Não é a primeira vez que a Mercedes-Benz puxa dos galões e decide impôr-se entre os congéneres germânicos, tentando provar que é a melhor e a mais rápida, seja com motores a combustão ou mecânicas eléctricas. Neste artigo recordamos várias ocasiões em que o construtor da estrela prateada apontou o tiro ao rival alemão, pertença do Grupo VW, que tradicionalmente se quer assumir como o mais desportivo, batendo-o. Desta vez, a Mercedes regressa à “guerra”, mas para reclamar a liderança entre os SUV desportivos eléctricos, que até aqui estava nas mãos da Porsche, com o Cayenne Turbo Electric, com 1.156 cv.

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A Mercedes-AMG revelou recentemente a nova família de SUV desportivos, que conta com três versões, a GT53, GT55 e GT63, com 544 cv, 816 cv e 1.169 cv, respectivamente. Concentrando-nos na mais possante, o topo de gama da marca, o AMG GT63 SUV é o monstro com que a Mercedes conta para esmagar a concorrência, mas não apenas porque lhe convém em matéria de imagem ou estratégia comercial, uma vez que este construtor recorreu às mais recentes tecnologias para elevar a fasquia em potência, capacidade de carga, autonomia e de eficiência, o que passa por alojar um pack de baterias maior e mais pesado, anunciando, ainda assim, um peso inferior.

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O Mercedes-AMG GT63 SUV começa por inovar ao montar três motores eléctricos, dois atrás e um à frente, este último sobretudo para a função “boost”, quando é necessário mais potência. Mas, mais importante do que isto, as unidades eléctricas são do tipo axial, uma solução que até aqui estava reservada a modelos da Koenigsegg, Ferrari, Lamborghini e ao Jaguar Type 01, tecnologia que é mais cara de produzir, mas que compensa por ser mais compacta e duas a cinco vezes mais leve, sendo capaz de fornecer mais potência e mais força (binário), além de ser mais eficiente (97% em vez de 92% a 94%) e sofrer menos com o aquecimento. Isto por oposição aos motores eléctricos radiais convencionais que (quase) todos os fabricantes usam, excepto marcas como a Ferrari, Lamborghini, McLaren, Jaguar e Koenigsegg.

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O GT63 SUV monta dois motores axiais atrás e um à frente que, no total, oferecem 1.169 cv, o que permite empurrar o modelo até aos 270 km/h de velocidade máxima e para lá dos 100 km/h em apenas 2,5 segundos. O Porsche Cayenne Turbo Electric iguala na aceleração, mas fica-se pelos 260 km/h na velocidade de ponta. Se estes valores parecem quase equilibrados, a equivalência desaparece quando analisamos a bateria, que no Porsche tem uma capacidade de 113 kWh e no Mercedes-AMG permite optar entre 106 kWh e 128 kWh, possuindo ambas um arquitectura a 800V, o que permite carregamentos mais rápidos. Só que a Mercedes carrega a 600 kW com a bateria de 106 kWh, e a 710 kW no acumulador maior (128 kWh), enquanto o Cayenne está limitado a 390 kW, o que exige 16 minutos para ir de 10% a 80% de carga, bem acima do GT63 SUV, que necessita de menos 37,5% do tempo para cumprir a função, evoluindo de 10-80% em somente 10 minutos.

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A aposta num menor peso, que graças ao chassis mais ligeiro do Mercedes e dos motores axiais, além das baterias NCMA (níquel, cobalto, manganês e alumínio) que anunciam uma densidade energética de 298 Wh/kg, líder no sector (contra 241 Wh/kg do Porsche), permitem ao AMG GT63 SUV acusar um peso de 2.585 kg com bateria de 106 kWh, contra 2.720 kg do Porsche com 113 kWh de bateria, com o SUV da Mercedes a ser mais leve (2.695 kg) mesmo com a bateria maior (128 kWh de capacidade).

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Com um aspecto musculado, o Mercedes-AMG GT63 SUV monta ainda suspensões com o sistema Active Ride Control+, que evita excessos na deslocação de massas em condução desportiva como se se tratasse de barras estabilizadoras activas, rodas direccionais traseiras do Active Axle Steering e o AMGForce Sport+, o sistema que assegura diferentes modos de condução, imitando o ruído de um motor V8 nos GT55 e GT63 e de um V6 no menos potente GT53. A Mercedes oferece ainda os programas AMG SpeedShift, com patilhas no volante para simular passagens de caixa de velocidades, o AMG Race Engineer, que modula a utilização do acelerador, a distribuição de potência pela frente e traseira e o controlo de tracção para modificar o comportamento em condução desportiva e o sistema de tracção integral Performance 4MATIC+.

A comparação entre o novo Mercedes-AMG GT63 e o Porsche Cayenne Turbo Electric, o mais possante dos Cayenne, favorece nitidamente o SUV da AMG, que oferece ligeiramente mais potência e velocidade máxima, para depois igualar na capacidade de aceleração de 0-100 km/h. A vantagem do Mercedes torna-se mais evidente quando em causa está a rapidez dos carregamentos, que atinge 710 kW na bateria maior, contra apenas 390 kW do Cayenne, que apesar de ser um bom valor em termos absolutos, é praticamente metade do que o Mercedes assegura. A autonomia favorece igualmente o Mercedes-AMG, pois se o Porsche é capaz de 617 km em WLTP entre recargas, o GT63 SUV anuncia 700 km segundo o mesmo sistema.