Os EUA estão a monitorizar a atividade em torno da instalação nuclear iraniana na chamada Pickaxe Mountain (Montanha da Picareta) e tentam encontrar um meio militar para atingir o complexo em profundidade, algo até agora considerado praticamente impossível. O Irão intensificou consideravelmente este ano a atividade — nomeadamente de construção — naquela instalação subterrânea perto de Natanz, que os serviços secretos ocidentais consideram ser um local de armazenamento de material nuclear, de acordo com o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, na sigla em inglês), um think tank americano.

Em comunicado, o CSIS partilha uma análise de seis anos de imagens multissensoriais que, diz, “revela uma clara assinatura de atividade em três fases nos cinco principais pontos de interesse e nas estradas que os ligam, indicando um local que passou da escavação ativa para uma provável construção interna e reforço externo contínuo”.

Os especialistas do CSIS explicam que essas imagens revelam “mais atividade viária em Pickaxe Mountain em 2026 do que em qualquer outro momento da história do local”, sublinhando que “há um claro aumento na atividade de construção em 2026, que corresponde à elevação e consolidação dos acessos, pavimentação da rede viária interna, reforço ao redor das áreas de acesso e nivelamento e remoção do material escavado”. No entanto, o CSIS ressalva que “essa avaliação não pode refutar nem corroborar a alegação dos serviços secretos israelitas, de que o Irão deslocou centrifugadoras para a Pickaxe Mountain”.

Apesar da intensificação da atividade no local nos últimos meses, o CSIS sublinha que “a construção contínua, a ausência de um reforço na segurança interna e a falta de veículos e equipamentos não relacionados com a construção” sugerem que a “instalação subterrânea ainda não está apta para o enriquecimento, caso esse seja o objetivo pretendido”.

Na sexta-feira, o Presidente dos EUA, Donald Trump, admitiu que as forças armadas norte-americanas podem atacar a Pickaxe Mountain “muito em breve”, garantindo aos jornalistas que o Irão não vai conseguir construir armas nucleares.

No entanto, atingir em profundidade as instalações construídas no subsolo é um objetivo considerado muito difícil, até mesmo para as bombas “não nucleares mais pesadas” do Pentágono, as GBU-57, admitem os especialistas do CSIS. Essas bombas conseguem destruir alvos até uma profundidade de cerca de 60 metros, sendo que as imagens de satélite disponíveis sugerem que as principais galerias subterrâneas da Pickaxe Mountain estarão enterradas a cerca de 100 metros de profundidade. E esta não é a única instalação nuclear iraniana que se teme estar fora do alcance das armas norte-americanas.

Pickaxe Mountain, a fortaleza nuclear iraniana que sobreviveu a todos os ataques e que (agora) Trump promete destruir “com toda a força”

Deste modo, há indícios de que os EUA estão a trabalhar para desenvolver uma forma de atingir estes locais, noticia a CNN. Quatro dias antes de os EUA lançarem a Operação Fúria Épica, um gestor de uma agência do Pentágono encarregada de combater armas de destruição massiva assinou um documento a justificar a necessidade de contrato para reparar uma “instalação de teste subterrânea única no Campo de Testes de Mísseis de White Sands”, no Novo México, para um “teste com munições reais, projetado para validar capacidades classificadas contra ameaças emergentes”.

Os planos para o teste estavam ligados à guerra com o Irão, disseram três fontes familiarizadas com o assunto à CNN, e à necessidade de desenvolver uma maneira de atingir as instalações subterrâneas mais profundas do Irão e, provavelmente, simular ataques dos EUA contra instalações nucleares específicas. As forças armadas norte-americanas estão a trabalhar no desenvolvimento de uma bomba penetradora de “nova geração” para substituir a atual GBU-57 e atingir alvos ainda mais profundamente enterrados. A Força Aérea solicitou fornecedores da indústria de defesa para a nova arma em junho de 2026.