taxas adicionais em tantos tipos de veículos quantos os necessários (EV e PHEV), mas o líder do SPD Lars Klingbeil, que desempenha os cargos de vice-chanceler e ministro das Finanças, revelou que o Governo alemão está disposto a ir (ainda) mais longe, forçando os chineses a formar joint ventures com construtores europeus, para ter fábricas na Europa.
As propostas avançadas pelo SPD são muito similares às que a China impôs, durante décadas, aos construtores ocidentais que pretendiam comercializar os seus veículos naquele país. Começa por forçar os chineses a formar joint ventures, antes de começar a vender no mercado alemão ou europeu e, tal como já mencionado, pretende alargar aos PHEV as tarifas criadas para os veículos eléctricos, destinadas a atenuar as vantagens ilegais atribuídas pelo Estado chinês aos construtores locais. A serem implementadas, estas novas regras irão provocar grandes alterações no mercado, com a finalidade de atrair para o espaço europeu mais investimento e criar mais postos de trabalho.